O Lakers mandou Deandre Ayton para o Washington em julho e recebeu Jaden Hardy mais duas escolhas de segunda rodada, um retorno que pegou a diretoria de surpresa. As duas escolhas são hoje quase tudo o que sobrou no cofre de draft do time. E o Wizards, nesta quinta, tratou o pivô como reforço.
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Uma saída que não prometia nada
A história começa no fim de junho. Ayton exerceu a opção de US$ 8,1 milhões para 2026-27 e ficou preso a um elenco que já tinha feito outra escolha para o garrafão. Walker Kessler chegou por troca e assinou por quatro anos e US$ 130 milhões. A partir dali, o pivô que tinha começado os 72 jogos da temporada anterior virou um salário sem função clara.
O Lakers procurou uma saída e achou no Washington, que fechou a troca em 7 de julho. Pela apuração de Dan Woike, do The Athletic, a diretoria entrou na negociação pensando só em abrir a vaga, sem esperar nada de valor em troca. As duas escolhas de segunda rodada foram descritas como uma surpresa agradável para o departamento de basquete.
Woike também levou a troca a um dirigente de outro time, ouvido sob anonimato para falar à vontade do elenco alheio. A avaliação dele foi a oposta do que se costuma ler em fonte anônima sobre o Lakers: para esse executivo, o negócio merecia aparecer mais acima na lista de acertos da offseason, e não perto do fim.
O que o Washington enxerga nele
Do outro lado, a leitura é bem diferente. Will Dawkins, gerente-geral do Wizards, abriu a pré-temporada do time nesta quinta, e quando o assunto chegou a Ayton, ele não falou em reserva de ocasião.
“É um pivô de nível de titular, e provavelmente o melhor reserva da liga.”
Will Dawkins, gerente-geral do Wizards, na coletiva de pré-temporada
A declaração tem contexto. O Washington montou o garrafão com Alex Sarr e Anthony Davis, outro ex-Lakers, e Davis jogou menos de 60 partidas em cinco das últimas seis temporadas. Sarr, por sua vez, operou o pé em junho e vai começar o training camp com carga limitada. Ayton chega como seguro para os dois, o que explica o tom do dirigente.
O pivô que pontuou menos e acertou mais
Os números de Ayton explicam por que os dois times podem estar certos ao mesmo tempo. Em Los Angeles, ele teve a menor média de pontos da carreira, 12,5 por jogo, com 8,0 rebotes. Só que arremessou como nunca: 67,1% de quadra, a segunda melhor marca da NBA, porque passou a temporada quase só finalizando perto da cesta, na ponte aérea e no rebote ofensivo.
Esse perfil servia a um time que precisava de alguém para receber a bola de Luka Doncic no pick and roll e ficar perto do aro. Não servia tanto quando a defesa exigia um protetor de cesta, que é justamente o que o Lakers foi buscar em Kessler. Para o Wizards, que vai girar a bola em volta de Trae Young e do calouro AJ Dybantsa, um finalizador eficiente vindo do banco é exatamente o que falta.
O que ficou em Los Angeles
Do lado do Lakers, a conta da troca passa por três peças. A primeira é Hardy, que conhece Doncic dos tempos de Dallas e fez 12,6 pontos, com 42% de três, nos 23 jogos que disputou pelo Washington depois de ser trocado em fevereiro. Ele chega ao training camp disputando espaço em um elenco atual que tem 16 contratos garantidos para 15 vagas.
A segunda são as escolhas. Depois de tudo o que o time gastou para montar o grupo de 2026-27, a reserva de draft ficou reduzida a uma troca de primeira rodada em 2032 e três escolhas de segunda rodada. Duas dessas três vieram do Ayton. É pouco, mas é o que o Lakers tem para completar qualquer negociação no meio da temporada.
A terceira é a vaga. Sem Ayton, a reserva de Kessler ficou com Kevon Looney, tetracampeão pelo Warriors e jogador de outro perfil: menos pontos, mais corta-luz e mais rebote de ataque. A troca, que em julho parecia só uma forma de liberar espaço, virou um dos poucos negócios da offseason em que o Lakers recebeu mais do que esperava.
Resta saber quem vai rir por último. Se Ayton confirmar o elogio de Dawkins em Washington, alguém em Los Angeles vai ouvir que desistiu cedo demais dele. Se Hardy ou uma das escolhas renderem algo no mercado, a surpresa de julho vira acerto de verdade.