A reforma da diretoria do Lakers parou no meio e ninguém sabe quando volta. O time nega congelamento, mas nenhum cargo alto das operações de basquete está sendo preenchido enquanto o controle da franquia não se resolve, como já se viu na saída do executivo que cuidava do dinheiro. E nem todo mundo lá dentro lamentou.

Siga o Lakers Brasil no Instagram

Resumo rápido
3 grupos
Donos de controle do Lakers em menos de dezoito meses.
Nenhum
Cargo alto das operações de basquete sendo preenchido neste momento.
1 vaga
A única contratação anunciada é de produtor de vídeo.
US$ 12,5 bi
Valor que baliza a compra do controle por Bob Iger e Josh Kushner.
10 anos
Tempo de Lon Rosen nos Dodgers antes de assumir os negócios do Lakers.

O que Dan Woike apurou

A apuração é de Dan Woike, do The Athletic, e foi destacada por Jacob Rude no Silver Screen and Roll e por Corey Hansford na Lakers Nation. O retrato que sai dela é de uma franquia parada no meio de uma obra.

O Lakers não congelou tudo: chegou a publicar uma vaga de produtor de vídeo. O problema está um degrau acima. Segundo Woike, fontes de alto escalão reconhecem que os cargos importantes, sobretudo nas operações de basquete, não estão sendo ocupados. Gente de dentro rejeita a palavra congelamento e, ao mesmo tempo, várias fontes admitem que não faria sentido contratar alguém de peso em um momento como este.

O impasse não é de dinheiro, é de rumo. Ninguém sabe qual vai ser a filosofia dos novos donos. Com Mark Walter havia um histórico para consultar, o dos Dodgers, que venceram duas World Series seguidas. Bob Iger e Josh Kushner nunca comandaram um time de basquete. As duas perguntas em aberto são opostas: eles vão seguir montando a diretoria ou vão cortar custo, como Tom Dundon fez ao assumir em Portland?

O projeto de copiar os Dodgers ficou pela metade

Quando Walter comprou o controle, a promessa que empolgou a torcida era transformar o Lakers no Dodgers do basquete. O processo já estava em andamento, com contratações feitas nesse desenho, e o nome mais visível dele é Lon Rosen: mais de dez anos como vice-presidente executivo e chefe de marketing dos Dodgers antes de assumir a presidência de operações de negócios do Lakers, sem precisar sair de Los Angeles.

Rosen segue muito envolvido nas reuniões, mesmo com a venda em curso. Ramona Shelburne, da ESPN, apurou que a cópia do modelo dos Dodgers continuaria depois da troca de comando, o que pode significar contratação nova ou simplesmente alguém como Rosen tocando adiante o que já trouxe. Woike acrescenta um cenário que ninguém tinha levantado: não seria surpresa se parte das contratações do último ano voltasse para os Dodgers.

O detalhe que muda a leitura

Até aqui a história só tinha lado ruim. Woike apurou o contrário dentro da franquia, e é a parte mais interessante da reportagem: havia quem achasse que a influência dos Dodgers impunha a análise de dados com força e com arrogância, e isso incomodou gente do departamento de basquete e do vestiário. Essa gente não lamentou ver o caminho aberto para uma gestão nova, mesmo sendo uma gestão sem nenhum histórico na modalidade.

Esse vazamento tem mais de uma leitura, e vale dizer isso. Pode ser gente que realmente não gostava do processo. Pode ser alguém do lado de Iger e Kushner espalhando otimismo enquanto a compra ainda tem batalha judicial pela frente. E pode ser alguém que nunca quis Walter no comando aproveitando a janela para falar sem risco, sabendo que ele vai sair de qualquer maneira. As três hipóteses convivem, e nenhuma delas anula o fato: existe alívio interno com a troca.

Por que isso importa antes da bola subir

O calendário não espera a papelada. O training camp abre em cerca de um mês e a temporada começa em outubro, com um elenco que ainda tem uma vaga de titular em aberto e um clima interno já estranho desde o ano de Walter. Diretoria que não pode contratar também não decide troca com convicção, e é por isso que a última vaga do quinteto segue vazia enquanto o mercado encolhe.

Há ainda a frente judicial. A venda leva meses para ser concluída, e a disputa da família Buss segue com datas marcadas na Justiça. Só depois disso, pelo que Woike escreveu, a clareza começa a aparecer.

Sobra uma ironia difícil de ignorar. A franquia mais valiosa do basquete americano vai começar a temporada com o time montado, o técnico definido, o astro no auge e a diretoria em compasso de espera, refém de um documento que ainda não foi assinado. Quem já trabalhou em empresa à venda sabe exatamente como fica o clima.