Shaquille O’Neal aprovou a saída de Deandre Ayton do Lakers e disse que qualquer substituto no garrafão será melhor. A declaração veio depois da troca de julho com o Wizards, que rendeu o armador Jaden Hardy e duas escolhas de segunda rodada.

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Resumo rápido
  • Shaq disse que existe um só grande pivô na liga e muitos bons pivôs.
  • Ele voltou a usar o apelido de deboche “DominAyton” para falar do ex-Lakers.
  • Ayton foi ao Wizards em julho por Jaden Hardy e duas escolhas de segunda rodada.
  • Na última temporada ele jogou 72 partidas como titular, com 12,5 pontos e 8,0 rebotes.
  • O aproveitamento de 67,1% de quadra foi o melhor da carreira dele.

“Só existe um grande pivô, e muitos bons pivôs”

A fala saiu em entrevista publicada pelo Heavy.com, apurada por Owen Crisafulli. O ex-pivô foi perguntado sobre o garrafão do Lakers na temporada que vem e respondeu sem diplomacia nenhuma.

“Só existe um grande pivô e muitos bons pivôs”, disse O’Neal. “Ainda não sei como o ataque do Lakers vai ser, mas você tem caras que conseguem fazer um monte de coisa perto do aro, diferente do ‘Dominayton’, que não fazia nada.”

A frase carrega duas camadas. A primeira é a de sempre: quando fala de pivô, o Shaq costuma se colocar como a régua, e o “só existe um grande” não é sobre a liga atual. A segunda é o apelido, que já vinha sendo usado antes da troca.

O apelido que colou e não saiu mais

“DominAyton” é um trocadilho com “dominate” e virou material recorrente do Shaq e de Charles Barkley no Inside the NBA. Nasceu como elogio irônico ao potencial de um atleta de 2,16m escolhido em primeiro lugar no draft, e foi endurecendo a cada temporada em que o rendimento não acompanhou o tamanho.

Não é a primeira vez que o pivô ouve isso e responde. Na própria apresentação em Los Angeles, em julho de 2025, ele já tinha disparado contra os críticos. Um ano depois, quem fala é o maior pivô da história recente da franquia, e o assunto voltou ao mesmo lugar.

Os números que a frase do Shaq atropela

A crítica é dura e, em parte, injusta com o que o boxscore registrou. Ayton disputou 72 jogos como titular na última temporada, com médias de 12,5 pontos e 8,0 rebotes em 27,2 minutos. Acertou 67,1% dos arremessos de quadra, o melhor aproveitamento da carreira dele.

Um pivô que converte dois em cada três arremessos não é alguém que “não fazia nada”. O que a estatística não mede, e é onde a reclamação encontra terreno, é a intermitência. Ayton foi cobrado a temporada inteira por não jogar com a agressividade que o físico permitia, sumindo de sequências longas de jogo e aparecendo pouco em posse decisiva.

Foi essa distância entre o que o corpo promete e o que o desempenho entrega que sustentou o apelido por tanto tempo. O Shaq não inventou a crítica: ele resumiu, com a crueldade que o programa dele pede, o que a franquia já tinha concluído quando decidiu trocá-lo.

Quem herda o garrafão

A resposta do Lakers à saída foi quantidade. Walker Kessler chegou do Jazz por sign-and-trade e assume a vaga de titular como o defensor de área que a franquia perseguia havia anos. Kevon Looney assinou por uma temporada e US$ 3,9 milhões, trazendo rodagem de playoffs e rebote ofensivo. Sandro Mamukelashvili fechou quatro anos e US$ 52 milhões, com garantia integral e opção de jogador no último ano.

São três perfis diferentes para uma vaga só, e nenhum deles precisa ser estrela. O elenco atual foi montado para orbitar Luka Doncic, o que muda a exigência do garrafão: menos criação individual, mais rolamento, rebote e finalização acima do aro. Kessler faz exatamente isso.

O que a provocação diz sobre a temporada que vem

O’Neal defendeu o Lakers de 1996 a 2004 e ganhou três títulos seguidos, em 2000, 2001 e 2002. Ele fala do garrafão da franquia com a autoridade de quem definiu o padrão, e com a liberdade de quem não precisa mais provar nada.

A provocação, porém, deixa uma conta em aberto. Se qualquer um for melhor que Ayton, como ele cravou, então o Kessler tem uma régua baixa para superar e uma alta para justificar o contrato. As duas coisas vão ser medidas a partir de outubro, e nenhuma delas passa por apelido.