Shaquille O’Neal resumiu a saída definitiva da família Buss do Lakers no elogio mais contido que existe: o aplauso discreto de um campo de golfe. Em participação no SportsCenter, o ex-pivô tratou a venda dos 17,8% restantes, a US$ 12,5 bilhões, como jogada de negócio monumental, e admitiu que a franquia não será a mesma.

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Resumo rápido
US$ 12,5 bi
Avaliação do Lakers na venda para Josh Kushner e Bob Iger, recorde no esporte americano.
17,8%
Fatia final da família Buss, que vale cerca de US$ 2,225 bilhões nessa régua.
US$ 67,5 mi
O que Jerry Buss pagou em 1979 por Lakers, Los Angeles Kings e o ginásio The Forum.
5 de 6
Irmãos que votaram pela venda. Bastavam quatro para acionar a cláusula de tag-along.
15%
Mínimo exigido pela NBA para ser governador, o que tira Jeanie Buss do cargo.

O que Shaquille O’Neal disse no SportsCenter

O tom não foi de lamento. Shaq abriu a resposta pelo respeito, e o respeito veio embrulhado em contabilidade.

“Tenho enorme admiração pela família Buss. Aprendi muito sobre negócios só de assistir a eles. E eu lembro quanto o senhor Buss pagou pelo time. Então, se os rumores sobre o valor da venda forem verdade, foi uma jogada de negócios monumental”, disse o ex-pivô.

Na sequência, a bancada tentou dimensionar o lucro da operação. Shaq respondeu com a imagem que virou manchete nos Estados Unidos.

“Vai ser diferente saber que a família Buss não está mais no Lakers, mas quero desejar tudo de bom a eles. Quero parabenizá-los. Obrigado pelas grandes memórias que me deram”, afirmou. E então veio a parte que atravessou o Atlântico.

“Mas, do ponto de vista do negócio, entre o que eles pagaram e o que eles venderam, isso aí merece o aplauso de campo de golfe.”

Shaquille O’Neal, ex-pivô do Lakers, no SportsCenter

A expressão pede tradução. O aplauso de campo de golfe é a palma curta que a plateia dá num torneio, com as pontas dos dedos, sem gritar, para não atrapalhar a tacada. Virou sinônimo de reconhecimento elegante e comedido. Shaq não está ironizando: ele acabou de falar em admiração e em jogada monumental. Ele aplaude de verdade, só que no volume mais baixo que existe, e a piada mora na distância entre o gesto contido e o tamanho do lucro.

O apresentador Treavor Scales devolveu que aquilo era “vários bilhões de aplauso de golfe”. Foi o que o ex-jogador captou na hora, e encerrou o assunto com duas palavras: “Sim, exatamente.”

A conta que explica o aplauso contido

Em 1979, Jerry Buss pagou US$ 67,5 milhões por um pacote que incluía o Lakers, o Los Angeles Kings, da NHL, e o ginásio The Forum. Não era só o time de basquete. Era um portfólio inteiro de esporte e entretenimento em Los Angeles, comprado numa época em que franquia de NBA ainda era negócio de risco.

Quarenta e sete anos depois, só a franquia de basquete está avaliada em US$ 12,5 bilhões. A fatia de 17,8% que a família ainda mantinha vale, nessa régua, cerca de US$ 2,225 bilhões. Só o que sobrou nas mãos dos herdeiros equivale a mais de trinta vezes o valor do pacote original de 1979.

Lakers · Valor da franquia
De US$ 67,5 milhões a US$ 12,5 bilhões em 47 anos
1979 · Jerry Buss
US$ 67,5 mi
2025 · Mark Walter
US$ 10 bi
2026 · Kushner e Iger
US$ 12,5 bi
A fatia final da família Buss vale mais de trinta vezes o pacote inteiro de 1979.

Shaq não citou nenhum desses números. Não precisava. A frase funciona justamente porque o público faz a conta sozinho.

Como a família chegou ao ponto de vender tudo

A venda do controle já tinha acontecido antes. Em junho de 2025, o grupo de Mark Walter comprou a maioria das ações a uma avaliação de US$ 10 bilhões, operação aprovada pela NBA no fim de outubro daquele ano. A família ficou com pouco mais de 15% e Jeanie Buss seguiu como governadora.

O que mudou em agosto de 2026 foi Walter repassar aproximadamente 65% do time a Josh Kushner e Bob Iger, numa transação avaliada em US$ 12,5 bilhões. O contrato original previa uma cláusula de tag-along, que permite ao sócio minoritário vender junto, nas mesmas condições do majoritário. Bastava o voto de quatro dos seis irmãos. Pelo menos cinco votaram a favor.

A cronologia foi rápida: reunião de emergência do trust familiar em 11 de agosto, encontro dos irmãos no dia 12, anúncio no dia 13. Com a fatia dos Buss somada, Kushner e Iger passam a controlar algo perto de 83% da franquia. A apuração é de Shams Charania, Ramona Shelburne, Baxter Holmes e Dave McMenamin, da ESPN.

Jeanie Buss perde o cargo de governadora

Aqui está a parte que Shaq escolheu não comentar. A NBA exige que o governador de uma franquia detenha ao menos 15% dela. Sem os 17,8%, Jeanie Buss deixa de cumprir o requisito e perde o posto que ocupava desde 2013, quando assumiu o comando após a morte do pai.

Ela contesta a validade do voto dos irmãos e sustenta que a operação é nula. O conselho de governadores da NBA tem reunião marcada para 15 e 16 de setembro, e é ali que o desfecho formal deve aparecer.

Em comunicado, a família adotou tom de despedida.

“Nós amamos o Lakers, amamos os torcedores do Lakers e vamos continuar apoiando Los Angeles. Mas é hora de aproveitar esta oportunidade para seguir em frente e sair com elegância enquanto ainda podemos.”

Comunicado da família Buss, em 13 de agosto de 2026

Por que a leitura de Shaq pesa mais que a dos outros

Shaq chegou em 1996, contratado na gestão de Jerry Buss, e entregou três títulos seguidos entre 2000 e 2002 antes de deixar o time em 2004. Ele viu de dentro como aquela família operava: a herança do Showtime, a paciência com projetos longos, o gosto por transformar time em espetáculo antes de transformar em planilha.

Por isso a escolha das palavras chama atenção. Ele não falou em traição, não falou em erro, não entrou na disputa judicial que hoje divide os irmãos. Tratou os Buss como empresários que executaram uma saída perfeita e agradeceu pelas memórias. É elogio, mas é um elogio que separa o afeto do negócio e deixa claro qual dos dois venceu no fim.

O Lakers segue existindo, com o mesmo escudo, a mesma arena e a mesma obrigação de ganhar. O que se encerra em setembro é a ideia de que a franquia pertence a uma família que morava na cidade e ia ao ginásio. Shaq bateu palmas pelo negócio, e escolheu a palma mais discreta do repertório. É o aplauso de quem reconhece a tacada perfeita sem levantar da cadeira.