A briga da família Buss pelo controle do Lakers tem data marcada: 5 de novembro, no Tribunal Superior de Los Angeles. Jeanie Buss entrou com a petição em agosto para impedir a venda da fatia da família, e a temporada começa duas semanas antes da audiência.

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Resumo rápido
5 de nov
Audiência marcada no Tribunal Superior de Los Angeles.
21 de out
Estreia da temporada, duas semanas antes da audiência.
97 páginas
Tamanho da petição, com cinco pedidos distintos ao juiz.
2,8 pontos
Folga entre a fatia da família (17,8%) e o piso da NBA (15%).
5 a 1
Placar da votação da família, com Jeanie Buss isolada contra a venda.

O que está marcado, e em que ordem acontece

O calendário desta disputa não acompanha o calendário da NBA, e é daí que vem o problema. A petição foi protocolada no fim de agosto. A audiência ficou para 5 de novembro. Entre uma data e outra, o Lakers faz a pré-temporada, estreia em 21 de outubro contra o Warriors, na Crypto Arena, e joga duas semanas de temporada regular sem que ninguém saiba quem vai responder pela franquia diante da liga.

Nada obriga o caso a terminar na audiência. Ela é o primeiro momento em que o juiz olha o pedido de Jeanie Buss, não necessariamente o último. Um acordo entre os irmãos pode encerrar tudo antes, e foi exatamente isso que a NBA tentou costurar em agosto, sem sucesso.

O que Jeanie Buss pediu ao juiz

A petição tem 97 páginas e cinco pedidos. O principal é declarar inválida a decisão dos cinco irmãos de vender a fatia restante da família a Josh Kushner e Bob Iger. O segundo é remover Joey e Janie Buss da administração do fundo que guarda essas ações, por quebra do dever de zelar pelo patrimônio da família.

O argumento jurídico não é novo, é de 2017. Naquele ano, uma ordem judicial confirmou que Jeanie Buss teria o cargo de governadora do Lakers de forma vitalícia, e a petição acusa os dois irmãos de violarem essa ordem de propósito. Ela também pede que sejam responsabilizados por danos. O texto descreve a articulação dos irmãos como um acordo feito pelas costas dela, sem consulta e sem aviso.

Por que 2,8 pontos percentuais decidem o cargo

A regra que rege tudo isso é da NBA, não do tribunal. Para ocupar o cargo de governador de uma franquia e sentar no Conselho de Governadores, é preciso deter ao menos 15% dela. A família Buss inteira tem 17,8%. A folga é de 2,8 pontos percentuais, e ela some no instante em que a venda dos irmãos se concretiza.

Existe uma segunda trava, e ela vale mesmo que Jeanie Buss perca na Justiça: nenhuma transferência de participação numa franquia se conclui sem o aval do Conselho de Governadores, formado pelos representantes dos 30 times. Foi assim com a compra da maioria por Mark Walter e é assim com a operação de Kushner e Iger. Percentuais apurados por Sam Amick e Dan Woike, do The Athletic. A entrada da liga como mediadora foi revelada por Tom Friend, do Sports Business Journal, e o mediador tem lado: Adam Silver é próximo de Jeanie Buss há anos.

O que fica parado dentro do time até lá

A consequência prática já apareceu antes da audiência. A franquia congelou a contratação de um reforço para o front office até saber quem manda. Cargo de gestão não se preenche sem saber quem assina embaixo, e essa é a parte da história que encosta no basquete.

Rob Pelinka segue no comando das decisões de elenco, e a leitura de quem cobre o time é direta: a posição dele acompanha a de Jeanie Buss. Se o cargo de governadora mudar de dono em novembro, a estrutura abaixo dele também entra em discussão, no meio da primeira temporada de Luka Doncic como o jogador em torno de quem tudo foi montado.

O que muda para quem só quer ver basquete

No curto prazo, nada. O elenco está fechado, o técnico é JJ Redick e a temporada começa no dia 21 de outubro independentemente do que o tribunal decidir. A disputa não trava contratação de jogador nem mexe na folha salarial, que já está definida em US$ 201,3 milhões para os 16 jogadores sob contrato padrão.

O que ela decide é quem senta na cadeira que aprova a próxima troca grande, a próxima extensão cara e a próxima escolha de treinador. Doncic tem 27 anos e assinou para ficar. A pergunta que 5 de novembro começa a responder é com quem ele vai negociar daqui para a frente.