O Lakers colocou o pivô no topo da lista de desejos da offseason e pagou o preço: quatro ativos de draft e um contrato de quatro anos e US$ 130 milhões por Walker Kessler, como já contamos nesta cobertura anterior. Parte da imprensa americana torceu o nariz, e Ben Rohrbach, do Yahoo Sports, foi o mais direto.
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- O Lakers trocou dois picks de 1ª rodada (2031 e 2033) e duas trocas de posição (2028 e 2030) por Kessler.
- Kessler assinou por 4 anos e US$ 130 milhões, média de US$ 32,5 milhões por temporada.
- Na última temporada saudável, teve 11,1 pontos, 12,2 rebotes e 2,4 tocos por jogo.
- Ben Rohrbach, do Yahoo Sports, apontou o contrato como o 2º pior da offseason na NBA.
- O Lakers mira briga por título já a partir de 2027-28.
Quatro ativos e US$ 130 milhões: a conta da troca
O time mandou para o Utah Jazz duas picks de primeira rodada sem proteção, em 2031 e 2033, mais duas trocas de posição de draft, em 2028 e 2030. Foi um sign-and-trade: o Jazz aceitou participar da assinatura para viabilizar o vínculo de quatro anos e US$ 130 milhões. A média anual do contrato fica em US$ 32,5 milhões, praticamente o que o Miami Heat vai pagar em Bam Adebayo, três vezes All-Star, na próxima temporada.
É esse cruzamento, muito ativo de draft somado a um salário de estrela para um pivô que ainda não é estrela, que fez a mídia americana torcer o nariz.
O veredito de Ben Rohrbach: o 2º pior contrato da offseason
A crítica não é um consenso fechado, mas ganhou nome e sobrenome. Em uma lista dos seis piores contratos assinados nesta offseason, Ben Rohrbach, do Yahoo Sports, colocou o acordo do Lakers com Kessler como o segundo pior do verão americano, atrás apenas dos US$ 212,8 milhões que o Washington deu a Trae Young.
“Não é só que o Lakers pagou a Walker Kessler uma média anual de US$ 32,5 milhões”, escreveu Rohrbach. “É que o Lakers mandou ao Utah Jazz dois picks de primeira rodada e duas trocas de posição, num sign-and-trade, pelo direito de dar esse contrato a um pivô que se machuca com frequência.”
O argumento central do analista é o custo de oportunidade. “O Lakers abriu mão de quatro ativos futuros, que poderiam ser usados para montar um elenco melhor em volta do astro de 27 anos Luka Doncic, para contratar Kessler”, seguiu. Nas quatro temporadas em Utah, o pivô somou médias de 9,5 pontos, 9,3 rebotes e 2,4 tocos em 25,3 minutos por 201 jogos.
O outro lado: o que Kessler entrega em quadra
A leitura pessimista ignora parte do contexto. As ausências de Kessler têm explicação: ele operou uma lesão persistente no ombro esquerdo na última temporada, um problema que a cirurgia tende a resolver. Além disso, o Jazz costumava poupá-lo no fim das temporadas, num time que, segundo a versão que circula na liga, priorizava perder para melhorar na loteria do draft.
Ofensivamente, ele não é uma ameaça de criação, mas finaliza alley-oops com facilidade e corre a quadra bem na transição. Nos cinco jogos que disputou na temporada passada, antes da cirurgia, ainda ensaiou os primeiros sinais de um arremesso de três pontos. Na última campanha inteira em quadra, foram 11,1 pontos, 12,2 rebotes, incluindo uma liderança da NBA em rebotes ofensivos, e 2,4 tocos por partida.
O ponto mais forte, porém, está na defesa. Kessler é um dos melhores em tocos e rebotes da liga, e o impacto de um protetor de aro assim vai além da estatística: ele muda a decisão do adversário na hora de atacar a cesta. Ao lado de Doncic e de Austin Reaves, a função é clara: sustentar a retaguarda que a dupla não sustenta sozinha.
A aposta no calendário: 2027-28 no horizonte
O Lakers não entra como favorito ao título nesta temporada 2025-26. A estrutura, no entanto, sugere paciência calculada: o time monta agora a base para brigar de igual para igual já a partir de 2027-28, quando o entrosamento entre Doncic, Reaves e Kessler estiver maduro.
O risco que Rohrbach aponta é real. Ao entregar os ativos de draft, o Lakers reduziu a margem de manobra caso algo dê errado, e algo sempre pode dar errado ao longo de quatro anos. A franquia, como de hábito, aposta que a maioria das peças vai se encaixar. A diferença é que, desta vez, apostou com o cofre de picks quase vazio. O tempo, e o ombro de Kessler, dirão se o preço valeu a defesa que faltava.