Shaq deu um apelido novo a Walker Kessler logo depois da estreia do Lakers, ao vivo no Inside the NBA da ESPN: Milk Chamberlain. A brincadeira com Wilt tem motivo. Kessler acertou os 12 arremessos contra o Warriors, e antes dele só Wilt Chamberlain tinha passado uma noite inteira sem errar pelo Lakers com tantas tentativas, em 1969.
O apelido no fim da entrevista
Kessler entrou no programa direto de Los Angeles, ainda com a vitória por 127 a 105 fresca. Conversou com Ernie Johnson, Kenny Smith, Charles Barkley e Shaquille O’Neal por quase quatro minutos. Quando Ernie já se despedia, Shaq esperou o último segundo para soltar a frase que virou assunto na manhã desta quinta.
“Seu novo apelido é Milk Chamberlain. Eu te amo, Milk.”
Shaquille O’Neal, no Inside the NBA
O estúdio caiu na risada e aprovou na hora. O trocadilho troca o “Wilt” de Chamberlain por “Milk”, leite em inglês, e coloca o pivô de 25 anos ao lado do nome mais pesado da história do garrafão do Lakers. Ele já tinha outro apelido, Xerife, que ganhou na universidade de Auburn. Agora tem um que veio do maior pivô que o Lakers teve nos últimos 30 anos.
O papel que Shaq leu antes do jogo
A paixão de Shaq por Kessler não começou na entrevista. Logo na abertura do programa, ele tirou do bolso um papel adesivo amarelo, conferiu a data com Ernie e leu o que tinha escrito, olhando para a câmera.
“Por muito tempo, os pivôs do Lakers foram históricos e dominantes. Walker Kessler é o melhor pivô da NBA. Vocês ouviram aqui primeiro. E eu não estou brincando.”
Shaquille O’Neal, no Inside the NBA
Barkley, claro, não deixou passar. Quando o programa mostrou que Kessler era o único jogador do Lakers depois de Wilt a fazer pelo menos 12 cestas num jogo sem errar, o comentarista virou para o parceiro: “Caramba, Shaq, você devia ser ruim. Onde você estava?”. Shaq respondeu mostrando um anel, e Barkley avisou a todos que era o anel da equipe da TNT, não o de campeão.
Teve ainda mais um batismo. O programa leu a mensagem de um torcedor: “Teve Kobe e Shaq, agora temos Luka e Kessler”. Do estúdio saiu um nome para a dupla, “Snow Time Lakers”, brincadeira com o Showtime dos anos 1980. Barkley achou o apelido ruim. Shaq, na entrevista, pediu que Kessler abraçasse o nome.
A noite que lembrou Wilt
Os números explicam o carinho. Kessler terminou com 26 pontos, 9 rebotes e 2 tocos, acertou os 12 arremessos que tentou e enterrou 10 vezes. Segundo o EssentiallySports, foi a maior quantidade de enterradas de um jogador do Lakers em um jogo desde março de 2003, quando o próprio Shaq fez 11. A Crypto Arena se levantou para aplaudi-lo quando ele deixou a quadra.
A marca de Wilt é de 11 de março de 1969, contra o Pistons, segundo o ESPN Insights. Kessler ficou a duas cestas de igualá-la, e conseguiu isso no primeiro jogo oficial com a camisa roxa e dourada, depois de chegar do Jazz numa troca em julho.
O que Kessler respondeu
Se a noite foi histórica, Kessler preferiu dividir o mérito. Quando Ernie contou a ele que o último a fazer aquilo pelo Lakers tinha sido Wilt, o pivô riu: “Eu não sabia, mas vocês estão me armando, me comparando com o Wilt”.
“Foi bem fácil jogar com esses caras. Eu só corri a quadra, e eles me acharam. Eles fizeram um trabalho fantástico.”
Walker Kessler, no Inside the NBA
Sobre Doncic, o elogio foi ainda maior. Kessler contou que os dois nem chegaram a combinar as pontes aéreas. “Acho que o Luka, do jeito que ele joga, pega as coisas muito rápido. Ele já sabia que eu corro a quadra. A visão de quadra dele é insana. É como se ele tivesse um terceiro olho”, disse.
Quando Shaq disse que ele jogou “como o melhor pivô da liga” e deu as boas-vindas à “Aliança dos Grandalhões”, Kessler baixou a guarda. “Isso significa muito vindo de você, Shaq. Eu também te amo, cara”, respondeu. E, perguntado sobre a pressão de jogar em Los Angeles, citou a linhagem que agora carrega: “Você olha para o Shaq, o Wilt, o Kareem, esses caras que são historicamente grandes. Não estou dizendo que sou nenhum deles, mas só de estar nessa posição eu sou muito grato”.
O próximo teste
Nem todo mundo no estúdio comprou a empolgação. Barkley quis saber onde o Lakers terminaria, se tem Doncic entre os cinco melhores do mundo e o melhor pivô da liga. Respondeu ele mesmo: em quinto no Oeste, um degrau abaixo da última temporada.
Kessler tem a chance de dar a próxima resposta já na sexta, às 23h, contra Brook Lopez, no clássico com o Clippers. Depois da noite perfeita na estreia, a torcida do Lakers já tem um pivô para amar de novo. E, pelo jeito, Shaq também.