O Lakers perdeu a briga dos rebotes em todos os jogos que fez desde o dia 5, deixou os rivais pegarem 44 rebotes de ataque e viu o mesmo filme se repetir com qualquer formação em quadra. A dez dias da estreia, o garrafão é o ponto fraco mais claro do time, e os números mostram que o problema vem de antes.
Jogo a jogo
O quadro abaixo junta o que aconteceu perto da cesta nos três jogos. Embaixo de cada jogo aparece também a porcentagem dos rebotes de defesa que o Lakers conseguiu segurar, ou seja, quantas vezes o time ficou com a bola depois de um erro do adversário.
O jogo de quinta contra o Kings, em Los Angeles, foi o retrato mais cru. O Lakers venceu por 114 x 110, mas o rival pegou 20 rebotes de ataque e arremessou 94 vezes, 16 a mais que o time de Redick. Dylan Cardwell, pivô reserva do Kings, pegou 6 rebotes ofensivos em apenas 12 minutos. Maxime Raynaud somou 10 rebotes. A vitória só veio porque o Lakers foi 38 vezes para a linha de lance livre e o Kings cometeu 26 erros de ataque.
Contra o Warriors, a diferença apareceu do outro lado: 9 tocos do Warriors contra 5 do Lakers, e 48 pontos no garrafão para o rival. Em nenhum dos três jogos o Lakers teve vantagem nos rebotes, nem quando venceu com folga em Sacramento.
Não é de agora
Seria fácil culpar a ausência de Walker Kessler e o fato de ser pré-temporada. Mas o problema já estava lá na temporada passada. Em 2025-26, o Lakers foi um dos piores times da liga perto da cesta:
Só dois times pegaram menos rebotes de ataque que o Lakers. Na prática, isso significa menos segundas chances no ataque e mais posses extras para o adversário na defesa, uma conta que pesa muito em jogos apertados de playoffs. Deandre Ayton, titular em 72 jogos daquela campanha com 8 rebotes por partida, já não está no elenco.
Quem pega rebote no elenco
Para comparar jogadores com tempos de quadra diferentes, a conta mais justa é a de rebotes a cada 36 minutos. O quadro da pré-temporada mostra onde o Lakers está bem servido e onde falta corpo:
Vanderbilt e Looney fazem o trabalho sujo, mas somaram juntos só 84 minutos em três jogos. O caso de Mamukelashvili é o mais curioso. Ele é o cestinha do grupo de pivôs, com 42 pontos, e vem tomando a vaga de pivô reserva pelo ataque. Só que joga longe da cesta, abre espaço com o arremesso e pegou apenas 6 rebotes em 58 minutos. Com ele em quadra, o Lakers ganha pontos e perde a briga embaixo do aro.
A resposta que ainda não jogou
Walker Kessler foi contratado justamente para isso. Na temporada 2024-25, pelo Jazz, ele foi um dos maiores reboteiros da liga, com 12,2 rebotes por jogo, 4,6 deles no ataque, e 2,4 tocos. O porém é a saúde: em 2025-26 ele jogou só 5 partidas por causa de lesão, e agora se recupera da pancada no dedo que o tirou de toda a pré-temporada até aqui. Redick não garante o pivô na terça, como contamos na matéria sobre as lesões que preocupam antes da estreia.
Com Kessler saudável, o quadro muda de figura. Sem ele, o Lakers depende de Looney, que tem 30 anos e jogou só 21 partidas na temporada passada, e de soluções improvisadas.
As saídas
A diretoria já se mexeu uma vez. Na sexta, o Lakers contratou o pivô Rafael Castro para o training camp, mirando o setor. E o mercado já fala em nomes maiores: o analista Trevor Lane sugeriu Goga Bitadze, do Magic, como o terceiro pivô ideal, com um detalhe que complica tudo, a briga dele com Luka Doncic em março.
Dentro de casa, a saída de Redick passa por dar mais minutos a quem briga pela bola, como Vanderbilt, e cobrar dos alas que fechem o garrafão no rebote de defesa. O Lakers tem ataque de sobra com Doncic, Reaves e o arremesso de Mamukelashvili. O que ainda não mostrou é que consegue terminar a jogada de defesa com a bola nas mãos.
O teste dos próximos dias
Os dois jogos que faltam são provas diretas. Na terça, em Las Vegas, o Lakers reencontra o Warriors, que venceu a briga dos rebotes por 44 x 35 na semana passada. Na sexta, em Los Angeles, o adversário é o Nuggets de Nikola Jokic, o melhor pivô do mundo e um reboteiro que castiga qualquer garrafão frágil. Se o quadro não mudar até lá, o problema chega inteiro à estreia oficial, em 21 de outubro.