Rob Pelinka respondeu nesta quinta a Marcus Smart sem citar o nome dele e sem defender a proposta que o Lakers fez. O armador tinha chamado a oferta de desrespeitosa ao explicar a ida para o Rockets. O dirigente falou de outra coisa: a idade do elenco.
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A pergunta e a resposta
A coletiva de pré-temporada foi a primeira fala pública de Pelinka desde maio, e o assunto Smart chegou cedo. Dias antes, o armador tinha contado a Varun Shankar, do Houston Chronicle, que a proposta do Lakers não combinava com a temporada que ele fez. Perguntado sobre isso, o presidente de operações de basquete não entrou no mérito da oferta. Respondeu com o plano do verão.
“Nós queríamos ficar mais jovens e ter mais profundidade. Uma das coisas em que quisemos apostar foi um time na mesma faixa de idade do Luka e do AR, e queremos que esse time cresça junto. Fomos muito deliberados em ficar mais jovens e mais profundos.”
Rob Pelinka, presidente de operações de basquete do Lakers, na coletiva de pré-temporada
Não houve defesa da proposta nem contestação ao que Smart disse. A resposta não trata de dinheiro, e isso tem motivo: pelo que Shankar apurou, a oferta do Lakers era maior do que a do Rockets. Smart preferiu não dizer os valores.
O problema não era o salário
Se o Lakers pagava mais, por que Smart foi embora? A resposta está na segunda metade da frase que ele deu ao jornal de Houston. Depois de dizer que viu “caras que jogaram muito pior” recebendo propostas melhores, ele completou que o time não quis dar “a segurança que a gente queria”. A leitura mais provável é a de anos garantidos, e não de valor por temporada.
Houston ofereceu dois anos e US$ 12,4 milhões, e ainda tinha a vantagem da casa. Smart cresceu em Flower Mound, no Texas, a quatro horas da cidade, e sempre imaginou voltar para perto da família na reta final da carreira. O Rockets, que ele ajudou a eliminar na primeira rodada dos playoffs, juntou as duas coisas.
A saída começou antes da proposta. Smart tinha chegado ao Lakers em 2025 com contrato de dois anos e opção de jogador no segundo, e abriu mão dela no fim de junho para testar o mercado. A partir dali, a negociação era de agente livre, e o Lakers tinha outras prioridades na fila.
A conta da idade
A resposta de Pelinka ganha peso quando se coloca Smart ao lado do elenco que ficou. Na conta do próprio dirigente, a idade média do grupo ficou entre 26 e 27 anos. O jogador mais velho do elenco atual é Kevon Looney, com 30. Smart fez 32 em março.
Visto assim, o Lakers não quis se amarrar por vários anos a um armador de 32, por melhor que tenha sido a temporada dele. E ela foi boa: Smart começou 54 dos 62 jogos que disputou, virou referência da defesa de perímetro e cresceu nos playoffs, justamente contra o time que agora o contratou. O perfil de defensor que ele levou para Houston é o que o time mais vai sentir falta.
Para cobrir esse espaço, a diretoria aposta em Quentin Grimes na marcação do perímetro e em Collin Sexton para dar energia ao banco. Nenhum dos dois faz tudo o que Smart fazia, e nenhum dos dois passou dos 27.
O que a resposta deixa em aberto
A escolha de Pelinka tem lógica e tem custo. Ao falar de idade, ele evita discutir valores com um jogador que já saiu e não abre briga com o Rockets, adversário direto no Oeste. Mas também confirma, sem dizer, que a proposta foi feita pensando no calendário do time, e não no que Smart entregou em quadra.
Os dois lados vão se reencontrar ao longo da temporada. Lakers e Rockets fizeram uma das séries mais duras da última pós-temporada, e o armador que saiu por falta de garantia vai estar do outro lado, marcando quem ficou. Se a aposta na juventude não segurar o perímetro, a resposta de ontem vai ser lembrada a cada jogo contra Houston.