Luka Doncic fez 52 pontos em Salt Lake City, mas depois do jogo dedicou um recado a Walker Kessler, que teve a noite mais discreta desde que chegou ao Lakers, com 2 pontos e 7 rebotes. O esloveno pediu ao pivô que esquecesse a partida e lembrou que o time está com ele. Kessler admitiu que a emoção atrapalhou.
O recado de Doncic
Na entrevista depois da vitória por 132 a 123, Doncic foi perguntado sobre o companheiro. Segundo Khobi Price, do California Post, citado pelo ClutchPoints, a resposta foi de líder: reconheceu a noite ruim, lembrou o que Kessler já tinha feito e encerrou o assunto.
“Obviamente, não foi o melhor jogo dele. Mas vencemos, e ele fez dois primeiros jogos fantásticos. Eu disse a ele para seguir em frente: vencemos este jogo e estamos com você.”
Luka Doncic, sobre Walker Kessler
A frase pesa porque vem de quem carregou o time naquela noite. Doncic acertou 17 de 30 arremessos, deu 10 assistências e ouviu a torcida do Jazz gritar MVP. Mesmo assim, fez questão de proteger o pivô que o Lakers trouxe para ser a terceira peça do time.
O que Kessler disse
Kessler não fugiu do assunto quando foi perguntado sobre a noite. Segundo o The Athletic, admitiu que entrou em quadra carregado de emoção, na primeira vez que voltou à Delta Center desde a troca casada com a renovação, no verão.
“Acho que, antes do jogo, deixei as emoções tomarem conta de mim. Mas você precisa aprender com esses momentos e seguir em frente. Estou feliz por termos vencido. Tenho muito a agradecer aos meus companheiros, a todos eles. Todos cumpriram seus papéis e fizeram um ótimo trabalho, mesmo não tendo sido a minha melhor noite.”
Walker Kessler, ao The Athletic
A frase mostra um jogador que sabe o peso do momento. Kessler passou quatro temporadas no Jazz, entrou no time ideal de novatos em 2023 e virou a referência da defesa do time em 2024-25. Voltar como adversário, poucos meses depois de sair, não é uma noite qualquer.
Uma noite fora da curva
O contraste com os dois primeiros jogos é grande. Na estreia, contra o Warriors, Kessler acertou os 12 arremessos que tentou e fez 26 pontos. No clássico, deu 6 tocos e esteve em todo lugar no terceiro quarto. Em Utah, tentou só dois arremessos e cometeu 4 faltas, o que limitou os minutos dele.
O garrafão foi o ponto fraco do Lakers no jogo. O Jazz pegou 51 rebotes contra 30 e fez 58 pontos na área pintada. Do lado de lá, Jaxson Hayes, ex-pivô do Lakers, fez 9 pontos com 4 de 5 nos arremessos, e Ace Bailey pegou 12 rebotes. Sem Kessler no nível dos primeiros jogos, a proteção do aro sofreu.
A cobrança sobre ele é natural. O Lakers fechou com o Jazz uma troca casada com a renovação de quatro anos e US$ 130 milhões e entregou duas escolhas de primeira rodada sem proteção, de 2031 e 2033. A aposta foi feita para ter um pivô que protege o aro e pega rebote todas as noites. Por isso, uma partida de 30 rebotes contra 51 chama atenção, mesmo na vitória. Ao mesmo tempo, os dois primeiros jogos mostraram que a aposta tem fundamento: Kessler abriu a temporada acertando 22 dos 26 arremessos que tentou, com 8 tocos em duas noites.
A vitória que os companheiros garantiram
Foi por isso que Kessler fez questão de agradecer. Luka Doncic fez 52 pontos e Austin Reaves 29, mas a contribuição foi além dos dois. Matisse Thybulle e Ziaire Williams acertaram três bolas de três cada um, Collin Sexton, ex-companheiro dele em Utah, fez 13 pontos saindo do banco, e Sandro Mamukelashvili somou 9 pontos e 3 rebotes nos 21 minutos em que substituiu o titular.
No fim do jogo, Kessler ainda viu de perto a torcida do Jazz gritar MVP para Doncic, uma cena que ele chamou de loucura. A noite ruim individual terminou com a melhor sensação possível: vitória fora de casa e o time invicto.
O que vem pela frente
Mesmo com a noite discreta, Kessler segue com números de destaque na temporada: 16,7 pontos e 8 rebotes por jogo, com 82,1% nos arremessos. É o terceiro cestinha do Lakers, atrás de Doncic e Reaves, e o principal reboteiro do time.
O próximo adversário é o Blazers, na Crypto Arena, à 0h de quarta, com transmissão do Prime Video. Longe da carga emocional de Salt Lake City, a tendência é ver de volta o pivô dos dois primeiros jogos. O Lakers precisa dele: a semana tem ainda o Clippers no dia seguinte e o Warriors na sexta, e os dois atacam o garrafão.