Walker Kessler enfrenta o Blazers com o dedo esquerdo imobilizado e uma tarefa clara: segurar Donovan Clingan e Robert Williams III no rebote. O pivô acertou 23 de 28 arremessos na temporada, mas viu o Jazz pegar 20 rebotes ofensivos na vitória que expôs o garrafão do Lakers.
O dedo que ele carrega desde o training camp
O problema não é novo. Kessler machucou o dedo esquerdo ainda no training camp, quando bateu a mão na tabela ao tentar um toco, e ficou fora dos três primeiros jogos da pré-temporada. Na época, JJ Redick tratou o caso como coisa pequena.
“Não é preocupante. Ele vai jogar na pré-temporada.”
JJ Redick, técnico do Lakers, no training camp
Ele jogou, e bem: estreou contra o Warriors na pré-temporada com 11 pontos e 9 rebotes em 16 minutos. Mas o dedo nunca saiu do relatório. Em Utah, no domingo, entrou em quadra com uma tala na mão esquerda, e o Lakers voltou a listá-lo para o jogo desta noite, como disponível.
O começo de temporada em três noites
Os números do pivô contam duas histórias. A primeira é de eficiência rara para quem chegou ao time na offseason:
- Contra o Warriors, 26 pontos, 9 rebotes e 2 tocos, com 12 acertos em 12 arremessos.
- Contra o Clippers, 22 pontos, 8 rebotes, 6 tocos e 3 roubos de bola.
- Contra o Jazz, 2 pontos e 7 rebotes em 28 minutos, com quatro faltas.
A segunda história está na terceira linha. Na volta à casa onde jogou quatro temporadas, Kessler teve a noite mais discreta desde que chegou, e o garrafão do Lakers sentiu. O Jazz pegou 52 rebotes contra 31, 20 deles no ataque, e fez 58 pontos no garrafão contra 30. A vitória veio nos 52 pontos de Luka Doncic.
Somando os três jogos, o time já cedeu 46 rebotes ofensivos, mais de 15 por partida. É o ponto fraco de um começo que, no resto, tem sido quase perfeito.
O garrafão que o Blazers traz
O adversário desta noite é justamente o pior para esse problema. Donovan Clingan liderou a NBA em rebotes ofensivos na temporada passada, com 347, recorde do Blazers, e média de 4,5 por jogo. Nos dois primeiros jogos de 2026-27, jogou só 21 minutos em cada um e ainda somou 17 rebotes.
Quando Clingan senta, entra Robert Williams III, que pegou 10 rebotes em 15 minutos contra o Suns e acertou os seis arremessos que tentou contra o Kings. O revezamento deixa sempre um pivô descansado em quadra, e o resultado aparece no total: 56 rebotes na estreia e 45 no segundo jogo, com 29 no ataque somando as duas partidas.
O Blazers já tinha sido o time com mais pontos de segunda chance da liga em 2025-26, com 18,4 por jogo. Com Damian Lillard e Ja Morant arremessando de fora, a bola que sobra no aro vale ainda mais.
O que o Lakers precisa dele
A conta para Kessler é simples de enunciar e difícil de cumprir. Ele precisa ficar em quadra, longe das faltas que o tiraram do ritmo em Utah, e precisa bloquear Clingan antes de pensar no toco. Contra o Clippers, quando teve espaço para proteger o aro, o Lakers levou a melhor no garrafão. Contra o Jazz, quando o rival foi para cima dele no rebote, o time perdeu a briga.
O dedo imobilizado complica o detalhe que mais importa nesse duelo: segurar a bola no meio do tráfego. Até aqui, não atrapalhou o arremesso, como mostra o aproveitamento. O teste desta noite é outro, e acontece longe da cesta, no empurra-empurra antes de a bola cair.
A bola sobe à 0h desta quarta, na Crypto Arena, com transmissão do Prime Video. Se Kessler ganhar a briga com o pivô do Blazers, a invencibilidade fica muito mais perto de chegar ao quarto jogo.