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    Renato Campos

    17 de Novembro de 2025 postado por Renato Campos

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    A parceria entre Anthony Davis e o Lakers já foi tudo o que a franquia sonhou. Ele chegou em 2019 como grande estrela, formou uma dupla dominante com LeBron James e, logo na primeira temporada, ajudou a recolocar o time no topo da NBA com o título de 2019-20. Naquele momento, parecia o início de uma era de múltiplos campeonatos. Mas, nos bastidores, a relação foi se desgastando até se tornar irreversível – e isso explica por que o Lakers não hesitou quando surgiu a chance de trazê-lo de Luka Doncic.

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    Do auge ao desgaste: lesões em sequência e frustração interna

    Anthony Davis com dores no chão em partida do Lakers.

    Depois do título, o roteiro mudou rápido. Nos quatro anos seguintes, o Lakers:

    - ficou fora dos playoffs uma vez;

    - caiu duas vezes na primeira rodada;

    - viu Davis perder muitos jogos por diferentes lesões.

    De acordo com Brett Siegel, do ClutchPoints, cada nova lesão aumentava a insatisfação dentro da organização. A sequência foi pesada:

    2020-21: só 36 jogos, por problemas na panturrilha e no tendão de Aquiles;

    2021-22: 40 jogos, por entorse no MCL do joelho esquerdo e entorse no tornozelo direito;

    2022-23: 26 jogos perdidos por lesão no pé direito.

    Leia também: Luka Doncic fala sobre demissão de Nico Harrison e se voltaria ao Mavericks

    Ao longo desses anos, surgiram dúvidas internas sobre o quanto Davis cuidava do próprio corpo. Fontes ouvidas na matéria relatam que:

    - na offseason, ele nem sempre se comunicava com o Lakers;

    - sua condição física ao chegar ao training camp era descrita como “bem abaixo da média”;

    - em alguns treinos de pré-temporada, havia gente se perguntando se ele tinha realmente treinado de forma séria nas férias.

    Um membro da equipe, em anonimato, lembrou que, quando chegou, AD era “primeiro a entrar, último a sair” e sempre queria fazer mais. Com o tempo, porém, isso teria mudado: ele voltava, fazia aquecimento, muitas vezes sentava para ficar com o departamento médico ou participava das atividades pela metade. A percepção era de um jogador mais acomodado, menos alinhado às cobranças da diretoria.

    O pedido por um pivô e o choque de visão com o Lakers

    Anthony Davis no Lakers

    Esse desgaste físico e de confiança se cruzou com outra questão: o papel de Davis em quadra. Antes da offseason de 2024, AD e seu estafe se reuniram com o Lakers para reforçar um pedido antigo:

    - ele queria jogar menos minutos como pivô;

    - pediu mais ajuda no garrafão.

    - defendeu que o time usasse ativos para trazer esse reforço de impacto.

    Do lado de Davis, o discurso era focado em preservação física. A lógica era simples: menos contato direto no garrafão, menos desgaste acumulado, menor risco de novas lesões. Em resumo, um cenário mais parecido com a temporada do título, quando ele atuava mais como ala-pivô, com um “5” forte ao lado.

    O Lakers, porém, tinha outra leitura de prioridades. Internamente, a diretoria:

    - queria preservar ativos e flexibilidade de cap para 2025, ano da player option de LeBron James;

    - não via a contratação de outro pivô como “necessidade central” do projeto;

    - estava mais focada em consolidar Austin Reaves como terceiro grande nome ao lado de LeBron e Davis.

    Leia também: Austin Reaves no Lakers: chegou a hora de uma análise sincera

    A franquia até tentou, em diferentes momentos antes do trade deadline de 2025, encontrar mais ajuda de frontcourt, mas isso nunca virou eixo principal do planejamento. Para o Lakers, o peso maior estava em manter flexibilidade e apostar no perímetro; para Davis, a prioridade era reduzir a carga física como “único grande” no garrafão.

    Essa divergência começou a gerar mais atrito. A narrativa de que “o time precisa de um outro center” foi se repetindo, em conversas privadas e também de forma pública, e isso, segundo Siegel, foi cansando parte da alta cúpula da franquia.

    A “última gota”: quando o discurso de Davis selou seu destino

    LeBron e Davis no banco do Lakers

    Enquanto isso, em outra frente, as conversas entre Nico Harrison, no Dallas Mavericks, e Rob Pelinka, no Lakers, avançavam em torno de um cenário que até pouco tempo atrás parecia pura fantasia: trazer Luka Doncic para Los Angeles.

    No meio desse processo, Davis teria sido ainda mais enfático com a diretoria ao dizer que o clube precisava estar disposto a “fazer o que fosse necessário” para mantê-lo saudável e colocar o time na melhor posição possível para disputar o título em 2024-25. Para alguns “higher-ups” do Lakers, isso soou como crítica direta ao trabalho feito desde o título de 2020, quase como se a franquia não estivesse fazendo sua parte para montar um elenco competitivo. Uma fonte interna definiu essas falas como a verdadeira “última gota”, o prego no caixão da passagem de Davis em Los Angeles.

    Ao mesmo tempo, dentro do clube já havia a sensação de que a confiança no físico e na dedicação de AD vinha caindo, que a relação estava desgastada por anos de atrito em torno de lesões e do papel dele em quadra, e que a chance concreta de adquirir um jogador do calibre de Luka Doncic, no auge, dificilmente apareceria de novo. A partir daí, o caminho ficou óbvio: era hora de virar a página. A troca deixou de ser apenas uma oportunidade de talento e passou a ser também um movimento de ruptura com um ciclo em que o Lakers já não acreditava.

    Logo depois do negócio, Sam Amick já tinha relatado a frustração do Lakers com as declarações públicas de Davis pedindo um pivô “de ofício” para que ele voltasse a atuar como ala-pivô, como em 2020. A matéria de Brett Siegel só aprofunda o bastidor: não era só uma questão de preferência tática, mas um choque de visão entre o que AD queria para a própria carreira e o que o front office entendia como o caminho ideal para a franquia.

    Depois da troca: realidades opostas em Lakers e Mavs

    Luka Doncic disputando bola com Anthony Davis

    Hoje, o contraste entre os dois lados é grande:

    Anthony Davis está em um Dallas Mavericks com campanha 4-10, lidando com mais uma lesão (estiramento na panturrilha) e futuro incerto após a demissão de Nico Harrison.

    O Lakers tem registro 9-4, mesmo sem LeBron James, que se aproxima do retorno após uma ciática, e já apresenta uma nova espinha dorsal com Luka Doncic e Austin Reaves.

    É totalmente possível que, um dia, a camisa 3 de Davis seja aposentada pela franquia, pelo peso do título de 2020 e pelo nível de talento envolvido. Mas, olhando para os bastidores, fica claro que a decisão de trocá-lo não foi apenas “Luka é melhor”: o Lakers trocou porque já não acreditava que AD, física e mentalmente, fosse o mesmo jogador que chegou em 2019.

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