O Lakers foi vendido a Josh Kushner e Bob Iger por US$ 12,5 bilhões, informou a ESPN nesta quarta-feira. É o maior valor já pago por uma franquia esportiva na América do Norte. Mark Walter, dono havia menos de um ano, deixa o comando.

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Resumo rápido
  • Josh Kushner e Bob Iger compram o Lakers por US$ 12,5 bilhões, segundo a ESPN.
  • É o maior valor da história de uma venda de franquia esportiva na América do Norte.
  • Mark Walter comprou o controle em 2025, com valuation de US$ 10 bilhões.
  • A dupla disputava a expansão em Las Vegas e mudou de alvo com uma oferta agressiva.
  • O negócio ainda precisa da aprovação do Board of Governors da NBA.

O que a ESPN apurou

A informação é de Ramona Shelburne, que ouviu múltiplas fontes. O valor supera os US$ 12,5 bilhões e quebra o recorde que o próprio Lakers havia estabelecido dez meses antes. Marc Stein resumiu o tamanho da anomalia: a franquia está sendo vendida pela segunda vez em menos de dezoito meses.

Kushner e Iger não estavam atrás do Lakers. Os dois participavam do processo de expansão da NBA em Las Vegas, disputando o direito de criar uma franquia do zero. Em vez disso, viraram a mesa e apresentaram o que a ESPN classificou como uma oferta agressiva pelo time mais valioso do basquete.

“Como torcedores de NBA a vida inteira, estamos profundamente honrados com a oportunidade de nos tornarmos guardiões do Los Angeles Lakers”, disseram os compradores em comunicado.

Quem são os compradores

Bob Iger comandou a Disney por quase duas décadas e voltou ao posto de executivo-chefe em 2022. Foi sob a gestão dele que a companhia comprou Pixar, Marvel, Lucasfilm e a Fox, e é dele o comando que fez a ESPN, hoje dona do furo sobre esta venda, atravessar a transição para o streaming.

Josh Kushner é fundador da Thrive Capital, gestora de tecnologia de Nova York com posições em algumas das maiores empresas privadas do setor. Nenhum dos dois tinha franquia da NBA até agora.

Dez meses e US$ 2 bilhões

A conta de Mark Walter é curta de contar. Em junho de 2025, ele acertou a compra do controle da família Buss com valuation de US$ 10 bilhões. O Board of Governors aprovou por unanimidade e a transação fechou em outubro daquele ano. Menos de um ano depois, ele vende por US$ 12,5 bilhões.

“Ser dono do Los Angeles Lakers foi uma das grandes honras da minha vida”, disse Walter em nota. Ele segue como controlador do Los Angeles Dodgers, do Los Angeles Sparks, do Chelsea e de times da liga profissional feminina de hóquei, além de comandar a Guggenheim Partners, gestora com mais de US$ 325 bilhões sob administração.

A era Buss e o que restou dela

A família Buss comprou o Lakers em 1979 e construiu a propriedade mais longeva da NBA. Foram dez títulos, o Showtime, a era Shaq e Kobe, o bicampeonato de 2009 e 2010 e o troféu da bolha em 2020. A venda para Walter encerrou 46 anos de comando familiar.

O acordo de 2025 deixou salvaguardas. A família manteve pouco mais de 15% do capital, e Jeanie Buss ficou garantida como Governor da franquia por, no mínimo, cinco anos após o fechamento. Walter assumiu como Alternate Governor. Em novembro, os outros irmãos foram desligados da estrutura do clube, e só ela sobreviveu à reformulação.

Ninguém explicou ainda o que acontece com essas duas cláusulas numa revenda tão rápida. É a pergunta mais relevante do dia para quem torce, porque é ela que decide quem manda no basquete a partir de agora.

O que ainda falta

Nada disso está concluído. Uma venda de franquia da NBA só existe depois que o Board of Governors aprova, e o processo do próprio Walter levou cerca de quatro meses entre o acordo e o fechamento. Até lá, o time segue operando sob a estrutura atual, com a offseason em andamento e o elenco a ser fechado.

Tem ainda uma pendência pessoal do comprador. Josh Kushner é sócio minoritário do Miami Heat e precisa vender essa participação antes do fechamento, porque a NBA proíbe que a mesma pessoa tenha parte em duas franquias. A informação é de Dan Woike, do The Athletic.

O bloco em disputa é conhecido. Na operação de 2025, Mark Walter e Todd Boehly ficaram juntos com 85% da franquia, e a família Buss manteve os 15% restantes. Walter, aliás, já era sócio minoritário desde 2021, com 27%, o que fez o cheque dele pelo controle sair perto de US$ 6 bilhões, e não pelos US$ 10 bilhões do valuation. O que ainda não se sabe é quanto desses 85% vai para Kushner e Iger, nem se Walter fica com alguma fatia. É a diferença entre uma troca de dono e uma troca de sócio.

O que isso diz sobre a NBA

Um time que valia US$ 10 bilhões em junho de 2025 passa de US$ 12,5 bilhões em agosto de 2026. Não é o Lakers que ficou melhor no período: a temporada terminou sem final, LeBron James saiu e o elenco ainda está sendo remendado. O que subiu foi o preço de possuir uma marca global de esporte num mercado em que quase não existem ativos comparáveis à venda.

A NBA vai discutir isso na próxima reunião de conselho, e não só pelo Lakers. Se a franquia de Los Angeles vale doze bilhões, todo o resto da tabela precisa ser recalculado, incluindo o preço das vagas de expansão que Kushner e Iger acabaram de abandonar.

O torcedor do Lakers começou o dia achando que a novela da offseason era sobre a última vaga do elenco. Terminou descobrindo que o dono ia mudar de novo, e que ninguém no vestiário tem qualquer controle sobre isso.