O minicamp de Luka Doncic na Eslovênia começa nesta quinta-feira, 20 de agosto, e vai até o dia 24. Dos 17 jogadores do elenco, 16 embarcam para Liubliana. São nove caras novos, e nenhum deles jamais dividiu quadra com o esloveno em jogo oficial.

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Resumo rápido
  • O minicamp vai de 20 a 24 de agosto, em Liubliana, capital da Eslovênia.
  • Dos 17 jogadores do elenco, 16 viajam. Só Cameron Carr fica de fora.
  • Nove reforços chegaram na offseason e nenhum atuou ao lado de Doncic em jogo oficial.
  • Doncic fretou o avião e banca transporte e hospedagem dos companheiros.
  • O programa tem treinos, golfe e passeios. O training camp só começa no fim de setembro.

Quatro dias em Liubliana

A concentração vai de 20 a 24 de agosto, em Liubliana (Ljubljana, na grafia eslovena), capital do país. O programa mistura trabalho e convivência: treinos em quadra, golfe, passeios pela cidade e atividades de entrosamento. Não é pré-temporada oficial, e por isso nada disso vale como preparação formal. O training camp começa só no fim de setembro.

Liubliana é cidade pequena para padrões de NBA, com pouco mais de 280 mil habitantes. Não é destino habitual de elenco da liga em agosto, e é exatamente esse o ponto: ninguém estará em ambiente conhecido, exceto o anfitrião.

Doncic banca a operação. Ele fretou o avião e cobre o custo de transportar e hospedar os companheiros. Também está na Eslovênia desde a eliminação nos playoffs. Ou seja, ninguém precisou convencê-lo a organizar nada: a ideia, a conta e o endereço são dele.

Não há previsão de treino aberto, venda de ingresso ou aparição pública. A programação é privada. Quem esperar imagens oficiais dos quatro dias provavelmente vai depender do que os próprios jogadores publicarem.

O problema que quatro dias tentam resolver

Aqui está o ponto que interessa. O elenco foi refeito na offseason. Nove jogadores chegaram, e nenhum deles jamais atuou ao lado do esloveno num jogo que valesse alguma coisa. Walker Kessler é o mais impactante dos reforços e vai dividir garrafão com quem nunca lhe passou uma bola em ritmo de NBA.

Vale lembrar do tamanho da reforma. O elenco atual manteve apenas oito jogadores da temporada passada. Metade do vestiário é gente que nunca vestiu a camisa em jogo. Em basquete, esse tipo de reforma cobra seu preço nas primeiras semanas, o tempo que um grupo leva para aprender onde cada um gosta de receber a bola.

Entrosamento não se constrói em quatro dias de golfe. Mas é diferente chegar ao training camp em setembro tendo passado uma semana com o cara que vai decidir a maioria das posses. A conversa que normalmente leva dois meses de temporada para acontecer começa antes.

Quem vai e quem fica

Dos 17 nomes do elenco, 16 viajam. A única ausência é Cameron Carr, escolha 24 do Draft deste ano, que tem compromisso obrigatório com o Rookie Transition Program da NBA, o programa de adaptação dos calouros à vida profissional. Não é escolha dele nem do time.

Austin Reaves já avisou o que pretende fazer por lá. Perguntado sobre a viagem durante a turnê asiática de sua marca de tênis, ele prometeu vencer Doncic no golfe antes de falar qualquer coisa sobre entrosamento. A ordem das prioridades diz bastante sobre o clima da coisa.

Vale um aviso de expectativa. Minicamp organizado por jogador não tem comissão técnica no comando nem plano tático a implantar. O que acontece em Liubliana é convivência e trabalho voluntário. Quem esperar ver esquema pronto na estreia vai se frustrar, porque não é para isso que serve.

O recado que a viagem manda

Nenhuma regra da NBA obriga um jogador a fazer isso. Não conta como treino, não aparece em súmula e não rende nada contratualmente. É gesto puro, e gesto de quem assumiu um posto. Depois da saída do veterano que puxava o grupo nos últimos anos, alguém precisava ocupar o lugar. A resposta veio de avião fretado.

Há precedente na própria franquia. Durante anos, a concentração informal de pré-temporada do Lakers acontecia porque o veterano da casa convocava, e quem não aparecia era notado. A diferença agora é o endereço: em vez de uma quadra reservada nos Estados Unidos, um país inteiro do outro lado do Atlântico.

O gesto também tem destinatário no escritório. Quando a viagem foi anunciada, no fim de julho, ela funcionou como cobrança para que o front office fechasse o elenco a tempo. O elenco fechou. Agora a bola volta para o lado de quem joga.

Nos últimos vinte anos, a pré-temporada do Lakers começava quando o time mandava. Desta vez começa quando um jogador de 27 anos decide, no país dele, com a conta no cartão dele. Quinta-feira não muda nada na tabela. Muda quem está com a chave da casa.