O Lakers perdeu a briga dos rebotes em todos os jogos que fez desde o dia 5, deixou os rivais pegarem 44 rebotes de ataque e viu o mesmo filme se repetir com qualquer formação em quadra. A dez dias da estreia, o garrafão é o ponto fraco mais claro do time, e os números mostram que o problema vem de antes.

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Resumo rápido
113 x 136
O placar dos rebotes somando os três jogos da pré-temporada. O Lakers perdeu em todos.
54 pontos
A média que o Lakers sofreu dentro do garrafão por jogo.
27º lugar
A posição do time em rebotes por jogo na temporada passada, entre os 30 da NBA.
Nenhum
Nenhum jogador do Lakers chegou a 10 rebotes em um jogo desta pré-temporada.

Jogo a jogo

O quadro abaixo junta o que aconteceu perto da cesta nos três jogos. Embaixo de cada jogo aparece também a porcentagem dos rebotes de defesa que o Lakers conseguiu segurar, ou seja, quantas vezes o time ficou com a bola depois de um erro do adversário.

O garrafão na pré-temporada, jogo a jogo
Kings
Kings, fora · 05/10
Vitória por 127 x 103
Rebotes
Lakers
39
Kings
46
Pontos no garrafão
Lakers
40
Kings
52
13 rebotes de ataque cedidos · 69,8% no rebote de defesa
Warriors
Warriors, fora · 06/10
Derrota por 124 x 98
Rebotes
Lakers
35
Warriors
44
Pontos no garrafão
Lakers
36
Warriors
48
11 rebotes de ataque cedidos · 69,4% no rebote de defesa
Kings
Kings, em casa · 08/10
Vitória por 114 x 110
Rebotes
Lakers
39
Kings
46
Pontos no garrafão
Lakers
48
Kings
62
20 rebotes de ataque cedidos · 59,2% no rebote de defesa
Rivais
Total dos três jogos
Duas vitórias e uma derrota
Rebotes
Lakers
113
Rivais
136
Pontos no garrafão
Lakers
124
Rivais
162
44 rebotes de ataque cedidos · 65,6% no rebote de defesa
Fonte: box scores da ESPN. Rebote de defesa = rebotes defensivos do Lakers divididos pela soma deles com os rebotes de ataque do rival.

O jogo de quinta contra o Kings, em Los Angeles, foi o retrato mais cru. O Lakers venceu por 114 x 110, mas o rival pegou 20 rebotes de ataque e arremessou 94 vezes, 16 a mais que o time de Redick. Dylan Cardwell, pivô reserva do Kings, pegou 6 rebotes ofensivos em apenas 12 minutos. Maxime Raynaud somou 10 rebotes. A vitória só veio porque o Lakers foi 38 vezes para a linha de lance livre e o Kings cometeu 26 erros de ataque.

Contra o Warriors, a diferença apareceu do outro lado: 9 tocos do Warriors contra 5 do Lakers, e 48 pontos no garrafão para o rival. Em nenhum dos três jogos o Lakers teve vantagem nos rebotes, nem quando venceu com folga em Sacramento.

Não é de agora

Seria fácil culpar a ausência de Walker Kessler e o fato de ser pré-temporada. Mas o problema já estava lá na temporada passada. Em 2025-26, o Lakers foi um dos piores times da liga perto da cesta:

Lakers em 2025-26: posição entre os 30 times
27º
de 30
Rebotes por jogo
Lakers
41,0
Média da NBA
43,8
29º
de 30
Rebotes de ataque por jogo
Lakers
9,4
Média da NBA
11,4
22º
de 30
Rebotes de defesa por jogo
Lakers
31,5
Média da NBA
32,4
22º
de 30
Tocos por jogo
Lakers
4,3
Média da NBA
4,8
Fonte: ESPN, temporada regular 2025-26. Média da NBA calculada com os 30 times.

Só dois times pegaram menos rebotes de ataque que o Lakers. Na prática, isso significa menos segundas chances no ataque e mais posses extras para o adversário na defesa, uma conta que pesa muito em jogos apertados de playoffs. Deandre Ayton, titular em 72 jogos daquela campanha com 8 rebotes por partida, já não está no elenco.

Quem pega rebote no elenco

Para comparar jogadores com tempos de quadra diferentes, a conta mais justa é a de rebotes a cada 36 minutos. O quadro da pré-temporada mostra onde o Lakers está bem servido e onde falta corpo:

Rebotes a cada 36 minutos na pré-temporada
Jarred Vanderbilt
Jarred Vanderbilt
Por 36 min
13,0
13 rebotes em 36 minutos
Kevon Looney
Kevon Looney
Por 36 min
12,8
17 rebotes em 48 minutos
Adou Thiero
Adou Thiero
Por 36 min
7,2
11 rebotes em 55 minutos
Sandro Mamukelashvili
Sandro Mamukelashvili
Por 36 min
3,7
6 rebotes em 58 minutos
Fonte: box scores da ESPN, três jogos de pré-temporada.

Vanderbilt e Looney fazem o trabalho sujo, mas somaram juntos só 84 minutos em três jogos. O caso de Mamukelashvili é o mais curioso. Ele é o cestinha do grupo de pivôs, com 42 pontos, e vem tomando a vaga de pivô reserva pelo ataque. Só que joga longe da cesta, abre espaço com o arremesso e pegou apenas 6 rebotes em 58 minutos. Com ele em quadra, o Lakers ganha pontos e perde a briga embaixo do aro.

Walker Kessler
Kessler, a peça que falta
Walker Kessler
O que o pivô entregou pelo Jazz em 2024-25. Fonte: ESPN.
Rebotes
Em 30 minutos por jogo
12,2
por jogo
Rebotes de ataque
Segunda chance para o time
4,6
por jogo
Tocos
Proteção do aro
2,4
por jogo
Jogos em 2025-26
Temporada cortada por lesão
5
jogos

A resposta que ainda não jogou

Walker Kessler foi contratado justamente para isso. Na temporada 2024-25, pelo Jazz, ele foi um dos maiores reboteiros da liga, com 12,2 rebotes por jogo, 4,6 deles no ataque, e 2,4 tocos. O porém é a saúde: em 2025-26 ele jogou só 5 partidas por causa de lesão, e agora se recupera da pancada no dedo que o tirou de toda a pré-temporada até aqui. Redick não garante o pivô na terça, como contamos na matéria sobre as lesões que preocupam antes da estreia.

Com Kessler saudável, o quadro muda de figura. Sem ele, o Lakers depende de Looney, que tem 30 anos e jogou só 21 partidas na temporada passada, e de soluções improvisadas.

As saídas

A diretoria já se mexeu uma vez. Na sexta, o Lakers contratou o pivô Rafael Castro para o training camp, mirando o setor. E o mercado já fala em nomes maiores: o analista Trevor Lane sugeriu Goga Bitadze, do Magic, como o terceiro pivô ideal, com um detalhe que complica tudo, a briga dele com Luka Doncic em março.

Dentro de casa, a saída de Redick passa por dar mais minutos a quem briga pela bola, como Vanderbilt, e cobrar dos alas que fechem o garrafão no rebote de defesa. O Lakers tem ataque de sobra com Doncic, Reaves e o arremesso de Mamukelashvili. O que ainda não mostrou é que consegue terminar a jogada de defesa com a bola nas mãos.

O teste dos próximos dias

Os dois jogos que faltam são provas diretas. Na terça, em Las Vegas, o Lakers reencontra o Warriors, que venceu a briga dos rebotes por 44 x 35 na semana passada. Na sexta, em Los Angeles, o adversário é o Nuggets de Nikola Jokic, o melhor pivô do mundo e um reboteiro que castiga qualquer garrafão frágil. Se o quadro não mudar até lá, o problema chega inteiro à estreia oficial, em 21 de outubro.