O Lakers escolheu Magic Johnson na primeira escolha de 1979 porque tinha a escolha do New Orleans Jazz, recebida como compensação pela saída de Gail Goodrich, e porque venceu um cara ou coroa contra o Bulls. Foi o começo do Showtime, sob um dono que tinha comprado o time um mês antes.

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Resumo rápido
1976
Ano da saída de Gail Goodrich, que gerou toda a compensação.
4 escolhas
O que o Lakers recebeu do Jazz, sem dar nenhuma em troca.
26-56
Campanha do Jazz em 1978-79, a pior do Oeste. A escolha era do Lakers.
31-51
Campanha do Bulls, a pior do Leste, que perdeu o cara ou coroa.
Nº 1
Posição em que Magic Johnson foi escolhido, em 25 de junho de 1979.

A saída de Gail Goodrich, três anos antes, que começou tudo

Depois de dezesseis temporadas seguidas nos playoffs, o Lakers ficou de fora em 1975. Gail Goodrich, cestinha da equipe entre 1971 e 1975, já dava sinais de desgaste, e a disputa salarial acelerou a saída. Ele jogou mais uma temporada, a única ao lado de Kareem Abdul-Jabbar, e foi embora.

Em agosto de 1976, Goodrich assinou com o New Orleans Jazz. Pelas regras da época, o time que perdia um jogador em livre negociação recebia compensação, e a arbitrada aqui foi pesada: o Jazz entregou ao Lakers suas escolhas de primeira rodada de 1977, 1978 e 1979, mais uma de segunda rodada de 1980.

Vale registrar o sentido dessa negociação, porque ele costuma ser contado errado: foi de mão única. O Jazz ficou com o jogador e abriu mão de quatro escolhas. O Lakers não entregou nenhuma escolha em troca.

Compensação pela saída de Gail Goodrich

Ano O que virou Rodada Posição
1977 Kenny Carr 1ª rodada Escolha nº 6
1978 Negociada com o Celtics 1ª rodada Não usada
1979 Magic Johnson 1ª rodada Escolha nº 1
1980 Negociada com o Bulls 2ª rodada Não usada
Quatro escolhas do Jazz por um jogador.O Lakers não entregou nenhuma escolha em troca.

O cara ou coroa que decidiu a NBA dos anos 1980

Não existia loteria do draft em 1979. A primeira escolha era decidida no cara ou coroa entre o pior time de cada conferência, e foi aí que a conta fechou para Los Angeles.

No Oeste, o pior foi justamente o New Orleans Jazz, com 26 vitórias e 56 derrotas. Só que a escolha do Jazz não era mais do Jazz: pertencia ao Lakers desde 1976. No Leste, o pior foi o Chicago Bulls, com 31 vitórias e 51 derrotas.

O Bulls consultou a torcida para decidir o lado da moeda, e cara venceu a enquete com folga. Deu coroa. Chicago ficou com a segunda escolha e levou David Greenwood. É impossível não imaginar o que teria sido da liga se Magic tivesse desembarcado em Chicago, e se os Bulls, cinco anos depois, ainda estariam em posição de escolher um certo Michael Jordan.

Jerry Buss tinha comprado o time um mês antes

A escolha caiu no colo de um dono recém-chegado. Jerry Buss comprou a franquia de Jack Kent Cooke em maio de 1979, poucas semanas antes do draft, e precisou fazer a avaliação mais importante da vida dele com o cargo ainda quente.

A televisão ajudou. Em março daquele ano, os Estados Unidos tinham parado para assistir à decisão do basquete universitário.

Magic e Bird, a final que salvou a NBA

Michigan State bateu Indiana State por 75 a 64, na final mais vista da história do basquete universitário, com audiência estimada em 35 milhões de pessoas. Mais do que um título, aquele jogo apresentou ao país a rivalidade entre Magic Johnson e Larry Bird.

Bird já pertencia ao Boston Celtics, draftado no ano anterior, e tudo indicava que o time do Leste faria o possível para segurá-lo. Ao escolher Magic no ano de estreia de Bird como profissional, Buss pavimentou o maior duelo da década: Leste contra Oeste, o time operário contra o glamour de Hollywood, o branco contra o negro. Eram muitas as camadas para a torcida e para a imprensa explorarem.

E a liga precisava disso. A NBA vivia um período obscuro: o Los Angeles Times estimava que entre 40% e 75% dos jogadores usavam cocaína, as finais eram transmitidas com atraso e começavam às onze e meia da noite, e as arenas esvaziavam. Era uma crise de imagem, e a dupla Magic e Bird ajudou, muito, a resolvê-la.

O que aquela escolha entregou

O armador de 2,06 m ganhou o apelido aos 15 anos, depois de um triplo duplo de 36 pontos, 18 rebotes e 16 assistências, para desgosto da mãe, cristã, que via na alcunha um sacrilégio. Encerrou a carreira com três prêmios de MVP da temporada, outros três de MVP das finais, o primeiro deles ainda como novato, cinco títulos, doze convocações para o All-Star Game e um ouro olímpico.

Também deixou uma marca que ninguém encostou: as 10.141 assistências que lideram a história da franquia, mais do que a soma do segundo e do terceiro colocados.

Seria a segunda vez que uma escolha de draft mudaria o rumo do time, e a segunda também não sairia do jeito óbvio: dezessete anos depois, a chegada de Kobe Bryant exigiria outro arranjo pouco convencional. Mas em 1979 bastou uma moeda no ar, e ela caiu do lado certo.