O conselho dos 30 governadores da NBA se reuniu em Nova York nesta segunda e terça, e a pauta foi quase toda sobre o futuro da liga: expansão, a liga nova na Europa e a punição do Clippers. O assento de Jeanie Buss, que pode ter sentado ali pela última vez, era o único item do Lakers na mesa.
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A cadeira que está em disputa
Jeanie Buss é a governadora do Lakers desde a morte do pai, Jerry Buss, em 2013. É ela quem senta na sala, quem vota e quem responde pela franquia perante a liga. O problema é que a cadeira depende de quem é dono das ações, e é exatamente isso que a família está discutindo na Justiça.
Em 23 de agosto ela entrou com uma petição na Justiça estadual da Califórnia sustentando que uma ordem judicial de 2017 obriga a família a tomar todas as ações razoavelmente disponíveis para mantê-la no cargo. Pelas regras da própria NBA, se ela perder a base acionária que sustenta a posição, terá de abrir mão dela.
Expansão é o assunto que move mais dinheiro
Do resto da pauta, o item mais avançado é a expansão. A liga trabalha com Las Vegas e Seattle e mira a temporada de 2028 para os dois times novos, mas os dois processos não andam no mesmo ritmo. Silver foi direto ao explicar por quê.
“Não houve tanta discussão em torno de Seattle quanto em torno de Las Vegas. Em grande parte porque, no caso de Las Vegas, nem sequer está claro qual vai ser o local.”
Adam Silver, comissário da NBA, após a reunião
Dois times novos mexem com tudo que o Lakers faz: calendário, divisão de receita, mercado de agentes livres e, principalmente, o draft de expansão, que obriga cada franquia a deixar parte do elenco desprotegida. É o tipo de decisão que vale por uma década, e foi tomada por uma sala em que a cadeira do time pode mudar de dono nos próximos meses.
O draft de expansão é a parte que mais interessa a quem acompanha o elenco. Nas últimas rodadas desse tipo de operação, cada franquia protegeu um número limitado de jogadores e deixou o resto exposto, e times com folha salarial pesada e contratos longos foram os que mais perderam. O Lakers, hoje, é exatamente esse tipo de time.
Europa e a punição que assustou os dirigentes
Os outros dois itens mostram o tamanho do momento. A liga europeia deve estrear no outono de 2027, com doze times fixos e quatro vagas rotativas, e os donos da EuroLeague se reúnem em 5 de outubro para decidir se entram em uma fusão. Do outro lado da pauta estava a punição ao Clippers por violação do teto salarial: cinco escolhas de draft, US$ 30 milhões de multa, suspensões e um programa de monitoramento de cinco anos.
Esse último ponto foi o que mais circulou entre dirigentes, pelo que a liga passa a poder vigiar. Um gerente-geral ouvido pelo Hoops Rumors resumiu o desconforto em uma pergunta: vão ler todos os e-mails, ler as mensagens, ouvir as ligações? Para um time que acabou de trocar de dono e está no meio de uma disputa societária, o precedente não é detalhe.
E não é um problema abstrato. A troca de comando já tinha travado decisões dentro do departamento de basquete antes mesmo de a disputa chegar ao tribunal. Agora some a isso um regime de fiscalização que vale para os trinta times e que ninguém sabe ainda como vai funcionar na prática.
O conselho decide mais do que parece
Vale lembrar que esse mesmo conselho aprovou, em maio, a reforma que mudou a loteria do draft para tentar acabar com o time que perde de propósito. A votação foi de 29 a 1, com o Memphis como o único voto contrário, e o sistema novo vale a partir desta temporada.
Ou seja, não é uma sala de confraternização. É o órgão que define o tamanho da liga, onde ela joga, quanto custa desobedecer e quem pode falar em nome de cada franquia. Se a cadeira do Lakers muda de ocupante no meio do ano, quem chegar vai encontrar todas essas decisões já tomadas, e nenhuma delas com a assinatura dele.