A estreia do Lakers contra o Warriors nesta quarta tem um duelo acima dos outros, entre os dois cestinhas em quadra: Luka Doncic, o maior da NBA na temporada passada, e Stephen Curry, que joga com minutos contados. Quem impuser o ritmo leva o jogo. Na última estreia, contra o mesmo rival, Doncic fez 43 pontos e o Lakers perdeu.
Os dois cestinhas da noite
Doncic chega como o maior pontuador da liga. Em 2025-26, teve média de 33,5 pontos, com 7,7 rebotes e 8,3 assistências em 64 jogos, e levou o segundo título de cestinha da carreira. Curry, aos 38 anos, fez 26,6 pontos em 43 partidas, em uma temporada em que o joelho direito o tirou de quadra várias vezes.
O tamanho dos dois não está em discussão. O que muda o jogo é o elenco em volta, e nesta estreia a balança pende para o lado do Lakers. O Warriors perdeu quatro titulares, com Brandin Podziemski descartado na véspera, como mostramos em o Warriors que o Lakers vai enfrentar na estreia.
A lição da última estreia
Há um ano, o roteiro foi parecido e o resultado, não. Doncic jogou 41 minutos, acertou 17 de 27 arremessos de quadra, pegou 12 rebotes e deu 9 assistências. Fez 43 pontos e, mesmo assim, o Warriors venceu por 119 a 109. Curry precisou de 32 minutos para marcar 23. Austin Reaves também foi bem, com 26 pontos e 9 assistências, e não bastou.
A noite deixou um aviso: Doncic sozinho não garante vitória contra um time que sabe espalhar o jogo. Naquela partida, ele errou 8 das 10 bolas de três que tentou, e o Lakers dependeu demais dele para pontuar. O elenco de agora foi montado justamente para dividir esse peso, com Austin Reaves ao lado e arremessadores em volta.
Quem marca Doncic
Sem Podziemski e Moses Moody, o Warriors perde dois jogadores de perímetro da rotação e tem menos opções para trocar quem marca Doncic. Steve Kerr deve começar com um time baixo, com Curry, Gui Santos, Yaxel Lendeborg e Draymond Green entre os titulares. Green, aos 36 anos, segue como o cérebro da defesa, e deve passar boa parte da noite lendo os bloqueios de Doncic com Walker Kessler.
Contra uma formação baixa, Doncic costuma procurar o adversário mais fraco na marcação e atacar de costas para a cesta. É aí que o Lakers pode castigar um Warriors sem pivô de ofício. Na estreia passada, Kerr ainda tinha Jimmy Butler para dividir a tarefa de marcar o esloveno. Desta vez, Butler está em recuperação do joelho e só deve voltar no meio da temporada, e a conta sobra para Green, Santos e Lendeborg, um trio que vai precisar de ajuda o tempo todo.
Como o Lakers vai marcar Curry
Do outro lado, a defesa de Redick tem uma marca registrada. Nas duas temporadas dele, o Lakers foi o time que mais trocou de marcação no bloqueio, em 40,6% das jogadas, segundo levantamento da ESPN. Contra Curry, que vive de bloqueios fora da bola, a troca bem feita é o que impede o arremesso livre. A dúvida é como Kessler, acostumado a esperar no garrafão no Jazz, vai se comportar quando a troca o deixar sozinho com ele no perímetro.
Matisse Thybulle e Ziaire Williams são as opções mais prováveis para seguir Curry pela quadra. E o próprio cuidado do Warriors com o tornozelo ajuda: com 28 a 32 minutos, Curry vai ficar no banco por um bom pedaço do jogo.
Há um detalhe que vale tanto quanto a marcação. Há oito dias, em Las Vegas, o Warriors venceu o último encontro com 20 roubos de bola, e o Lakers cometeu 29 erros. Proteger a bola é a melhor maneira de não dar a Curry os contra-ataques que ele adora.
A bola sobe às 23h, na Crypto Arena. Se a estreia de 2025 ensinou alguma coisa, é que o duelo dos cestinhas pode até ser de Doncic, mas o jogo se ganha nos minutos em que Curry descansa.