Jake LaRavia voltou de um problema no tornozelo direito para enfrentar o Jazz e fez algo raro: mudou o jogo sem marcar um ponto. Em 15 minutos, errou os três arremessos que tentou, mas o Lakers venceu os minutos dele por 14, o melhor saldo do banco na virada de domingo. A explicação está na defesa.
A volta depois do tornozelo
LaRavia tinha jogado 18 minutos na estreia, contra o Warriors, quando fez 10 pontos com 4 de 5 nos arremessos. Depois, torceu o tornozelo direito e ficou fora do clássico contra o Clippers. Voltou à lista de disponíveis para o jogo em Salt Lake City, em uma noite em que o Lakers levou 47 pontos no primeiro quarto e precisou de energia do banco para reagir.
O ataque não funcionou: ele tentou três arremessos, dois deles de três, e não acertou nenhum. Mas o placar com ele em quadra contou outra história. Nos 15 minutos de LaRavia, o Lakers fez 14 pontos a mais do que o Jazz, um número que nenhum outro reserva chegou perto.
O que não aparece no placar
Os 2 roubos e o toco mostram parte do trabalho. LaRavia é um ala de 2,01 metros que troca marcação, fecha linhas de passe e briga por rebote, justamente o tipo de esforço que faltou ao Lakers em Utah. Em uma noite em que o time levou 51 rebotes contra 30, os 4 rebotes dele em 15 minutos ajudaram a segurar a sangria.
O saldo de quadra é uma estatística imperfeita, ainda mais em poucos minutos. Mas, no caso de LaRavia, ele combina com o que se viu: um jogador que não precisa da bola para ser útil. É a mesma ideia que Austin Reaves defendeu depois do jogo, quando disse que o time não tem ego e que cada um entende o seu papel.
O papel que ele pode ocupar
Na temporada passada, LaRavia foi uma das peças mais usadas por Redick. Jogou todas as 82 partidas, começou 43 como titular e fez 8,2 pontos e 4 rebotes por jogo. Neste ano, perdeu espaço no quinteto para Ziaire Williams e Matisse Thybulle, mas segue como opção de rotação para os minutos em que o time precisa de tamanho e defesa no perímetro.
Com o banco ainda sendo montado, com Quentin Grimes como principal pontuador e Collin Sexton voltando de lesão, LaRavia pode virar o reserva que equilibra a segunda unidade. Grimes e Sexton dão pontos; LaRavia dá defesa e rebote. A combinação é o que Redick procura.
O arremesso é a parte que ainda precisa voltar. Em 2024-25, dividido entre Grizzlies e Kings, LaRavia acertou 42,3% das bolas de três, e foi isso que chamou a atenção do Lakers. Na temporada passada, já em Los Angeles, a marca caiu para 32,1%. Neste começo, são 2 de 5. Se a mira voltar ao nível de dois anos atrás, ele vira uma peça ainda mais difícil de tirar de quadra, porque une a defesa a um arremesso que obriga o adversário a respeitá-lo.
No training camp, Redick elogiou a evolução do arremesso do ala e explicou o que tinha mudado na mecânica e na confiança dele ao longo do verão. A resposta em Utah veio pelo outro lado do jogo, e mostrou que LaRavia pode ajudar mesmo em uma noite em que a bola não cai. Para um time que ainda procura equilíbrio no banco, é um recado importante, e Redick costuma valorizar exatamente esse tipo de jogador.
A semana que vem
O Lakers enfrenta o Blazers na madrugada de terça para quarta, à 0h, com transmissão do Prime Video, e o Clippers no dia seguinte, no primeiro back-to-back da temporada. Com tantos minutos em pouco tempo, a rotação vai precisar de todo mundo, e um ala que defende e pega rebote ganha valor. Se mantiver o nível de Utah, mesmo sem pontuar, LaRavia tem tudo para ganhar mais minutos.