A família Buss vendeu os 17,8% restantes do Lakers a Josh Kushner e Bob Iger.
A dupla passa a controlar cerca de 83% da franquia, avaliada em US$ 12,5 bilhões.
Jeanie Buss perde o cargo: a NBA exige 15% de participação para exercê-lo.
Jerry Buss comprou o time em maio de 1979 por US$ 67,5 milhões. Foram 11 títulos.
O Board of Governors vota o negócio na reunião de 15 e 16 de setembro, em Nova York.
A conta que tira Jeanie Buss do comando
A informação foi apurada por Shams Charania, da ESPN. A família Buss decidiu vender as ações que restavam no Buss Family Trust, os 17,8% que ainda a ligavam ao time, para o mesmo grupo que fechou a compra do controle na semana passada. Somando as duas operações, Kushner e Iger passam a deter cerca de 83% do Lakers.
A nota da família é curta e diz mais no que evita dizer. “Decidimos, como família, vender as ações restantes do Buss Family Trust para o grupo do Bob Iger, como parte da transação em andamento”, diz o texto. “Nós amamos o Lakers, amamos os torcedores do Lakers e vamos continuar apoiando Los Angeles, mas é hora de usar essa oportunidade para seguir em frente e sair com elegância enquanto ainda dá.”
“Enquanto ainda dá” é a parte que interessa. Ninguém vende participação em franquia de US$ 12,5 bilhões achando que ela vai desvalorizar. Vende quem entendeu que ficar com uma fatia sem poder é ficar com o pior dos dois mundos: exposição sem decisão.
Como a venda de US$ 12,5 bilhões chegou até aqui
Em junho de 2025, a família aceitou passar o controle a Mark Walter, dono do TWG Global, que já tinha 26% do time desde 2021. O Board of Governors aprovou a operação por unanimidade em 30 de outubro de 2025, com avaliação de US$ 10 bilhões. Catorze meses depois, em 13 de agosto de 2026, Walter repassou sua participação a Kushner e Iger em uma venda de US$ 12,5 bilhões. Lucro de US$ 2,5 bilhões sem levantar um troféu.
Walter se despediu com uma frase que soou mais como balanço de portfólio do que como carta de torcedor: “Ser dono do Los Angeles Lakers foi uma das grandes honras da minha vida, um investimento extraordinário, mas o que eu levo comigo é a comunidade, os torcedores e uma cidade que trata esse time como família”. Dias antes, a Bloomberg havia noticiado que a SEC e procuradores federais investigavam supostas irregularidades financeiras em empresas ligadas a ele.
O salto de valor não é um caso isolado do Lakers, mas ele está no topo de tudo o que já se pagou por um time no mundo. A lista abaixo põe os US$ 12,5 bilhões ao lado dos outros maiores negócios do esporte.
As vendas de franquias esportivas mais caras da história
Os 12 maiores negócios já fechados no esporte mundial, do recorde dos Lakers em 2026 à venda dos Nets em 2019. Valores anunciados no momento do acordo, em dólares.
Maiores vendas de clubes e franquias esportivas. Clique nos títulos para ordenar
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Franquia
Liga
Valor
Comprador
Ano
1
LALLos Angeles Lakers Recorde
NBA
US$12,5bi
Bob Iger & Josh Kushner
2026
2
LALLos Angeles Lakers
NBA
US$10bi
Mark Walter
2025
3
BOSBoston Celtics
NBA
US$6,1bi
Bill Chisholm
2025
4
WASWashington Commanders
NFL
US$6,05bi
Josh Harris
2023
5
CHEChelsea Football Club
Premier League
US$5,35bi
Todd Boehly & Clearlake Capital
2022
6
DENDenver Broncos
NFL
US$4,65bi
Família Walton-Penner
2022
7
PORPortland Trail Blazers
NBA
US$4,25bi
Tom Dundon
2026
8
PHXPhoenix Suns / Mercury
NBA & WNBA
US$4bi
Mat Ishbia
2022
9
DALDallas Mavericks
NBA
US$3,5bi
Famílias Adelson e Dumont
2023
10
CHACharlotte Hornets
NBA
US$3bi
Gabe Plotkin & Rich Schnall
2023
11
NYMNew York Mets
MLB
US$2,475bi
Steve Cohen
2020
12
BKNBrooklyn Nets
NBA
US$2,35bi
Joe Tsai
2019
Clique nos títulos para ordenarFontes: USA TODAY Sports, The Athletic, Yahoo Sports
Cada bolha é uma venda registrada entre 2019 e 2026, posicionada pelo ano do acordo e pelo valor pago. O recorde mundial saltou de US$ 2,35 bi (Nets, 2019) para US$ 12,5 bi (Lakers, 2026), uma multiplicação por 5,3 em sete anos.
US$ bilhões
12,5107,552,5020192020202120222023202420252026
LAL12,5Los Angeles LakersUS$ 12,5 biBob Iger & Josh Kushner · 2026 · NBA
LAL10Los Angeles LakersUS$ 10 biMark Walter · 2025 · NBA
BOS6,1Boston CelticsUS$ 6,1 biBill Chisholm · 2025 · NBA
Quando Iger e Kushner fecharam a compra do controle, a pergunta imediata foi o que aconteceria com Jeanie no posto de governor, que ela ocupa desde 2013. Iger foi direto: “Temos toda a intenção de honrar o acordo que foi feito entre o Mark e a Jeanie. Se as coisas mudarem, elas vão mudar, mas entramos nisso com enorme respeito e reconhecimento por quem ela é e pelo que ela representa”.
O acordo original garantia a ela mais quatro temporadas no comando, até 2030. E o que derrubou tudo não foi o novo dono, foi a própria família. A NBA exige que o cargo de presidente de uma franquia detenha ao menos 15% dela. Ao vender os 17,8%, o Buss Family Trust levou junto a única credencial que sustentava aquela cadeira. A cláusula não foi rompida, ela ficou sem objeto.
De US$ 67,5 milhões a 11 títulos
Jerry Buss comprou o Lakers de Jack Kent Cooke em maio de 1979 por US$ 67,5 milhões, num pacote que ainda incluía o Kings e o Fórum. O que veio depois foi o Showtime, a era Shaq e Kobe, o bicampeonato com Pau Gasol e o título de 2020 na bolha. Onze anéis sob o mesmo sobrenome. Nenhuma outra família atravessou tanto tempo à frente de uma franquia da NBA neste século.
Jeanie assumiu o comando em 2013, depois da morte do pai, e atravessou a disputa societária com os irmãos, a travessia sem playoffs, a contratação de LeBron James, o título na bolha e a chegada de Luka Doncic. Sai sem cerimônia, sem jogo de despedida, sem placa pendurada no ginásio. Sai por regulamento.
O que ainda falta para fechar
O negócio não está concluído. Precisa do aval do Board of Governors, que se reúne em Nova York nos dias 15 e 16 de setembro. Há ainda uma pendência do lado comprador: Kushner é sócio minoritário do Heat, e a liga não permite participação em dois clubes. Ele terá que vender essa fatia antes da votação.
Rob Pelinka segue como presidente de operações e gerente-geral, com contrato estendido em 2025, e o vestiário não deve sentir nada disso quando a pré-temporada começar. A mudança é de andar, não de quadra. Mas em 2026-27, pela primeira vez desde 1979, o Lakers vai abrir uma temporada sem nenhum Buss no organograma. O time que a família comprou por menos do que hoje custa um contrato de dois anos vira ativo de portfólio como qualquer outro. O nome no letreiro continua igual. O sobrenome na sala, não.
Torcedor apaixonado pelo Lakers desde a era de Magic Johnson, é editor chefe do Lakers Brasil desde 2006. Acompanha cada temporada, trazendo análises e notícias para a comunidade de torcedores brasileiros há quase duas décadas.