Jeanie Buss contesta a venda dos 17,8% da família ao grupo de Bob Iger e Josh Kushner. O advogado dela afirma que o voto dos irmãos é nulo e que uma ordem judicial de 2017 garante a ela o comando do Lakers enquanto viver.
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- Carta do advogado Adam Streisand chama de nulo o voto dos irmãos sobre os 17,8%.
- Streisand diz que só Jeanie, Janie e Joey Buss podem autorizar a venda do trust.
- Ordem da Corte Superior de Los Angeles, de 2017, garante o comando a Jeanie enquanto viver.
- ESPN apurou que o negócio exigia 4 votos entre 6 e teve pelo menos 5 a favor.
- Board of Governors da NBA vota o negócio em 15 e 16 de setembro, em Nova York.
A carta que apareceu horas depois do anúncio
A segunda-feira do Lakers teve dois comunicados e nenhum acordo entre eles. De manhã, Shams Charania, da ESPN, publicou que os seis irmãos Buss haviam votado pela venda dos 17,8% que ainda pertenciam ao trust da família. A declaração saiu redigida como consenso: “Decidimos, como família, vender as ações restantes do Buss Family Trust para o grupo de Bob Iger, como parte da transação em andamento”. À tarde, a CNBC publicou uma carta que desmontava aquela frase, e a Associated Press obteve o mesmo documento.
O autor é Adam Streisand, advogado de Jeanie Buss e o mesmo que a representou na guerra de sucessão de 2017. A carta foi endereçada aos escritórios que representam os cinco irmãos. O tom não é de negociação. Streisand tratou o anúncio da manhã como falso, difamatório e pernicioso.
“É e será nula”: o que diz a carta
O argumento central é de governança, não de preço. Segundo Streisand, nenhuma venda da participação de 17,8% pode ser efetivada sem aprovação dos co-trustees em exercício, e são apenas três: Jeanie, Janie e Joey Buss. Qualquer votação que sugira que a família está vendendo, escreveu ele, “é e será nula”.
A carta faz duas exigências. Uma pública: “Em nome de Jeanie Buss, exijo que seus clientes deixem claro publicamente que Jeanie Buss é a Controlling Owner”. Outra com ameaça anexada: “Qualquer tentativa dos co-trustees de agir de outra forma constituiria quebra de confiança, quebra de dever fiduciário e desacato à ordem judicial”.
Três co-trustees, seis irmãos e uma conta que não bate
Aqui mora o nó. A ESPN apurou que o negócio precisava de quatro votos entre seis, e que pelo menos cinco dos seis irmãos votaram a favor. O grupo é formado por Jeanie, Jim, Johnny, Janie, Joey e Jesse. A carta de Streisand trabalha com outra régua: para ele, o colegiado que decide é o dos co-trustees, e dentro dele Janie e Joey estão amarrados por uma obrigação anterior.
Se a contagem da ESPN prevalecer, Jeanie perdeu por larga margem dentro da própria casa. Se a carta prevalecer, a votação de agosto nunca existiu juridicamente. Não há meio-termo confortável entre as duas leituras, e é por isso que o caso caminha para o tribunal antes de caminhar para o consenso.
A ordem de 2017 é a carta na manga
O documento que Streisand invoca não é novo. Em 2017, depois que Jim e Johnny Buss tentaram remover a irmã da direção do time, o caso parou na Corte Superior de Los Angeles. O acordo homologado obrigou os co-trustees a votar as ações do trust “para garantir que [Jeanie Buss] seja eleita Controlling Owner do Lakers anualmente, durante toda a vida dela”. Jim deixou a condição de co-trustee em março daquele ano, e Janie assumiu o lugar.
O mesmo raciocínio se estende ao percentual. Se os co-trustees são obrigados a manter Jeanie no comando, e a NBA exige 15% de participação para exercer o cargo, então eles não podem vender o que faria a família cair abaixo dessa linha. Os 17,8% são a última margem acima do piso. Vender tudo não é apenas um negócio: é o ato que apaga a credencial.
O calendário aperta antes de setembro
O negócio com Josh Kushner e Bob Iger avalia o Lakers em US$ 12,5 bilhões e ainda depende do Board of Governors, que se reúne em 15 e 16 de setembro, em Nova York. Até lá, a dupla precisa resolver pendências que nada têm a ver com a família. Kushner é sócio minoritário do Heat, com fatia inferior a 5% comprada em 2024, e a liga não permite participação em dois clubes ao mesmo tempo.
Há ainda o vendedor. Mark Walter assumiu o controle em 2025, numa avaliação de US$ 10 bilhões, e repassou cerca de 65% neste mês por US$ 12,5 bilhões, embolsando US$ 2,5 bilhões em menos de um ano. Walter é alvo de investigação federal por questões fiscais. Nada disso mexe no basquete imediato: Rob Pelinka segue como presidente de operações e gerente-geral.
Até a noite de segunda-feira, nem a NBA, nem Iger, nem Kushner, nem os irmãos haviam respondido publicamente à carta. O silêncio faz sentido. Qualquer frase dita agora vira anexo de processo depois. Jerry Buss comprou o Lakers em maio de 1979 por US$ 67,5 milhões, num pacote que incluía o Kings e o Fórum. Quarenta e sete anos e onze títulos depois, a herança que ele deixou não está sendo disputada por dinheiro. Está sendo disputada por uma linha de 15% num estatuto.