Shams Charania rebateu o advogado de Jeanie Buss e classificou como imprecisa a acusação feita contra a apuração dele. O repórter da ESPN afirma que nunca escreveu que os seis irmãos votaram pela venda, e sim que houve maioria. A contestação de Jeanie partia justamente dessa leitura.
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O que o advogado afirmou
Adam Streisand, que representa Jeanie, abriu o comunicado da segunda-feira dizendo que Charania havia reportado que os seis irmãos Buss votaram pela venda da participação da família. A partir daí, sustentou que a operação seria nula, já que Jeanie não votou a favor.
A frase virou o eixo da contestação. Se a apuração dissesse mesmo que foram seis, haveria um erro factual público sobre um ato que decide quem controla o clube.
A resposta de Charania
No Pat McAfee Show, o repórter foi direto ao ponto que lhe atribuíram. “A primeira linha do comunicado dos advogados dizia que eu reportei que os seis irmãos Buss votaram pela venda. Essa frase é imprecisa”, afirmou. Segundo ele, o que foi apurado é que houve voto majoritário, ao menos quatro dos seis, número exigido pela cláusula que permite arrastar a participação inteira numa venda conjunta.
Charania disse manter integralmente a apuração e não recuar de nenhuma informação publicada.
O que a ESPN mudou no texto
A reportagem original foi ajustada depois da repercussão e passou a registrar cinco irmãos a favor da venda, com Jeanie de fora. O ajuste não altera o mérito da operação, porque cinco já supera a maioria exigida, mas muda a leitura de quem entendeu que a decisão foi unânime.
Foi essa diferença, entre unanimidade e maioria, que o comunicado do advogado usou como ponto de partida e que o repórter contesta.
Por que a distinção importa
A cláusula em disputa é do tipo que permite a um bloco majoritário levar junto a fatia dos demais numa venda. Se o gatilho é maioria, quatro ou cinco votos bastam e a ausência de Jeanie não impede nada. Se fosse necessária unanimidade, um voto contrário derrubaria a operação inteira.
A briga pública sobre quem reportou o quê é, no fundo, uma briga sobre qual dessas duas leituras vale. E essa é exatamente a discussão que vai definir se Jeanie continua governadora do Lakers.
O que já estava publicado antes da briga
A apuração original dizia que a família havia decidido vender os 17,8% restantes a Iger e Kushner, o que encerraria o comando de Jeanie na franquia. Essa informação não foi contestada por ninguém, nem pelos advogados dela.
A disputa é sobre um detalhe do processo, não sobre o desfecho. Ninguém nega que a maioria da família quer vender. O que se discute é se a forma como o voto foi descrito publicamente sustenta o argumento jurídico que ela construiu em cima dele.
É uma diferença que parece pequena e não é. Quando a discussão chegar a quem tem de decidir, o texto do contrato vai valer mais do que qualquer reportagem, mas o registro público do que aconteceu na votação será a primeira coisa que os dois lados vão citar.
Onde a história fica
Há um efeito colateral nessa troca de acusações. Cada comunicado e cada resposta empurram para o público um assunto que normalmente ficaria restrito a sala de reunião, e o desgaste recai sobre a imagem da franquia num momento em que ela precisaria estar falando de basquete.
De um lado, uma família que já disse publicamente que quer vender. Do outro, uma presidente que declara nulo o próprio ato dos irmãos. No meio, um repórter que sustenta a apuração e um veículo que ajustou um detalhe do texto sem mudar a informação central. Nada disso se resolve em entrevista: resolve-se lendo o contrato, e ele não é público.