Draymond Green acha que Luka Doncic nunca vai ganhar o MVP da NBA, e o motivo, para ele, tem pouco a ver com o jogo. Para o veterano do Warriors, o esloveno sofre de fadiga da grandeza: produz tanto que os votantes deixaram de se impressionar.
O que Draymond disse
A conversa veio em duas etapas. Primeiro, numa entrevista a Taylor Rooks, antes da estreia da temporada, Draymond soltou a frase que correu as redes, segundo a Newsweek: “Luka nunca vai ganhar um MVP na NBA. Este é o último ano possível em que ele pode ganhar”. Depois, no vestiário do Warriors, explicou o raciocínio a Sam Amick, do The Athletic, segundo o Lakers Nation.
“Não, eu não acho que tenha alguma coisa que ele possa fazer para ganhar. No fim das contas, ele sai prejudicado por isso. Qualquer outro jogador que tivesse esses números sairia com o MVP. É fadiga da grandeza.”
Draymond Green, ao The Athletic
Dono de quatro títulos e de um prêmio de defensor do ano, Draymond conhece bem como funciona a votação. E a teoria não é nova para ele. Ele já tinha usado o mesmo argumento para falar de Jayson Tatum: quando um jogador vive no topo das estatísticas por anos seguidos, os votantes passam a tratar os números dele como obrigação, e procuram novidade em outro lugar.
O histórico que alimenta a teoria
Os números da última votação ajudam Draymond. Doncic teve média de 33,5 pontos, 8,3 assistências e 7,7 rebotes em 2025-26, levou o Lakers a 53 vitórias e ao quarto lugar do Oeste e entrou pela sexta vez no primeiro time ideal da NBA. Terminou em quarto na votação, com 250 pontos e nenhum voto de primeiro lugar. Shai Gilgeous-Alexander levou o segundo prêmio seguido, com 83 votos de primeiro lugar.
Desde que Doncic chegou à NBA, em 2018, o prêmio passou por Giannis Antetokounmpo, duas vezes, Nikola Jokic, três vezes, Joel Embiid e Shai Gilgeous-Alexander, duas vezes. Em quase todos esses anos, o vencedor tinha algo novo para contar: a primeira grande temporada, o salto de um time, a defesa de elite. Doncic, que já chegou fazendo números de MVP aos 20 anos, nunca teve essa história de virada a seu favor. É justamente aí que mora o argumento de Draymond.
Em oito temporadas, Doncic nunca terminou nem em segundo. É um número raro para um jogador com seis seleções para o primeiro time ideal. Os críticos costumam apontar a defesa e as oscilações ao longo do ano como os motivos. Draymond aponta outro: o costume.
O que Doncic pensa do prêmio
O esloveno já respondeu a essa conversa antes mesmo de Draymond abrir a boca. Na véspera da estreia, disse ao New York Post que ganhar o MVP significaria muito, mas que o título do Lakers vem primeiro, e que sem o time jogando bem não vem nem um nem outro.
O começo da temporada joga a favor da teoria dele, não da de Draymond. Em dois jogos, Doncic soma 51 pontos e o Lakers está 2-0, com vitórias sobre Warriors e Clippers. Os erros ainda incomodam: foram 11 contra o Clippers. Mas a narrativa que costuma pesar na votação, a do candidato que leva o time ao topo, está aberta, num ano em que o Lakers joga sem LeBron James e o protagonismo é todo dele.
Um recado de um rival
Vale lembrar quem falou. Draymond acabou de perder para o Lakers na estreia por 22 pontos e mandou o calouro Yaxel Lendeborg ir para cima de Doncic de novo na próxima vez. Os dois times voltam a se encontrar em 30 de outubro, em San Francisco.
A provocação pode virar combustível. Se tem uma coisa que a estreia mostrou, é que Doncic responde melhor quando alguém começa a falar dele. Draymond pode até estar certo sobre os votantes. Mas, se estiver errado, vai ter de ouvir a resposta de perto, no Chase Center.