O Lakers contratou Quentin Grimes para ocupar a vaga de Marcus Smart ao lado de Austin Reaves, e os dados do ano passado explicam por que essa vaga pesa tanto. Com Smart junto, o time defendia como candidato ao título. Sem ele, desabava. Smart foi embora por falta de garantia, e a conta agora é de Grimes.
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O que a dupla com Smart mostrou
Reaves nunca vai ser o marcador que para o melhor atacante do adversário, e o Lakers sabe disso. Mas ele não é o problema que a fama sugere. Segundo o levantamento de Tyler Watts, do Lake Show Life, o time sofreu 114,2 pontos a cada 100 posses com Reaves em quadra na temporada passada, praticamente a média da liga. Ele tem 1,96 m, lê bem o jogo e funciona como ajuda, não como primeira linha.
O número muda de tamanho quando se olha com quem ele jogava. Ao lado de Smart, a defesa caía para 107,6, uma marca que nenhum time além do Thunder sustentou ao longo da temporada inteira. Com Reaves em quadra e Smart fora, subia para 118,7. Com Smart sem Reaves, ficava em 115,7.
O detalhe que mais incomoda é o tempo. Os dois dividiram a quadra por 673 minutos, e cada um passou mais de mil jogando sem o outro. A combinação que funcionava foi a menos usada. É essa conta que Watts cobra de JJ Redick: não repetir o erro com a dupla nova.
Grimes chega para outra função
Smart saiu para o Rockets, e o Lakers deu a Grimes um contrato de quatro anos e 60 milhões de dólares para ser o marcador principal da bola. No papel, é uma perda: Smart foi eleito o melhor defensor da liga em 2022 e Grimes nunca chegou perto disso. Mas o novo reforço tem 26 anos, seis a menos, e já mostrou que sabe fazer o trabalho.
A melhor versão defensiva dele apareceu em 2022-23, pelo Knicks, a última temporada em que foi titular fixo. Naquele ano, os indicadores que medem o peso de cada jogador na defesa colocaram Grimes acima da média da liga. Depois disso ele rodou: o Lakers é o quinto time dele em quatro anos, e nos dois últimos, em Dallas e no Philadelphia, o papel foi muito mais de pontuador.
É aí que mora a dúvida. Com contrato longo assinado, Grimes não precisa mais provar que sabe fazer pontos para garantir o próximo salário. Ao lado de Doncic e Reaves ele vai receber arremesso livre de sobra, e o que o time precisa é que ele aceite ser o jogador que marca o armador rival durante 30 minutos e arremessa quando a bola chega.
O quebra-cabeça de Redick
A proposta do Lake Show Life é simples: Reaves e Grimes juntos o máximo de tempo possível, Doncic com Collin Sexton quando os astros revezarem, e Matisse Thybulle ao lado de Reaves quando Grimes descansar. Com isso, Reaves sempre teria alguém para pegar o adversário mais difícil.
O resto da rotação complica. Sandro Mamukelashvili abre a quadra no ataque, mas precisa de Walker Kessler por perto para não deixar o garrafão exposto com Doncic em quadra. Ter defesa suficiente ao redor dos dois ao mesmo tempo é o tipo de equilíbrio que só o camp vai mostrar se existe.
O ataque não preocupa. Com Doncic e Reaves conduzindo, o Lakers deve ficar entre os melhores da liga com qualquer formação. Quem decide se o time briga pelo título é a outra ponta, e ela começa na escolha de quem joga ao lado de Reaves.
O que o Lakers aprendeu com Smart
A lição da última temporada está nos minutos. O Lakers tinha a dupla que defendia como a melhor da liga e usou pouco, entre lesões, cansaço e rodízio. Com Grimes, o plano já nasce desenhado. Resta saber se o calendário de 82 jogos vai deixar Redick cumpri-lo, e se Grimes vai aceitar que, neste time, o trabalho dele é o que não aparece no placar.