De Hong Kong, Austin Reaves encontrou tempo para provocar Luka Doncic antes do minicamp que o esloveno organizou em casa. Perguntado sobre a viagem, o armador respondeu que vai vencer o companheiro no golfe. A concentração acontece entre 20 e 24 de agosto e reúne o elenco inteiro.

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Resumo rápido
  • Reaves está em Hong Kong na turnê asiática da Rigorer, marca que assina seu tênis.
  • Perguntado sobre a Eslovênia, prometeu vencer Doncic no golfe antes de falar em entrosamento.
  • O minicamp vai de 20 a 24 de agosto, quatro dias no país de Doncic.
  • Doncic convocou o elenco inteiro, two-way incluídos, e banca a viagem.
  • Cameron Carr é o único ausente: a orientação de calouros da NBA é obrigatória.

A provocação saiu em Hong Kong, a 9 mil quilômetros da Eslovênia

Reaves desembarcou em Hong Kong no início da semana e emendou eventos, sessões de fotos e encontros com torcedores. Em uma das paradas, a imprensa local perguntou o que ele esperava da viagem à Europa com os companheiros. A resposta não passou nem perto da diplomacia protocolar.

“Vou me sentir ótimo. Vou dar uma surra nele no golfe. Vai ser muito divertido”, disse o armador. “Mas já vai ser bom estar perto de todo mundo. O time é bem novo, tem muita gente nova, então vai ser bom conviver, se conhecer fora da quadra e construir esse entrosamento por lá.”

A ordem das frases é a parte reveladora. Antes de citar elenco novo, convivência ou entrosamento, o que saiu primeiro foi a piada dirigida a um companheiro que estava do outro lado do planeta. A informação foi apurada por Jacob Rude, do Silver Screen and Roll.

O golfe virou a língua franca entre os dois

Doncic pegou no taco em março de 2026, empurrado por Reaves e por LeBron James, então companheiro de vestiário. Quatro meses depois, o esporte já tinha virado o assunto diário entre os dois armadores. Na Summer League, em Las Vegas, Reaves explicou como funciona a rotina.

“O Luka é um dos meus melhores amigos neste planeta. Falo com ele quase todo dia”, contou. “Ele me manda vídeos do swing dele perguntando o que pode fazer para melhorar, e eu respondo que não sou treinador.”

É um detalhe pequeno que explica muita coisa sobre a temporada que vem. Um armador que aprendeu o esporte há cinco meses manda vídeo do próprio movimento para o outro corrigir. Quem recebe devolve deboche em vez de correção. Esse é o tipo de intimidade que não se constrói em coletiva de apresentação.

Quatro dias na Eslovênia, com o elenco inteiro convocado

A concentração ocupa a janela de 20 a 24 de agosto e sai inteiramente do bolso de Doncic, que banca a viagem do grupo. A programação mistura treinos, saídas para o campo de golfe e passeios por Liubliana, tudo pensado para acelerar a convivência antes da pré-temporada.

O convite não fez triagem: foi estendido ao elenco todo, inclusive aos jogadores de contrato two-way. A única baixa confirmada é Cameron Carr, barrado por um calendário que não depende dele: a orientação de calouros da NBA cai na mesma semana e a presença é obrigatória.

O contexto ajuda a entender a pressa. O time trocou de cara na offseason, com Walker Kessler chegando por troca e assinaturas como Quentin Grimes, Collin Sexton e Kevon Looney. São muitos rostos novos para um vestiário que perdeu sua referência mais antiga. Quatro dias de golfe e jantar valem semanas de treino nesse quesito.

A turnê asiática não é passeio de férias

Reaves não foi à China a lazer. Ele fechou com a Rigorer em abril de 2022 como embaixador e, no ano seguinte, renovou em outro patamar: linha de assinatura própria e participação acionária na marca chinesa. Aos 26 anos, segue sendo o único jogador da NBA com um tênis assinado pela empresa, e aproveitou a passagem pela Ásia para apresentar o AR2, segunda geração do modelo.

A viagem também não é inédita. Dois anos atrás ele rodou as Filipinas com a marca. A diferença agora é o momento da carreira: o armador saiu da condição de coadjuvante simpático e virou peça central de um projeto que precisa se provar sem a estrela que carregou a franquia por oito temporadas.

O que uma piada revela sobre o vestiário

Entrosamento é a palavra mais usada e menos comprovável de qualquer offseason. Ela costuma aparecer em comunicado oficial, sem nada por trás. O caso aqui é diferente porque veio de graça, sem pergunta que induzisse a resposta e a 9 mil quilômetros de distância do assunto.

Um time que ainda não jogou junto já tem dois de seus principais nomes trocando farpas por esporte. Em agosto isso não vale nada na tabela. Em janeiro, quando a sequência apertar e alguém precisar dizer uma verdade dura no intervalo, vale bastante. O taco de golfe é só o pretexto.