O Lakers pertence hoje a Josh Kushner e Bob Iger, que compraram a franquia da família Buss em agosto de 2026 por uma avaliação de US$ 12,5 bilhões. São o sexto grupo de donos desde 1947, quando o time nasceu em Minneapolis e custou US$ 15 mil.
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Quem é o dono do Lakers hoje
Josh Kushner e Bob Iger. Kushner é fundador da Thrive Capital, gestora de investimento em tecnologia, e já era sócio minoritário do Miami Heat. Iger comandou a Walt Disney entre 2005 e 2020 e de novo a partir de 2022. Os dois compraram aproximadamente 65% do time de Mark Walter e, somando a fatia que a família Buss vendeu em seguida, passam a controlar algo perto de 83% da franquia.
A operação foi avaliada em US$ 12,5 bilhões, o maior valor já pago por um time do esporte profissional americano. Ela ainda depende da aprovação do conselho de governadores da NBA, com reunião marcada para 15 e 16 de setembro de 2026.
Todos os donos do Lakers desde 1947
A família Buss sozinha responde por 47 dos 79 anos de existência da franquia. Mark Walter, que foi o dono mais caro da história até ser superado, durou pouco mais de um ano.
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Tempo no comando, em anos
| Período | Dono | Pagou | Tempo no comando |
|---|---|---|---|
| 1947-1957 | Ben Berger e Morris Chalfen | US$ 15 mil | 10 anos |
| 1957-1965 | Grupo de Bob Short | US$ 150 mil | 8 anos |
| 1965-1979 | Jack Kent Cooke | US$ 5,175 mi | 14 anos |
| 1979-2013 | Jerry Buss | US$ 67,5 mi | 34 anos |
| 2013-2025 | Família Buss | Herança | 12 anos |
| 2025-2026 | Mark Walter | US$ 10 bi | 1 ano |
| 2026- | Josh Kushner e Bob Iger | US$ 12,5 bi | Em curso |
De US$ 15 mil em Minneapolis a um time de Los Angeles
O Lakers não nasceu em Los Angeles e não nasceu caro. Em 1947, Ben Berger e Morris Chalfen compraram o Detroit Gems, uma equipe recém-dissolvida da National Basketball League, por US$ 15 mil. Pelo dinheiro receberam pouco mais que material esportivo e um papel dizendo que agora tinham um time. Levaram a franquia para Minneapolis e a batizaram de Lakers, em referência a Minnesota, a terra dos dez mil lagos. O nome ficou mesmo depois que o time se mudou para uma cidade sem lago nenhum.
Deu certo rápido. Com George Mikan, o primeiro grande pivô do basquete, o time dominou o fim dos anos 1940 e o início dos anos 1950, e boa parte dos 17 títulos da franquia começou a ser construída ali.
O público, porém, minguou. Em 1957, com a equipe perto de ser vendida para investidores de Kansas City, um grupo local liderado pelo empresário Bob Short pagou US$ 150 mil e segurou o time em Minneapolis. Segurou por pouco tempo. Em 28 de abril de 1960, Short anunciou a mudança para Los Angeles, uma das decisões mais ousadas da história da liga e a que criou o time que conhecemos.
Jack Kent Cooke, o Forum e um divórcio que mudou tudo
Em 1965, Short vendeu o time para Jack Kent Cooke por US$ 5,175 milhões. Cooke pensava grande: no ano seguinte comprou o Los Angeles Kings, franquia de expansão da NHL, por US$ 2 milhões, e em 1967 inaugurou em Inglewood o Forum, um dos primeiros ginásios americanos projetados pensando em espetáculo, não só em assento.
O que tirou Cooke do Lakers não foi basquete. Foi um divórcio. O acordo que encerrou seu casamento de 45 anos custou US$ 42 milhões, o maior já homologado até então, e o obrigou a levantar dinheiro. Em 1979, ele vendeu o pacote inteiro a Jerry Buss por US$ 67,5 milhões: o Lakers, o Kings, o Forum e um rancho de 13 mil acres na Sierra Nevada.
Os 34 anos de Jerry Buss
Buss é o dono que ficou mais tempo, e é o que definiu o que a franquia significa. No primeiro ano dele o time foi campeão, e a década seguinte ganhou um nome próprio: Showtime. A ideia de tratar jogo de basquete como evento de entretenimento, com celebridade na primeira fila e música alta, é dele.
Quando morreu, em fevereiro de 2013, o controle passou para os seis filhos, com Jeanie Buss como governadora. Foram mais doze anos de família no comando, agora sem a figura que unia as decisões, e é dessa fratura que sai todo o resto da história.
A cláusula de 2021 que entregou o Lakers a Mark Walter
Aqui está a peça que quase ninguém menciona, e sem ela a venda de 2025 parece ter vindo do nada.
Em 2021, Mark Walter e Todd Boehly, sócios no Los Angeles Dodgers, compraram de Philip Anschutz os 27% do Lakers que ele detinha, numa operação que avaliava a franquia em cerca de US$ 5 bilhões. Junto com as ações veio outra coisa, bem mais valiosa: o direito de preferência sobre qualquer fatia do time que fosse a mercado.
Ou seja, desde 2021 estava contratado que, no dia em que a família Buss decidisse vender, Walter teria a primeira palavra. Foi exatamente o que aconteceu em junho de 2025, quando ele comprou o controle a uma avaliação de US$ 10 bilhões, com aprovação da NBA no fim de outubro daquele ano. A família ficou com pouco mais de 15% e Jeanie seguiu como governadora, até agosto de 2026.
O que ainda está em aberto
A transição não está fechada. Jeanie Buss contesta a validade do voto dos irmãos, sustenta que a operação é nula e perde o cargo de governadora por não alcançar os 15% que a NBA exige de quem ocupa o posto. O desfecho formal depende da reunião do conselho de governadores, em setembro.
Do lado de quem viveu a era Buss, a leitura é de reconhecimento, não de revolta. Shaquille O’Neal resumiu a saída da família como uma jogada de negócios monumental, e agradeceu.
Setenta e nove anos depois, o time que dois empresários de Minneapolis compraram por quinze mil dólares vale doze bilhões e meio e pertence a um investidor de tecnologia e ao ex-presidente da Disney. O escudo é o mesmo, a arena continua em Los Angeles e o número de títulos não mudou. O que mudou foi quem assina embaixo, e pela primeira vez desde 1979 não é alguém que atende pelo sobrenome Buss.