A família Buss vendeu seus 17,8% restantes do Lakers para Josh Kushner e Bob Iger, e Jeanie Buss deixa o seu cargo na franquia: a NBA exige 15% de participação para ocupar a função. O clã sai da franquia depois de 47 anos e 11 títulos, e o acordo que a manteria no comando até 2030 morre junto.

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Resumo rápido
  • A família Buss vendeu os 17,8% restantes do Lakers a Josh Kushner e Bob Iger.
  • A dupla passa a controlar cerca de 83% da franquia, avaliada em US$ 12,5 bilhões.
  • Jeanie Buss perde o cargo: a NBA exige 15% de participação para exercê-lo.
  • Jerry Buss comprou o time em maio de 1979 por US$ 67,5 milhões. Foram 11 títulos.
  • O Board of Governors vota o negócio na reunião de 15 e 16 de setembro, em Nova York.

A conta que tira Jeanie Buss do comando

A informação foi apurada por Shams Charania, da ESPN. A família Buss decidiu vender as ações que restavam no Buss Family Trust, os 17,8% que ainda a ligavam ao time, para o mesmo grupo que fechou a compra do controle na semana passada. Somando as duas operações, Kushner e Iger passam a deter cerca de 83% do Lakers.

A nota da família é curta e diz mais no que evita dizer. “Decidimos, como família, vender as ações restantes do Buss Family Trust para o grupo do Bob Iger, como parte da transação em andamento”, diz o texto. “Nós amamos o Lakers, amamos os torcedores do Lakers e vamos continuar apoiando Los Angeles, mas é hora de usar essa oportunidade para seguir em frente e sair com elegância enquanto ainda dá.”

“Enquanto ainda dá” é a parte que interessa. Ninguém vende participação em franquia de US$ 12,5 bilhões achando que ela vai desvalorizar. Vende quem entendeu que ficar com uma fatia sem poder é ficar com o pior dos dois mundos: exposição sem decisão.

Como a venda de US$ 12,5 bilhões chegou até aqui

Em junho de 2025, a família aceitou passar o controle a Mark Walter, dono do TWG Global, que já tinha 26% do time desde 2021. O Board of Governors aprovou a operação por unanimidade em 30 de outubro de 2025, com avaliação de US$ 10 bilhões. Catorze meses depois, em 13 de agosto de 2026, Walter repassou sua participação a Kushner e Iger em uma venda de US$ 12,5 bilhões. Lucro de US$ 2,5 bilhões sem levantar um troféu.

Walter se despediu com uma frase que soou mais como balanço de portfólio do que como carta de torcedor: “Ser dono do Los Angeles Lakers foi uma das grandes honras da minha vida, um investimento extraordinário, mas o que eu levo comigo é a comunidade, os torcedores e uma cidade que trata esse time como família”. Dias antes, a Bloomberg havia noticiado que a SEC e procuradores federais investigavam supostas irregularidades financeiras em empresas ligadas a ele.

A regra dos 15% e o acordo que virou pó

Quando Iger e Kushner fecharam a compra do controle, a pergunta imediata foi o que aconteceria com Jeanie no posto de governor, que ela ocupa desde 2013. Iger foi direto: “Temos toda a intenção de honrar o acordo que foi feito entre o Mark e a Jeanie. Se as coisas mudarem, elas vão mudar, mas entramos nisso com enorme respeito e reconhecimento por quem ela é e pelo que ela representa”.

O acordo original garantia a ela mais quatro temporadas no comando, até 2030. E o que derrubou tudo não foi o novo dono, foi a própria família. A NBA exige que o cargo de presidente de uma franquia detenha ao menos 15% dela. Ao vender os 17,8%, o Buss Family Trust levou junto a única credencial que sustentava aquela cadeira. A cláusula não foi rompida, ela ficou sem objeto.

De US$ 67,5 milhões a 11 títulos

Jerry Buss comprou o Lakers de Jack Kent Cooke em maio de 1979 por US$ 67,5 milhões, num pacote que ainda incluía o Kings e o Fórum. O que veio depois foi o Showtime, a era Shaq e Kobe, o bicampeonato com Pau Gasol e o título de 2020 na bolha. Onze anéis sob o mesmo sobrenome. Nenhuma outra família atravessou tanto tempo à frente de uma franquia da NBA neste século.

Jeanie assumiu o comando em 2013, depois da morte do pai, e atravessou a disputa societária com os irmãos, a travessia sem playoffs, a contratação de LeBron James, o título na bolha e a chegada de Luka Doncic. Sai sem cerimônia, sem jogo de despedida, sem placa pendurada no ginásio. Sai por regulamento.

O que ainda falta para fechar

O negócio não está concluído. Precisa do aval do Board of Governors, que se reúne em Nova York nos dias 15 e 16 de setembro. Há ainda uma pendência do lado comprador: Kushner é sócio minoritário do Heat, e a liga não permite participação em dois clubes. Ele terá que vender essa fatia antes da votação.

Rob Pelinka segue como presidente de operações e gerente-geral, com contrato estendido em 2025, e o vestiário não deve sentir nada disso quando a pré-temporada começar. A mudança é de andar, não de quadra. Mas em 2026-27, pela primeira vez desde 1979, o Lakers vai abrir uma temporada sem nenhum Buss no organograma. O time que a família comprou por menos do que hoje custa um contrato de dois anos vira ativo de portfólio como qualquer outro. O nome no letreiro continua igual. O sobrenome na sala, não.