O Lakers tem mostrado dois times diferentes antes da estreia: um que domina o primeiro tempo e outro que some depois do intervalo. Somando os quatro jogos da pré-temporada, o time de JJ Redick venceu as primeiras metades por 25 pontos e perdeu as segundas por 35, e a derrota de terça para o Warriors, em Las Vegas, foi o retrato mais claro disso.
Um padrão que se repete
Em três dos quatro jogos, o Lakers foi para o intervalo na frente. Contra o Kings, na estreia, abriu 73 a 47 e administrou. Contra o Kings de novo, na quinta passada, liderava por 57 a 43 e precisou segurar uma reação de 40 pontos no último quarto para vencer por 114 a 110. Em Las Vegas, chegou a abrir 20 pontos no começo do terceiro quarto e terminou perdendo por 12.
A única exceção foi a primeira partida contra o Warriors, em San Francisco, quando o time levou 81 pontos no primeiro tempo, sem Luka Doncic, Austin Reaves e Walker Kessler, e Redick classificou a atuação como inaceitável. Naquele jogo, o Lakers até venceu o segundo tempo, por 45 a 43.
Onde o jogo vira
O aproveitamento explica boa parte da queda. Pela jogada a jogada da ESPN, o Lakers converteu 85 arremessos de quadra nos primeiros tempos e só 58 nos segundos, com um número parecido de tentativas. Em Las Vegas, a diferença foi brutal: 23 cestas antes do intervalo e 10 depois.
Os erros completam o quadro. O time cometeu 21 na estreia, 22 no segundo jogo, 24 no terceiro e 29 em Las Vegas, uma média de 24 por partida e uma curva que só sobe. O Warriors aproveitou cada um deles na terça e roubou 20 bolas. Reaves já tinha admitido que ele e Doncic são os principais responsáveis pelos erros, mas o problema se espalhou pelo elenco.
O que Redick vê
O técnico tratou o assunto sem rodeios depois da derrota. “Alguns daqueles erros foram só desorganização”, disse Redick, segundo o The Sporting Tribune. Para ele, a química do grupo existe, mas o entrosamento em quadra ainda não.
“Acho que existe uma química natural neste grupo. Acho que é o ritmo em quadra que vai levar tempo. Isso leva semanas e semanas da temporada regular para se desenvolver.”
JJ Redick, técnico do Lakers
O que pesa e o que não pesa
Nem toda queda no segundo tempo deve preocupar. Na pré-temporada, os titulares jogam menos e saem cedo. Em Las Vegas, Kessler ficou só no primeiro tempo, Reaves, que fez 23 pontos antes do intervalo, jogou só o começo do terceiro quarto, e Redick esvaziou o banco no fim, enquanto o Warriors manteve alguns titulares em quadra no começo do quarto período. Parte da virada é reflexo disso.
Os erros são outra história. Eles aparecem nos dois tempos, com titulares e reservas, e cresceram justamente quando o elenco ficou mais completo. É o ponto que mais preocupa a uma semana da estreia, junto com o rebote, que foi tema do especial sobre o garrafão.
O último teste
Resta um jogo para mudar a tendência: o Nuggets, na sexta, que pode marcar a volta de Doncic depois da noite de folga. Depois, a estreia de 21 de outubro, de novo contra o Warriors, já sem a desculpa da rotação de pré-temporada. Se o Lakers quiser brigar pelo título, como Redick acredita, vai precisar jogar 48 minutos, e não 24. O que aconteceu em Las Vegas está na análise completa do jogo.