Walker Kessler tem o segundo melhor aproveitamento de arremessos da NBA, 71,4%, e aparece em quarto nos tocos, com 2,5 por jogo, depois de oito partidas. É o jogador mais subestimado do Lakers: a conversa sobre ele ainda gira em torno do contrato que, para Zach Lowe, prendeu o time.
O único nome no top 10 das três listas
A ESPN publica os líderes da temporada com um mínimo de jogos e de tentativas, para tirar da conta quem joga pouco. Em aproveitamento de arremessos, Kessler está atrás só de Daniel Gafford, do Mavericks. Em tocos, só Victor Wembanyama, Chet Holmgren e Myles Turner bloqueiam mais por jogo. Em rebotes, ele divide o sexto lugar com Donovan Clingan, do Blazers.
O dado que mais pesa a favor dele aparece quando as três listas são cruzadas. Nenhum outro jogador da NBA está entre os dez primeiros em aproveitamento, tocos e rebotes ao mesmo tempo. Wembanyama domina os tocos e está entre os que mais pegam rebotes, mas não aparece no ranking de aproveitamento. Sabonis pega mais rebotes que todo mundo e acerta quase tanto quanto Kessler, mas não bloqueia. Gafford é o mais preciso da liga e não está entre os dez que mais pegam rebotes.
São oito jogos, e lista de líderes no começo de novembro muda rápido. Mas o desenho é o de um pivô que faz as três coisas que o Lakers foi buscar quando trocou por ele: finaliza perto do aro, protege a cesta e segura o rebote.
O que ele faz que não aparece na manchete
O Lakers tem Doncic com 38,3 pontos por jogo e Reaves com 23,6, e é natural que o assunto depois de cada vitória seja um dos dois. Kessler joga em outra faixa da quadra, e o trabalho dele quase nunca vira o lance da noite.
Os números do próprio elenco mostram o tamanho desse trabalho. Dos 51 tocos do Lakers na temporada, 20 são dele, 39% do total. Dos rebotes pegos pelos jogadores do time, ele ficou com 26%. Nos rebotes ofensivos a distância é ainda maior: são 25, contra 10 de Jake LaRavia, o segundo da lista. Cada um desses rebotes é uma posse de bola a mais para um ataque que já gira em torno de Doncic.
O saldo de pontos com ele em quadra é de +74, o terceiro melhor do elenco, atrás só de Doncic e Reaves. E ele é, entre os três, o que menos arremessa: são 8,8 tentativas por jogo, e 50 das 70 caíram. Doncic já cobrou que ele peça mais a bola.
Por que a conversa ainda é sobre o contrato
Kessler chegou ao Lakers em julho, em uma troca com assinatura com o Utah Jazz, com contrato de quatro anos e 130 milhões de dólares. O preço incluiu escolhas de Draft sem proteção, e ele vinha de apenas cinco jogos em 2025-26, antes de operar o ombro esquerdo.
Foi esse pacote que formou a imagem dele antes da estreia. Zach Lowe disse que o Lakers pagou demais e ficou sem saída para corrigir o elenco. No ranking dos cem melhores jogadores da ESPN, ele apareceu em 73º, atrás de Reaves e bem longe de Doncic. Nenhuma das duas leituras era sobre o que ele faz em quadra. As duas eram sobre risco.
Oito jogos depois, o risco ainda existe, porque um pivô que passou quase um ano parado precisa provar que aguenta 82 partidas. Mas o jogador que está em quadra já não combina com a imagem de aposta cara. Até aqui, o Lakers pagou por um titular e recebeu um dos pivôs mais eficientes da liga.
A semana que mudou a conversa
A temporada dele começou com 12 acertos em 12 arremessos e 26 pontos contra o Warriors, e seguiu com seis tocos contra o Clippers no jogo seguinte. Depois veio a fase mais discreta, com dois pontos contra o Jazz e saldo negativo no segundo jogo contra o Clippers.
A resposta veio nos três últimos jogos, todos com duplo-duplo: 10 pontos e 13 rebotes contra o Warriors, 16 e 15 contra o Raptors, sem errar nenhum dos seis arremessos, e 15 e 15 contra o Heat de Giannis Antetokounmpo e Bam Adebayo. São as duas maiores marcas de rebote dele com a camisa do Lakers, em noites seguidas.
O que falta para ele ser reconhecido
Há pontos em que o reconhecimento ainda não chegou porque o jogo dele também não. Ele passou em branco nos tocos contra o Heat e marcou dois pontos contra o Jazz, em uma noite em que a bola quase não passou por ele. Também não arremessa de fora, o que deixa o ataque dependente de Doncic para colocá-lo em posição de finalizar.
Nenhum desses pontos pesa contra o que os números mostram. O Lakers lidera o Pacífico, e o pivô que custou caro está entre os melhores da liga em três estatísticas ao mesmo tempo. Se a sequência durar até dezembro, Kessler deixa de ser a aposta discutida e passa a ser o motivo de o garrafão do Lakers não ser mais o problema.