O Lakers assinou Anton Watson na quinta-feira, em contrato Exhibit 10 que leva o grupo de pre-temporada a 17 jogadores, dois acima do limite de 15. O ala de 25 anos passou a última temporada na filial do time na G League e chega para disputar espaço em um elenco que ainda precisa dispensar alguém antes da estreia.
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O papel que ele assinou não promete nada
O Exhibit 10 não é contrato de temporada. É uma cláusula anexada a um vínculo de um ano pelo salário mínimo, sem nada garantido, que existe para encher o grupo de pré-temporada e dar ao time o direito de olhar o jogador de perto por algumas semanas. Quando o elenco fecha, o vínculo simplesmente acaba.
A compensação vem depois do corte. Quem sai com esse papel na mão recebe um bônus se aceitar jogar pela filial do time na G League por um período mínimo, e é assim que as franquias seguram por mais um ano quem elas formaram. O Exhibit 10 também pode ser convertido em two-way antes da estreia, só que no Lakers esse caminho está fechado: as três vagas foram preenchidas em julho por Arthur Kaluma, AK Okereke e Chris Mañon. Nenhum contrato de two-way é garantido, o que mantém a porta encostada, mas não aberta.
O que Watson fez para merecer a segunda chamada
Watson tem 2,03 metros, 102 quilos e joga de ala. Saiu de Gonzaga depois de cinco temporadas, com vaga no primeiro time da conferência do oeste no ano final, e foi escolhido pelo Boston na 54ª posição do draft de 2024. Durou pouco: o Celtics o dispensou em março de 2025 e ele ainda apareceu em nove jogos pelo Knicks antes de cair na G League.
Foi ali que o trabalho apareceu. Em 2025-26, pela filial do Lakers, ele jogou 50 partidas, 34 delas como titular, com 11,0 pontos, 4,9 rebotes, 2,9 assistências e 1,4 roubos em 27,3 minutos. Não é linha de quem só corre e aperta o garrafão: a assistência e o roubo dizem que ele lê a jogada e move a bola, que é exatamente o tipo de reserva que sobrevive em um time onde Luka Doncic tem a bola na mão quase o tempo todo.
O lance que ficou de lembrança do verão americano
Na pré-temporada de julho, Watson decidiu no detalhe. Contra o Heat, na prorrogação de morte súbita do torneio que a NBA organiza na Califórnia antes da Summer League, ele pegou o rebote de ataque e devolveu para dentro com a mão. O jogo acabou ali, 93 a 91.
Nas cinco partidas de Las Vegas o rendimento caiu, com 6,4 pontos e 31,6% de aproveitamento de quadra. Foi lá, porém, que a comissão técnica o viu de perto pela segunda temporada seguida, e o Lakers já conhecia o resto do currículo.
A conta de vagas que continua sem fechar
O problema não é Watson. O plantel atual chegou a setembro com 16 atletas de contrato garantido, um a mais do que o regulamento permite na estreia, e a assinatura de quinta-feira não mexe nessa conta: o Exhibit 10 ocupa cadeira na pré-temporada, não no elenco de 15. O teto de treino é 21, então há espaço de sobra para os próximos dias.
A conta que precisa fechar é a de cima. Dalton Knecht é o nome mais citado por quem cobre o time de perto, de Jovan Buha a Trevor Lane, e Dave McMenamin, da ESPN, incluiu Jarred Vanderbilt e Jaden Hardy na lista de quem pode mudar de endereço. Dispensar Knecht deixaria dinheiro garantido na folha, o que faz da troca a saída mais confortável. Enquanto nada se resolve, o time trabalha com um jogador a mais e um problema adiado.
Por que o Lakers volta a apostar no mesmo nome
Times que trocam metade do elenco de uma vez, como o Lakers fez neste ano, precisam de gente que já conheça a casa. Watson passou uma temporada inteira no sistema, sabe o vocabulário da comissão e não custa vaga garantida a ninguém. Se ele não ficar, volta para a filial, que mudou de nome e de cidade para 2026-27, e segue à mão para a primeira lesão de outubro.
É uma contratação que quase ninguém vai lembrar em novembro. Mas ela diz uma coisa sobre o momento: com a pré-temporada começando em outubro, o Lakers ainda está somando gente em vez de decidir quem sai. A decisão difícil continua marcada para depois.