O Lakers perdeu em fevereiro o executivo que passou 35 anos tocando o lado de negócios do clube, e ele reapareceu agora no comando do esporte da UCLA, sem receber salário. Tim Harris saiu quatro meses depois de a família Buss vender o controle, antes da segunda troca de dono, que noticiamos em agosto.
Siga o Lakers Brasil no Instagram
Quem era o homem que ficou 35 anos no Lakers
Torcedor não conhece o nome, e essa é justamente a questão. Tim Harris nunca escalou time, nunca negociou troca e nunca apareceu em coletiva de derrota. Ele era o presidente de operações de negócios, o cargo que cuida da parte da franquia que não passa pela quadra: patrocínio, camarote, contrato de transmissão, bilheteria, o dinheiro que sustenta a folha que a gente comenta todo dia.
São 35 anos na mesma casa, o que na NBA moderna é quase inédito para qualquer função. Ele atravessou a era Shaq e Kobe, o tricampeonato, os anos ruins, o título de 2020 e a chegada de LeBron James. Enquanto sete técnicos passaram pelo banco, ele seguia no mesmo andar do escritório.
Ele saiu quatro meses depois da venda
A data importa mais do que o cargo. Harris deixou o Lakers em fevereiro, quatro meses depois de a família Buss passar o controle da franquia para a firma de Mark Walter. Executivo de carreira longa não sai no meio da temporada por acaso, e troca de controle costuma ser exatamente o momento em que a estrutura antiga é dispensada.
Desde então o clube mudou de dono outra vez. Em agosto, Josh Kushner e Bob Iger assumiram numa operação avaliada em US$ 12,5 bilhões, a maior já feita no esporte americano. Ou seja: o Lakers trocou de comando duas vezes em menos de um ano, e quem tocava o lado comercial não estava mais lá para a segunda.
O tamanho do buraco que ele foi tapar
A UCLA demitiu o diretor de esportes Martin Jarmond na segunda-feira e entregou o posto a Harris, com o título de CEO e diretor de esportes. O anúncio saiu numa carta do chanceler da universidade, e traz um detalhe que não é comum em contratação desse porte: aos 64 anos, ele vai trabalhar sem remuneração.
O motivo está na planilha. Segundo Ben Bolch, do California Post, o departamento fechou no vermelho em todos os anos fiscais desde que Jarmond assumiu, acumulando US$ 241,1 milhões de rombo e obrigando a própria universidade a cobrir a conta. A UCLA não foi atrás de alguém que entenda de basquete universitário. Foi atrás de quem sabe vender.
Há também a parte pessoal, e ela explica o trabalho voluntário. Harris se formou na UCLA em 1989, em sociologia, e defendeu o gol do time de futebol da universidade antes disso. Ele está voltando para onde estudou.
O que isso diz sobre o Lakers
Para quem acompanha a franquia, o caso serve como termômetro de uma coisa que não aparece no boxscore. Nos últimos doze meses o Lakers perdeu LeBron James, refez quase todo o elenco, trocou de dono duas vezes e viu a família que comandou o clube por quatro décadas ir parar num tribunal, briga que a gente vem acompanhando desde que os irmãos Buss rebateram Jeanie.
Sob os donos novos, a mudança não parou no vestiário. O escritório também virou outro, e a saída de alguém com 35 anos de casa é o tipo de sinal que só se lê depois, quando ele reaparece em outro lugar. A história dos donos do Lakers mostra que cada troca de comando reescreveu a estrutura inteira, e esta não está sendo diferente.
O torcedor vai continuar julgando o clube pelo quinteto que entra em quadra em 21 de outubro, e está certo. Mas quem monta esse quinteto trabalha com um teto de gastos que alguém precisa financiar, e essa peça acabou de mudar de mãos duas vezes em um ano. A conta que o Harris passou três décadas e meia fechando agora está com outra pessoa, e ninguém em Los Angeles ainda sabe direito quem é.