Steve Kerr quer que a NBA mude a forma de punir o flop, a regra que pegou Ziaire Williams duas vezes nesta temporada. O treinador do Warriors, adversário do Lakers hoje, diz que a liga está atrás dos jogadores e só enxerga certos lances, em queixa feita ao lado de Chris Finch, do Timberwolves.
O que Kerr e Finch pedem
O flop virou ponto de ênfase da arbitragem nesta temporada, punido com falta técnica. A queixa dos dois técnicos não é contra a regra, e sim contra o alvo. Para Finch, a liga errou ao concentrar as marcações na defesa. O que incomoda os times, segundo ele, é o atacante que se joga para cavar falta e ganha lances livres sem merecer. “Eles querem tirar do jogo o flop do ataque”, disse o técnico do Timberwolves à ESPN.
Kerr foi na mesma linha antes de enfrentar o Minnesota, na quarta. “É um jogo melhor quando os caras não estão cavando falta, não estão se agarrando e se enganchando”, afirmou. O incômodo dele vem de antes. Na derrota para o Grizzlies por 111 a 108, no último dia 23, o Warriors levou seis faltas por corta-luz ilegal, uma delas decisiva, de Draymond Green. Kerr disse que o Memphis cavou em todas, e o time mandou os lances para a liga pedindo um critério.
“A liga transformou isso em ponto de ênfase, mas parece valer só para certos lances. Todo mundo está tentando descobrir o que é flop e o que não é.”
Steve Kerr, técnico do Warriors, à ESPN
Para Kerr, o maior problema é que a liga está atrás dos jogadores, que aprendem a explorar a regra mais rápido do que a arbitragem aprende a marcá-la.
Onde o Lakers entra nessa história
A reclamação nasceu de um jogo do Lakers. Na derrota por 136 a 129 para o Blazers, na terça, os árbitros deram três técnicas por flop nos seis minutos finais: Ja Morant e Toumani Camara, do Portland, e Ziaire Williams, do Lakers. Os três estavam defendendo, exagerando o contato ao marcar a bola ou ao fechar o caminho de quem cortava. É exatamente o cenário que Finch critica.
O tamanho da mudança aparece em um número citado pelo técnico do Blazers, Micah Nori, depois do jogo: na temporada passada inteira, foram 27 técnicas por flop em quadra. Em uma única noite deste ano, saíram três em seis minutos.
Ziaire já estava no radar. A liga o multou em US$ 2 mil por um lance na vitória sobre o Jazz, em que cavou uma falta de ataque de Keyonte George, e ele não prometeu mudar. “Esse é o meu trabalho, e eu faço com orgulho”, disse à rádio ESPN Los Angeles. Depois da técnica contra o Blazers, rebateu a marcação no vestiário: “Se eu estivesse cavando, estaria no chão”. Morant disse que vai recorrer da dele, e a liga ainda não divulgou decisão sobre o recurso.
Por que isso pesa no jogo de hoje
O duelo desta sexta junta os dois lados da discussão. Ziaire virou titular pela defesa e faz da falta de ataque cavada uma arma, justamente o tipo de lance que hoje está sob a lupa. Do outro lado, o Warriors de Kerr vive de corta-luz, com Draymond Green no centro da movimentação, e saiu de Memphis reclamando que os adversários exageram o contato contra eles.
Ziaire, porém, ainda é dúvida. Ele perdeu o jogo contra o Clippers com dor no pé esquerdo e aparece como questionável no relatório de lesões, enquanto Luka Doncic foi liberado para o reencontro. Se Ziaire não jogar, Jake LaRavia segue no quinteto.
Com ou sem ele, a arbitragem do jogo das 23h, no Chase Center, vai ser observada de perto pelos dois bancos. Kerr pediu critério em público dois dias antes de enfrentar o time que levou uma das técnicas que alimentaram a discussão, e cada queda na defesa do Lakers vai passar pelo mesmo filtro.