Jonathan Kuminga fechou com o Minnesota por dois anos e por menos dinheiro do que o Lakers ofereceu. O que interessa mesmo fica no segundo ano do contrato, que é opção dele e não do time: se recusar, ele volta ao mercado em 2027 e devolve ao elenco do Lakers a chance que o time perdeu em agosto.

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Resumo rápido
US$ 12,4 mi
O contrato inteiro dele com o Minnesota, por dois anos, fechado em 26 de agosto.
2027
Quando ele volta a ser agente livre sem restrição, se recusar a opção.
15 de dez.
A data antes da qual ele nem pode ser trocado pelo Minnesota.
16 jogos
O que ele fez no Atlanta na temporada passada: 12,3 pontos e 5,3 rebotes.

Ele escolheu a saída, não o salário

A leitura fácil da offseason foi que o Lakers perdeu Kuminga para um rival do Oeste. A leitura correta é outra. O Lakers oferecia papel parecido e pouco mais de US$ 12 milhões por ano, por três temporadas, em uma operação de sign-and-trade que nunca fechou entre as três partes. O Minnesota ofereceu dois anos e US$ 12,4 milhões no total, pela exceção do meio do nível para quem paga imposto. Ele foi no menor.

O que ele comprou com a diferença foi tempo. A opção do segundo ano, de US$ 6,4 milhões, é do jogador e não do time, e o agente Aaron Turner deixou claro que a intenção é justamente ter controle sobre o próprio futuro e poder voltar ao mercado no verão seguinte. A informação foi apurada por Anthony Slater, e os termos foram confirmados a Shams Charania.

O que Kuminga tinha na mesa
A pílula à esquerda diz o destino de cada proposta. Ele assinou a menor das três.
Recusada
Golden State
Três anos, opção do time no último
Total, US$ mi
75,0
Anos
3
Não fechou
Lakers
Três anos, por sign-and-trade
Total, US$ mi
36,0
Anos
3
Assinada
Minnesota
Dois anos, opção do jogador no último
Total, US$ mi
12,4
Anos
2
Valores totais em milhões de dólares. A proposta do Lakers é a cifra anual relatada, de pouco mais de US$ 12 milhões, multiplicada pelos três anos. Termos apurados por Anthony Slater e confirmados pelo agente a Shams Charania.

O que isso abre para o Lakers

Um contrato de dois anos com opção do jogador não é uma porta fechada, é uma porta encostada. Em julho de 2027 o Minnesota não terá direito de preferência nenhum se ele recusar a opção, e o Lakers chega nessa janela sem ter comprometido folha salarial com ele agora, que é exatamente o que o time precisava neste ano.

Existe um detalhe de calendário que reforça isso: pelo acordo, ele não pode ser trocado antes de 15 de dezembro. Ou seja, o Minnesota nem consegue transformá-lo em ativo de troca na primeira metade da temporada, e a chance de ele chegar a 2027 ainda como jogador de Minnesota é alta.

O jogador que vai estar disponível

Vale lembrar de quem se está falando, porque a novela tomou o lugar do jogador na conversa. Na temporada passada Kuminga dividiu o ano entre Golden State e Atlanta e teve o melhor recorte na segunda parada: 16 jogos com 12,3 pontos, 5,3 rebotes e 2,1 assistências, acertando 47,6% de quadra e 34,6% de três em 22 minutos. Ele tem 23 anos e ainda não teve uma temporada inteira com papel definido.

É esse o perfil que o Lakers procurou o verão inteiro e não achou: ala grande, capaz de atacar a cesta, de defender mais de uma posição e de jogar sem precisar da bola nas mãos o tempo todo. O time acabou preenchendo a vaga por outros caminhos, e o próprio elenco resolveu a ala com Quentin Grimes.

A diferença entre 2026 e 2027, do ponto de vista do Lakers, é de posição na fila. Neste ano o time dependia de um sign-and-trade, que é a operação mais frágil que existe no mercado, porque precisa que três partes concordem ao mesmo tempo. Foi exatamente aí que a negociação morreu. Em 2027, se ele recusar a opção, vira agente livre sem restrição, e aí só depende de espaço salarial e de conversa.

A lição que o episódio deixa

A tentação agora é transformar isso em discurso de arrependimento, do tipo “o Lakers deveria ter pagado mais”. Não é o que os números mostram. O Lakers ofereceu mais dinheiro e mais tempo, e perdeu para uma proposta que valia menos em quase todos os campos, menos no que interessava ao jogador. Não existe valor que se pague contra alguém que quer sair do mercado rápido para voltar a ele.

O que sobra é uma anotação no calendário, não uma ferida. Se o Minnesota não convencer Kuminga a exercer a opção, o Lakers ganha em 2027 a chance que perdeu em 2026, com um jogador um ano mais velho, um ano mais rodado e, provavelmente, mais caro. A pergunta que fica para julho de 2027 é se o time ainda vai querer, ou se até lá alguém do próprio elenco já resolveu a vaga.