O Lakers fechou as três vagas de contrato two-way para 2026-27 com Arthur Kaluma, AK Okereke e Chris Mañon, e nenhum dos três ocupa lugar entre os 15 do elenco principal. Dois deles vieram de Cornell, da Ivy League, e um chegou à faculdade sem bolsa, como contamos em julho.
Siga o Lakers Brasil no Instagram
O elenco que ninguém está contando
Toda a discussão sobre o elenco do Lakers nas últimas semanas girou em torno de uma conta só, a de 16 contratos padrão para 15 vagas. Existe um segundo andar nessa estrutura, e ele já está resolvido desde o fim de agosto, sem que ninguém tenha reparado.
Contrato two-way é uma figura própria do regulamento. Cada time tem três, e eles não entram no limite de 15 do plantel principal. O jogador divide a temporada entre a NBA e a G League, pode atuar em no máximo 50 partidas da temporada regular pelo time principal e não é elegível para os playoffs. Em compensação, custa uma fração do que custa um contrato padrão e pode ser convertido a qualquer momento, se o desempenho justificar.
É a prateleira onde os times guardam quem ainda não está pronto e não podem se dar ao luxo de perder. Para um clube que gastou tudo no topo da folha e ficou sem escolha de draft, essa prateleira vale mais do que o normal.
Kaluma entrou pela porta da Summer League
Arthur Kaluma foi o único dos três que chegou por mérito de quadra, e chegou rápido. Ele assinou depois do Draft num contrato do tipo Exhibit 10, que garante convite para o training camp e mais nada, e usou a Summer League como audição.
O jogo que decidiu a questão foi contra o Mavericks, em 11 de julho. Ala de 2,01m saído de Texas, Kaluma fez 34 pontos com 11 acertos em 16 arremessos, seis bolas de três em dez tentativas e cinco rebotes, na vitória por 91 a 70. Foi o maior número de pontos de qualquer jogador naquela noite. Pela campanha de Las Vegas, o NBA.com registrou média de 20,3 pontos por jogo, a melhor do time. Ainda em julho o clube converteu o contrato dele em two-way, e Peter Suder foi dispensado para abrir a vaga.
O perfil também ajuda. Ala capaz de defender mais de uma posição e acertar de fora, ele preenche exatamente a descrição que o time passou a procurar depois de perder LeBron James e de ver a negociação por Jonathan Kuminga travar.
De uma faculdade da Ivy League para Los Angeles
Os outros dois vieram do mesmo lugar, e é um lugar improvável. AK Okereke e Chris Mañon foram companheiros em Cornell, universidade da Ivy League que quase nunca aparece no mapa da NBA.
Okereke entrou lá em 2022 como walk-on, o jogador que se junta ao time sem bolsa de estudos, e disputou quatro partidas no primeiro ano. Virou peça de rotação no segundo, e como júnior, em 2024-25, fechou a temporada com 13,9 pontos, 4,6 rebotes, 4,1 assistências, 1,1 roubo e 1,1 toco por jogo, acertando 59% dos arremessos. Foi eleito para a seleção da Ivy League. Depois transferiu-se para Vanderbilt, onde teve 9,6 pontos e 3,6 rebotes em uma temporada, e assinou com o Lakers em 24 de junho, logo depois do Draft.
Mañon fez o caminho parecido. Teve o ano de calouro cancelado pela pandemia, jogou três temporadas em Cornell e também terminou a formação em Vanderbilt. Assinou o primeiro two-way com o Lakers em 2025 e teve o vínculo renovado para esta temporada. É o mais velho dos três e o único que já conhece a estrutura do clube por dentro.
Não é coincidência que dois deles tenham passado pela mesma dupla de faculdades. É um time de olheiros seguindo um circuito específico, o dos jogadores que ninguém disputa, e apostando que a maturidade de quem levou seis anos para chegar compensa a falta de pedigree.
O que muda a partir do dia 28
Os veteranos se apresentam em 28 de setembro e os campos abrem no dia seguinte. Os três estarão lá, e é no camp que a diferença entre o segundo andar e o principal aparece: eles treinam com o grupo todo, disputam minutos de pré-temporada e depois se dividem entre Los Angeles e o South Bay, na G League.
O caminho de subida existe e é curto. Basta o clube converter o vínculo em contrato padrão, o que exige uma vaga aberta entre as 15. Com o time precisando cortar alguém antes da estreia, a fila anda em duas direções ao mesmo tempo, e quem está no segundo andar pode ser justamente quem se beneficia do aperto lá em cima.
É o tipo de nome que ninguém digita no buscador em setembro e que aparece em fevereiro, quando as lesões chegam e o técnico precisa de alguém que já saiba o esquema. Foi assim que muita gente entrou de vez nessa liga.