Um jogo sozinho nunca define uma temporada inteira, mas a estreia contra o Warriors deu pistas claras sobre as cinco perguntas que o Lakers trazia. Doncic liderou com calma, Kessler mudou o garrafão e o ataque dividiu a bola. O banco de armadores, que preocupava, continua preocupando. É a continuação do que o Lakers de Doncic ainda precisava provar.
Doncic liderou sem perder a cabeça
A primeira pergunta era se Doncic saberia ser a cara do time sem LeBron ao lado. Na estreia, a resposta foi a mais tranquilizadora possível. Ele fez 23 pontos no primeiro tempo, terminou com 28, 8 rebotes e 7 assistências e ainda converteu os 9 lances livres que tentou. Com ele em quadra, o Lakers foi 31 pontos melhor que o Warriors, o maior saldo do time. Era o primeiro jogo oficial dele desde 2 de abril, quando uma lesão na parte de trás da coxa o tirou da reta final e dos playoffs.
O detalhe que mais diz sobre liderança veio fora da estatística. Provocado o tempo todo pelo calouro Yaxel Lendeborg, Doncic não levou falta técnica. “Nesta temporada, não estou querendo tomar técnica”, disse depois. E ainda deixou o último quarto inteiro para os reservas.
Kessler já mudou o garrafão
A troca mais cara da offseason respondeu na primeira noite. Kessler acertou os 12 arremessos que tentou, fez 26 pontos, pegou 9 rebotes e deu 2 tocos em 30 minutos. Na história do Lakers, só Wilt Chamberlain, com 14 em 14 em 1969, teve uma noite com mais acertos sem erro.
A parceria com Doncic apareceu logo no começo. Na primeira posse do Lakers, Kessler enterrou um passe alto do esloveno, e a noite seguiu com pontes aéreas e enterradas em sequência.
Na defesa, o efeito apareceu nos números do rival. O Warriors acertou só 41,3% dos arremessos de quadra e 8 de 36 bolas de três. O Lakers ganhou os rebotes por 43 a 36 e marcou 66 pontos no garrafão, contra 56 do adversário. Era exatamente o pivô de primeira linha que Doncic tinha pedido.
A bola rodou como há tempos não rodava
O elenco quase todo novo também respondeu bem à dúvida de encaixe. Foram 28 assistências em 46 cestas, com Reaves (6), Doncic (7), Ziaire Williams (4) e Grimes (4) dividindo a criação. Austin Reaves fez 23 pontos sem errar nenhum dos 10 lances livres, e LaRavia e Grimes, que saíram do banco, marcaram 10 cada.
Ziaire Williams e Matisse Thybulle, titulares nas alas, fizeram o trabalho que não aparece nos melhores momentos: somaram 12 pontos, 6 rebotes e 2 roubos de bola, e terminaram com saldo de +12 cada um.
O título, a segunda pergunta, segue sem resposta, e é bom que seja assim. Vencer por 22 pontos um Warriors sem Podziemski, Butler, Moody e Porzingis não muda nenhuma projeção séria. Mas é o tipo de começo que um elenco novo precisa para acreditar no próprio jogo.
O banco continua sendo a dúvida
Se alguma pergunta saiu da estreia ainda mais forte, foi a da armação reserva. Com Sexton fora por causa da panturrilha, Redick deu minutos a Bronny James, Chris Manon e Jaden Hardy no fim do jogo. Os três somaram 7 pontos em 20 minutos, e cada um terminou com saldo de -11. O último quarto, perdido por 37 a 25, foi justamente o da rotação mais longa.
Os reservas, no total, marcaram 38 pontos, contra 56 do Warriors. Com o jogo resolvido, isso não custou nada. Contra o Clippers, na sexta, pode custar. A volta de Sexton passa a ser a notícia mais esperada da semana no Lakers.
E a lista de preocupações pode crescer. LaRavia saiu de quadra mancando no último quarto, segundo a Associated Press, e o Lakers vai poupar Adou Thiero por um tempo, por causa de um inchaço no joelho. O time que respondeu tão bem na estreia ainda precisa provar que aguenta a temporada inteira.