O Lakers de Luka Doncic abre a temporada contra o Warriors nesta quarta com cinco perguntas ainda abertas, da defesa com Walker Kessler ao banco de armadores. A maior delas é se Doncic consegue carregar o time sozinho no primeiro ano sem LeBron, com um elenco quase todo novo.
Doncic sabe liderar?
Que Doncic é o melhor jogador do time ninguém discute. Em 2025-26, ele ganhou o segundo título de cestinha da carreira e passou dos 40 pontos em 16 jogos. A pergunta é outra: com LeBron no Sixers, o Lakers passou a ser dele, por dentro e por fora.
Os sinais da offseason vão nessa direção. Segundo Dave McMenamin, da ESPN, Doncic deu opinião na montagem do elenco e pediu um pivô de primeira linha. Em agosto, pagou do próprio bolso quatro dias de treinos e convivência do grupo inteiro na Eslovênia. Redick descreve a relação como uma “parceria”, com liberdade para Doncic criar, desde que dentro da estrutura do time. Falta o mais difícil: liderar com o corpo inteiro, já que uma lesão na posterior da coxa no fim da temporada o tirou dos playoffs.
Dá para falar em título?
Doncic acha que sim, e disse isso sem rodeio no Media Day.
“Se você não acha que nós podemos ser campeões, não deveria estar aqui. Eu sempre vou acreditar. Se eu não acreditar, ninguém acredita. Então preciso mostrar que acredito, e eu acredito de verdade.”
Luka Doncic, ao repórter Brian Windhorst, da ESPN, no Media Day
As projeções são mais frias. O índice de força da ESPN dá ao Lakers 11% de chance de chegar à final do Oeste. E há um dado que pesa: Kessler, Quentin Grimes, Sandro Mamukelashvili e Collin Sexton, os quatro reforços mais caros da offseason, somam só seis jogos de playoff como titulares na carreira. Redick não se abala. Diz gostar do talento, do encaixe e da profundidade deste elenco.
Kessler basta para a defesa?
Foi para isso que o Lakers pagou caro. Para tirar Kessler do Jazz, mandou duas escolhas de primeira rodada sem proteção e duas trocas de posição no draft. O problema que ele precisa resolver é claro: a defesa caiu do 17º lugar, no primeiro ano de Redick, para o 20º na temporada passada, com 115,5 pontos sofridos a cada 100 posses.
Os números dele ajudam. Desde 2022-23, só Victor Wembanyama tem média de tocos maior que os 2,4 de Kessler. A dúvida é de encaixe. Nos dois anos de Redick, o Lakers foi o time que mais trocou de marcação no bloqueio, em 40,6% das vezes. Em Utah, Kessler trocou só em 10% e passou mais da metade do tempo esperando no garrafão. Redick quer marcação sob pressão na frente, com Sexton, Ziaire Williams e Matisse Thybulle, e o pivô protegendo o aro atrás.
Diferente é melhor?
O Lakers é o primeiro time da história da NBA a vencer uma série de playoffs e perder os cinco titulares daquele grupo na temporada seguinte. LeBron, Rui Hachimura, Marcus Smart, Luke Kennard e Deandre Ayton puxaram uma reta final de 16 vitórias em 18 jogos, do fim de fevereiro até o fim de março. Junto com eles foram embora 59 anos de experiência somada.
Redick prefere não comparar. Diz que este elenco permite coisas do basquete atual que o anterior não permitia, como marcar a quadra inteira com mais de um jogador. No ano passado, só Smart fazia isso, e nem ele aguentava todas as posses.
Quem arma quando Doncic e Reaves descansam?
Juntos, Doncic e Austin Reaves somaram 56,8 pontos e 13,8 assistências por jogo na temporada passada. O que vem atrás deles é a maior lacuna do elenco. Com Sexton fora de toda a pré-temporada por causa da panturrilha, os reservas que testaram a armação não convenceram. “O nosso quarto armador não tem sido bom”, admitiu Redick.
Bronny jogou parte da pré-temporada com uma pancada na coxa e dividiu a quadra quase sempre com convidados do training camp, ressalvou o técnico. Mesmo assim, é a posição que Rob Pelinka mais vai precisar reforçar se o Lakers quiser brigar lá em cima.
Nenhuma dessas perguntas se responde em uma noite. Mas a estreia, às 23h, contra um Warriors desfalcado, dá a primeira pista de cada uma: quem fecha o jogo, como a defesa reage ao Curry e quem entra quando Doncic vai para o banco descansar.