Jeanie Buss estuda comprar a participação dos próprios irmãos para continuar governadora do Lakers. A família tem 17,8% do clube e a NBA exige 15% para ocupar o cargo. A informação é de Sam Amick e Dan Woike, do The Athletic, e chega um dia depois de os cinco irmãos reafirmarem a venda.
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A conta que separa Jeanie do cargo
A regra da liga é simples e não abre exceção: para ser o governador de uma franquia, a pessoa precisa deter ao menos 15% dela. É esse número que dá o direito de sentar no Board of Governors, votar em nome do clube e responder por ele diante da NBA.
A família Buss inteira tem 17,8%. Se os cinco irmãos venderem tudo a Bob Iger e Josh Kushner, sobra para Jeanie uma fatia pessoal insuficiente, e o cargo vai junto. Daí a saída que ela estuda: em vez de tentar barrar a venda no papel, comprar ela mesma o que os irmãos querem vender, ou pelo menos a parte necessária para cruzar os 15%.
O que muda em relação à contestação de ontem
Até agora, a estratégia dela era jurídica. O advogado Adam Streisand declarou nula a venda da participação da família, e os irmãos responderam mantendo a intenção de vender. Nesse tabuleiro, o desfecho dependeria de quem tem razão sobre o contrato.
A hipótese de compra muda o jogo, porque não depende de vencer discussão nenhuma. Se Jeanie puser dinheiro na mesa e os irmãos aceitarem, ela permanece governadora e a briga acaba sem juiz. É uma saída mais cara e mais rápida.
O preço da operação
Com o clube avaliado em US$ 12,5 bilhões na venda para Iger e Kushner, cada ponto percentual vale cerca de US$ 125 milhões. Comprar a parte necessária para chegar aos 15% custaria, portanto, algumas centenas de milhões de dólares, dependendo de quanto ela já detém pessoalmente dentro dos 17,8% da família.
Não há confirmação de que ela tenha esse capital disponível nem de que os irmãos aceitariam vender para ela em vez de vender aos novos donos. O que existe, por ora, é a disposição de estudar o caminho, atribuída a uma fonte da liga.
Por que os irmãos não facilitam
A resposta pública dos cinco deixou claro que eles não querem apenas dinheiro: querem sair. Depois de a família ver a franquia mudar de mãos duas vezes em catorze meses, primeiro para Mark Walter e agora para Iger e Kushner, a permanência de uma fatia minoritária sem poder de decisão perdeu atrativo.
Vender para Jeanie significaria manter o assunto dentro de casa, com a mesma disputa que já dura semanas. Vender aos novos donos encerra o vínculo de vez. É por isso que a saída que ela estuda depende menos do preço e mais de convencer cinco pessoas que já disseram publicamente o que querem.
A cláusula que criou o impasse
Toda essa discussão nasce de um dispositivo do acordo societário que permite a um bloco majoritário arrastar a participação dos demais numa venda conjunta. Já tratamos dele quando a regra apareceu pela primeira vez, ainda em agosto, como a proteção que garantiria o cargo dela por pelo menos cinco anos.
O que mudou desde então é o lado que a cláusula favorece. Enquanto ela servia para manter Jeanie no comando, era escudo. Agora que os irmãos a invocam para vender tudo de uma vez, virou a ferramenta que pode tirá-la. O mesmo parágrafo do contrato, lido pelos dois lados em direções opostas.
O que fica em jogo até a decisão
Enquanto isso não se resolve, o clube opera com uma cadeia de comando indefinida. Quem assina, quem responde à liga e quem decide o rumo do basquete são perguntas sem resposta firme, a menos de dois meses da estreia da temporada. Para o torcedor, a briga é distante. Para o time, é a moldura de tudo o que vier a ser decidido.