A reforma da diretoria do Lakers parou no meio e ninguém sabe quando volta. O time nega congelamento de contratações, mas nenhum cargo alto de basketball operations está sendo preenchido enquanto o controle da franquia não se resolve, como já se viu na saída do executivo que cuidava do dinheiro. E parte do prédio não lamentou.
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O que Dan Woike apurou
A apuração é de Dan Woike, do The Athletic, e foi destacada por Jacob Rude no Silver Screen and Roll e por Corey Hansford na Lakers Nation. O retrato que sai dela é de uma franquia parada no meio de uma obra.
O Lakers não congelou tudo: chegou a publicar uma vaga de produtor de vídeo. O problema está um degrau acima. Segundo Woike, fontes de alto escalão reconhecem que os cargos importantes, sobretudo em basketball operations, não estão sendo ocupados. Gente da organização rejeita o termo congelamento, e ao mesmo tempo várias fontes admitem que seria tolice fazer contratação de peso em um momento como este.
A frase que resume o impasse não é sobre dinheiro, é sobre direção. Ninguém sabe qual será a filosofia dos novos donos. Com Mark Walter havia um histórico para consultar, o dos Dodgers, bicampeões consecutivos da World Series. Bob Iger e Josh Kushner nunca comandaram um time de basquete. As duas perguntas em aberto, e são opostas, é se eles vão continuar montando a diretoria ou se vão cortar custo, como Tom Dundon fez ao assumir em Portland.
A Dodgerização que não vai ser concluída
Quando Walter comprou o controle, a promessa que empolgou a torcida era transformar o Lakers em uma versão basquetebolística dos Dodgers. O processo já estava em marcha, com contratações feitas nesse desenho, e o nome mais visível dele é Lon Rosen: mais de dez anos como vice-presidente executivo e chefe de marketing dos Dodgers antes de atravessar a cidade para assumir a presidência de operações de negócios do Lakers.
Rosen segue muito envolvido nas reuniões, mesmo com a venda em curso. Ramona Shelburne, da ESPN, apurou que a Dodgerização continuaria depois da troca de comando, o que pode significar contratação nova ou simplesmente alguém como Rosen seguindo implantando o que trouxe. Woike acrescenta um cenário que ninguém tinha colocado na mesa: não seria surpresa se parte das contratações do último ano fizesse o caminho de volta para os Dodgers.
O detalhe que muda a leitura
Até aqui a história parecia ruim para o Lakers e boa para ninguém. Woike apurou o contrário dentro do prédio, e é a parte mais interessante da reportagem: havia quem achasse que a influência dos Dodgers empurrava analytics com força e com arrogância, e isso incomodou gente do basketball operations e do vestiário. Essas pessoas não ficaram tristes de ver um caminho aberto para uma gestão nova, mesmo sendo uma gestão sem histórico nenhum na modalidade.
Dá para ler esse vazamento de mais de uma forma, e é honesto dizer isso. Pode ser gente que realmente não gostava do processo. Pode ser alguém do lado de Iger e Kushner soltando otimismo enquanto a compra ainda tem batalha judicial pela frente. E pode ser alguém que nunca quis Walter no comando aproveitando a janela para falar sem custo, sabendo que ele vai sair de qualquer maneira. As três hipóteses cabem no mesmo parágrafo, e nenhuma delas anula o fato: existe alívio interno com a troca.
Por que isso importa antes da bola subir
O calendário não espera a papelada. O training camp abre em cerca de um mês e a temporada começa em outubro, com um elenco que ainda tem uma vaga de titular em aberto e um clima interno já estranho desde o ano de Walter. Diretoria que não pode contratar também não decide troca com convicção, e é por isso que a última vaga do quinteto segue vazia enquanto o mercado encolhe.
Há ainda a frente judicial. A venda leva meses para ser concluída, e a disputa da família Buss segue com datas marcadas na Justiça. Só depois disso, pelo que Woike escreveu, a clareza começa a aparecer.
Sobra uma ironia difícil de ignorar. A franquia mais valiosa do basquete americano vai começar a temporada com o time montado, o técnico definido, o astro no auge e a diretoria em compasso de espera, refém de um documento que ainda não foi assinado. Quem já trabalhou em empresa vendida sabe exatamente qual é a sensação no corredor.