Ben Golliver, da ESPN, escreveu nesta quinta que o Lakers de Doncic se parece com o Mavericks de 2023-24, o time que ganhou 50 jogos e foi parar na final da NBA. No mesmo dia, outro ranking da ESPN pôs o Lakers entre os quatro times que mais precisam ganhar já, depois de Redick apostar num time de título.
O que Golliver viu
A matéria de Golliver passa pelos 30 times e tenta separar o que a pré-temporada mostrou do que é só barulho. No trecho do Lakers, a frase que abre a análise é a que dá o tom: “surpreendentemente, a conversa de título está no ar”. O surpreendentemente tem motivo. O time foi varrido na semifinal do Oeste, perdeu LeBron James para o Sixers e passou por uma troca de dono em agosto que ninguém esperava.
Mesmo assim, Golliver vê uma base que lembra algo conhecido. Com Walker Kessler no garrafão, o encaixe ao redor de Doncic se parece com o do Mavericks de 2023-24. O desenho daquele time era esse: um pivô que protegia o aro e recebia pontes aéreas, um segundo criador ao lado do esloveno e alas para defender. Aquele time ganhou 50 jogos e chegou à final contra o Celtics, uma campanha que ninguém tinha previsto em outubro.
O jornalista também aponta o que falta. O Lakers fica atrás dos favoritos em entrosamento, porque boa parte do grupo nunca jogou junto, e entrou no training camp com duas vagas abertas no quinteto. Do lado bom, cita a relação de Doncic com Austin Reaves, que ele chama de excelente.
O ranking que diz que a hora é agora
No mesmo dia, Zach Kram publicou na ESPN a lista “agora ou depois”, que ordena os 30 times pela urgência de ganhar já, pesando o dinheiro e as escolhas de draft que cada um ainda tem para mexer no elenco. O Lakers aparece em 4º, o segundo maior salto da liga: um ano atrás, era o 14º.
A explicação está no verão. O time renovou com Reaves, gastou escolhas e dinheiro para trazer Kessler numa troca com o Jazz e assinou contratos longos com vários jogadores de apoio. Para Kram, isso quase esgotou as ferramentas para mexer no elenco. “É o time deles agora, para o bem ou para o mal”, escreveu. A pergunta que ele deixa é se Doncic e companhia vão incomodar os dois primeiros do Oeste ou ficar no segundo pelotão.
O que Doncic e Redick já disseram
A conversa não começou na imprensa. No Media Day, perguntado sobre a meta realista da temporada, Doncic respondeu com uma palavra: título. E contou que acredita nisso desde o primeiro dia do minicamp que reuniu parte do elenco na Eslovênia, no fim do verão.
Redick foi na mesma linha numa entrevista coletiva no fim de setembro. “Estou confiante de que vamos nos desenvolver e virar um time de nível de título, já nesta temporada”, disse, segundo Sam Amick, do The Athletic. E fez uma ressalva: ninguém vira campeão em setembro, o time precisa se tornar um ao longo do ano.
O que pesa contra
Os números da temporada passada mostram o tamanho da tarefa. O Lakers terminou em quarto no Oeste, com 53 vitórias, mas teve o 10º ataque e só a 20ª defesa da liga, e foi varrido na semifinal. O Knicks, campeão, manteve quase todo o elenco, e o Oeste tem Thunder e Spurs como candidatos fortes.
A pré-temporada também não ajudou a medir nada. Doncic jogou dois dos quatro jogos, Kessler só um, e o quinteto ideal ainda não entrou em quadra junto, como mostramos no especial sobre as duas vagas do quinteto. O jogo de sexta, contra o Nuggets, deve ser o primeiro com o trio titular completo.
A comparação com o Mavericks de 2023-24 tem um detalhe que agrada a quem torce pelo Lakers: aquele time também começou a temporada fora da lista dos favoritos. A diferença é que, desta vez, o próprio técnico e o próprio Doncic já disseram em voz alta onde querem chegar. A cobrança começa na quarta, contra o Warriors.