Goga Bitadze seria o encaixe perfeito para o Lakers dentro de quadra, segundo o analista Trevor Lane. O problema fica fora dela, em uma noite de março em Orlando, quando o pivô do Magic ofendeu a família de Luka Doncic no meio de uma discussão.
A ideia
A sugestão partiu de Trevor Lane, analista que acompanha o dia a dia do Lakers, e ganhou eco no Lake Show Life. O raciocínio é simples: o time foi atrás de Walker Kessler e Kevon Looney nas férias, mas ainda falta um terceiro pivô com corpo para brigar no garrafão. “Não sei como o Luka se sentiria com isso”, admitiu Lane. “Mas eu sempre acabo chegando no nome de Goga Bitadze.”
Em quadra, a conta fecha. Bitadze tem 2,11 m, é forte para o corta-luz e para a briga por rebote, finaliza perto da cesta e protege o aro. Na última temporada, pelo Magic, jogou 64 partidas saindo do banco, com 5,9 pontos, 5 rebotes e 1 toco em 15 minutos por jogo, acertando 67,6% dos arremessos. Em 2024-25, quando teve mais espaço, foram 42 jogos como titular e 1,4 toco por partida.
A noite em Orlando
O problema é a história entre os dois. Em 21 de março, no Kia Center, Lakers e Magic fizeram um jogo duro, decidido por um ponto. No fim do terceiro quarto, Doncic e Bitadze trocaram palavras e levaram técnica dupla. Depois da partida, o esloveno explicou o motivo da irritação: segundo ele, o georgiano tinha ofendido toda a família dele, em sérvio. A frase foi registrada pelo jornalista Dan Woike na mesma noite e correu o mundo.
Doncic respondeu do jeito que conhece. Fez 33 pontos e 8 assistências, e o Lakers venceu por 105 x 104. Bitadze terminou com 9 pontos e 7 rebotes em 18 minutos.
Os dois se conhecem de longe. Antes da NBA, Bitadze jogou na Sérvia e em Montenegro, onde conviveu com o idioma que Doncic também domina. Os dois já tinham se enfrentado por seleções na Copa do Mundo de 2023, quando Eslovênia e Geórgia se cruzaram no Japão.
O Lakers precisa de um pivô?
A pré-temporada mostrou que sim. Sem Kessler, que ainda se recupera de uma pancada no dedo, o Lakers perdeu a briga dos rebotes nos três jogos e levou, em média, 54 pontos no garrafão, como mostramos na matéria sobre as lesões que preocupam antes da estreia. Looney é experiente e tricampeão, mas tem 30 anos e muita quilometragem, e Sandro Mamukelashvili vem ganhando espaço como pivô reserva mais pela versatilidade do que pelo tamanho.
Um terceiro pivô de força daria a Redick a opção de proteger o aro durante os 48 minutos. Por isso o nome de Bitadze faz sentido para quem olha só a quadra.
Quem decide
Aqui entra o peso de Doncic no novo Lakers. O esloveno já contou que participou das conversas sobre o elenco nas férias, e a diretoria de Rob Pelinka dificilmente traria um jogador que o camisa 77 não quer ver no vestiário. Uma conversa resolveria a dúvida. Pode ser que Doncic trate o caso como coisa de jogo, daquelas que ficam em quadra, e pode ser que não.
Por enquanto, é só uma ideia de analista, sem negociação em andamento. Mas ela expõe uma lacuna real no elenco, e o Lakers vai precisar resolver isso de algum jeito antes que o garrafão vire problema na temporada regular, que começa em 21 de outubro.