O Lakers contratou Quentin Grimes para ocupar a vaga de Marcus Smart ao lado de Austin Reaves, e os dados do ano passado explicam por que essa vaga pesa tanto. Com Smart junto, o time defendia como candidato ao título. Sem ele, desabava. Smart foi embora por falta de garantia, e a conta agora é de Grimes.

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Resumo rápido
107,6
Pontos sofridos a cada 100 posses com Reaves e Smart juntos em 2025-26.
118,7
O mesmo número com Reaves em quadra e Smart no banco.
673 min
Tempo que os dois jogaram juntos, menos do que cada um jogou separado.
4 anos
Contrato de Grimes, de 60 milhões de dólares, assinado em julho.

O que a dupla com Smart mostrou

Reaves nunca vai ser o marcador que para o melhor atacante do adversário, e o Lakers sabe disso. Mas ele não é o problema que a fama sugere. Segundo o levantamento de Tyler Watts, do Lake Show Life, o time sofreu 114,2 pontos a cada 100 posses com Reaves em quadra na temporada passada, praticamente a média da liga. Ele tem 1,96 m, lê bem o jogo e funciona como ajuda, não como primeira linha.

O número muda de tamanho quando se olha com quem ele jogava. Ao lado de Smart, a defesa caía para 107,6, uma marca que nenhum time além do Thunder sustentou ao longo da temporada inteira. Com Reaves em quadra e Smart fora, subia para 118,7. Com Smart sem Reaves, ficava em 115,7.

Reaves com e sem Smart
Pontos sofridos pelo Lakers a cada 100 posses em 2025-26. Quanto menor, melhor
Juntos
Reaves e Smart
673 minutos em quadra lado a lado
Sofridos
107,6
Geral
Reaves em quadra
Com qualquer companheiro
Sofridos
114,2
Separados
Smart sem Reaves
Reaves no banco ou fora
Sofridos
115,7
Separados
Reaves sem Smart
Smart no banco ou fora
Sofridos
118,7

O detalhe que mais incomoda é o tempo. Os dois dividiram a quadra por 673 minutos, e cada um passou mais de mil jogando sem o outro. A combinação que funcionava foi a menos usada. É essa conta que Watts cobra de JJ Redick: não repetir o erro com a dupla nova.

Grimes chega para outra função

Smart saiu para o Rockets, e o Lakers deu a Grimes um contrato de quatro anos e 60 milhões de dólares para ser o marcador principal da bola. No papel, é uma perda: Smart foi eleito o melhor defensor da liga em 2022 e Grimes nunca chegou perto disso. Mas o novo reforço tem 26 anos, seis a menos, e já mostrou que sabe fazer o trabalho.

A melhor versão defensiva dele apareceu em 2022-23, pelo Knicks, a última temporada em que foi titular fixo. Naquele ano, os indicadores que medem o peso de cada jogador na defesa colocaram Grimes acima da média da liga. Depois disso ele rodou: o Lakers é o quinto time dele em quatro anos, e nos dois últimos, em Dallas e no Philadelphia, o papel foi muito mais de pontuador.

É aí que mora a dúvida. Com contrato longo assinado, Grimes não precisa mais provar que sabe fazer pontos para garantir o próximo salário. Ao lado de Doncic e Reaves ele vai receber arremesso livre de sobra, e o que o time precisa é que ele aceite ser o jogador que marca o armador rival durante 30 minutos e arremessa quando a bola chega.

O quebra-cabeça de Redick

A proposta do Lake Show Life é simples: Reaves e Grimes juntos o máximo de tempo possível, Doncic com Collin Sexton quando os astros revezarem, e Matisse Thybulle ao lado de Reaves quando Grimes descansar. Com isso, Reaves sempre teria alguém para pegar o adversário mais difícil.

O resto da rotação complica. Sandro Mamukelashvili abre a quadra no ataque, mas precisa de Walker Kessler por perto para não deixar o garrafão exposto com Doncic em quadra. Ter defesa suficiente ao redor dos dois ao mesmo tempo é o tipo de equilíbrio que só o camp vai mostrar se existe.

O ataque não preocupa. Com Doncic e Reaves conduzindo, o Lakers deve ficar entre os melhores da liga com qualquer formação. Quem decide se o time briga pelo título é a outra ponta, e ela começa na escolha de quem joga ao lado de Reaves.

O que o Lakers aprendeu com Smart

A lição da última temporada está nos minutos. O Lakers tinha a dupla que defendia como a melhor da liga e usou pouco, entre lesões, cansaço e rodízio. Com Grimes, o plano já nasce desenhado. Resta saber se o calendário de 82 jogos vai deixar Redick cumpri-lo, e se Grimes vai aceitar que, neste time, o trabalho dele é o que não aparece no placar.