A primeira audiência da briga da família Buss pelo Lakers saiu de 5 de novembro para 8 de dezembro, e o motivo não tem nada de jurídico. O advogado de Jeanie Buss tem duas palestras na Europa e só volta a Los Angeles em 18 de novembro. O calendário da Justiça ficou ainda mais longe do da NBA.

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Resumo rápido
8 de dez
Nova data da audiência no Tribunal Superior de Los Angeles, antes marcada para 5 de novembro
Duas
Palestras do advogado de Jeanie Buss na Europa, motivo do pedido de adiamento
48 dias
Entre a estreia da temporada, em 21 de outubro, e a nova data no tribunal
Nove
Jogos que o Lakers teria feito até a data antiga, contra mais de vinte até a nova
17,8%
Fatia da família em disputa, contra o piso de 15% que a NBA exige do governador

Duas palestras que mexeram no calendário do Lakers

O pedido foi feito na terça-feira e concedido depois. Adam Streisand, advogado principal de Jeanie Buss, disse ao juiz do Tribunal Superior de Los Angeles que estaria na Europa para dois compromissos como palestrante e que não estaria disponível na data de 5 de novembro. Ele volta a Los Angeles em 18 de novembro. A audiência foi remarcada para 8 de dezembro.

A informação do pedido é do MyNewsLA, que acompanhou a movimentação no tribunal em 1º de setembro. A confirmação da nova data veio de Khobi Price, do New York Post, e de Dan Woike, do The Athletic, que teve acesso aos documentos do processo.

O que muda na prática para a temporada

Muda o tamanho do limbo. A temporada estreia em 21 de outubro, contra o Warriors, na Crypto Arena. Da estreia até 5 de novembro, seriam 15 dias e nove jogos, segundo a tabela da temporada. Até 8 de dezembro, são 48 dias e mais de vinte jogos.

Ou seja, o Lakers vai jogar quase um quarto da temporada regular antes de um juiz sequer olhar o pedido de Jeanie Buss pela primeira vez. E a audiência inicial não encerra nada: ela é o primeiro momento em que o caso é apreciado, não necessariamente o último.

A venda maior não espera pelo tribunal

Aqui está o detalhe que o adiamento deixa mais claro. A disputa da família corre por fora da transação principal. Josh Kushner e Bob Iger compram a fatia majoritária de Mark Walter em uma avaliação de US$ 12,5 bilhões, menos de um ano depois de Walter ter comprado a franquia da própria família Buss. Nada do que acontece em dezembro trava essa operação.

O prazo histórico ajuda a medir. Do dia em que a compra de Walter foi noticiada, em 18 de junho, até a conclusão formal, em 30 de outubro, passaram-se quatro meses. Um trajeto parecido para a operação atual desemboca em meados de dezembro, praticamente em cima da nova data da audiência. É bem possível que a troca de comando esteja concluída antes de o juiz decidir qualquer coisa sobre a fatia da família.

O que está em jogo para Jeanie Buss

O cargo dela. Cinco irmãos, Jim, Johnny, Janie, Joey e Jesse, votaram por vender os 17,8% que a família ainda tem. A NBA exige no mínimo 15% de participação para alguém ocupar o posto de governador de uma franquia e sentar no Conselho de Governadores. Se a venda se concretiza, a conta some, e com ela o cargo que Jeanie Buss ocupa desde 2013, quando o pai morreu.

A defesa dela se apoia em uma ordem judicial de 2017, obtida quando James e Johnny tentaram tirá-la do comando. A petição protocolada em agosto acusa Janie e Joey de violar essa ordem de propósito e pede a remoção dos dois da administração do fundo da família.

Do outro lado, os irmãos sustentam que todos eles, incluindo Jeanie Buss, aceitaram uma cláusula de acompanhamento na venda um ano antes, e que a decisão mais recente é a que vale. Os demais sócios minoritários, que não estão vendendo, apoiam a posição dela, embora isso tenda a pesar pouco no processo.

Quarenta e sete anos, e a conta chega no meio da temporada

A família Buss comprou o Lakers em 1979, quando Jerry Buss adquiriu a franquia de Jack Kent Cooke. Foram onze títulos e uma linhagem de donos que atravessou Showtime, Shaq, Kobe e LeBron. O ponto final dessa história agora depende de uma agenda de viagem e de uma pauta de tribunal.

Para quem torce, o efeito prático é simples e desconfortável. O time vai estrear, viajar, ganhar e perder jogos por quase dois meses sem que ninguém saiba quem responde pela franquia diante da liga em janeiro. A resposta chega em dezembro, e mesmo assim talvez não chegue inteira.