Zach Lowe afirmou que o Lakers pagou demais por Walker Kessler e ficou sem saída para corrigir o elenco: o time não tem escolha de primeira rodada para negociar nos próximos sete anos, e a peça grande que sobra é Austin Reaves. Em julho já perguntávamos se era o pior contrato da offseason.

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Resumo rápido
US$ 130 mi
Contrato de quatro anos de Kessler, fechado em sign-and-trade com o Utah Jazz.
7 anos
Tempo em que o time fica sem nenhuma escolha de primeira rodada negociável.
US$ 480 mi
Total comprometido com Doncic, Reaves e Kessler juntos.
5 jogos
Tudo o que Kessler jogou em 2025-26 antes da cirurgia no ombro esquerdo.
4 fichas
Escolhas e direitos de troca que foram para Utah na negociação.

O que Lowe disse, e por que a conta dele fecha

A avaliação partiu de Zach Lowe, um dos jornalistas mais respeitados na cobertura de elenco e teto salarial da NBA. Ele não questionou o encaixe de Kessler ao lado de Luka Doncic, que é o motivo pelo qual a diretoria foi atrás de um pivô que finaliza perto do aro. Questionou o preço.

“Não há dúvida nenhuma de que eles pagaram demais por ele. Agora precisam descobrir se este é o time, ou se existe uma saída trocando Austin Reaves lá na frente.”

Zach Lowe, jornalista de NBA, em seu podcast

O argumento tem duas pernas. A primeira é o histórico recente: Kessler jogou cinco partidas em 2025-26 antes de operar o ombro esquerdo, e nunca disputou um jogo de playoffs com peso real na carreira. A segunda é o que o time gastou para trazê-lo.

Vale explicar o formato da negociação, porque ele explica o preço. Kessler não foi contratado como agente livre. O Lakers não tinha espaço na folha para assinar um contrato desse tamanho, então o Utah Jazz renovou o jogador e o enviou em seguida numa troca, modelo em que o time que recebe precisa compensar o outro com fichas de draft. É por isso que a negociação custou dinheiro e escolhas ao mesmo tempo, e não apenas dinheiro.

O que saiu do cofre do Lakers na negociação

Ano O que Utah recebeu Proteção
2028 Direito de trocar a escolha de primeira rodada Swap
2030 Direito de trocar a escolha de primeira rodada Swap
2031 Escolha de primeira rodada, sem nenhuma proteção Nenhuma
2033 Escolha de primeira rodada, sem nenhuma proteção Nenhuma
Duas escolhas sem proteção são as que doem: valem o que o time valer em 2031 e 2033.Sign-and-trade fechado com o Utah Jazz nesta offseason.

Escolha sem proteção é a ficha mais cara que existe numa mesa de negociação, porque ela vale exatamente o que o time valer naquele ano. Se o elenco em volta de Doncic envelhecer mal até 2031, é o Jazz quem pega a escolha alta. O Lakers abriu mão desse seguro duas vezes na mesma conversa.

Os US$ 480 milhões que não cabem em três nomes

Contratos vigentes, em milhões de dólares

Posição Jogador Anos Valor total
Ala-armador Austin Reaves 4 185
Armador Luka Doncic 165
Pivô Walker Kessler 4 130
US$ 480 milhões em três jogadores, e só um deles jogou uma temporada inteira em 2025-26.Os valores de Reaves e Kessler foram divulgados. O de Doncic é o que sobra do total de 480.

Com esse comprometimento e sem escolha de draft para oferecer, o Lakers perde as duas moedas que costumam resolver problema de elenco no meio da temporada. O que resta é trocar jogador por jogador, e num elenco de doze nomes com quatro titulares definidos, o único que outro time aceitaria receber de volta é Reaves.

O que Kessler entrega quando está inteiro

A defesa do outro lado também tem número. Nos cinco jogos de 2025-26, antes da lesão, Kessler teve média de 14,4 pontos, 10,8 rebotes, 3 assistências, 1,8 toco e 1,4 roubo, os melhores registros da carreira. Na temporada anterior, com o calendário quase inteiro disputado, foram 11,1 pontos, 12,2 rebotes e 2,4 tocos, além da liderança da liga em rebotes ofensivos.

É esse jogador que Doncic pediu à diretoria. O pedido dele foi específico: um pivô que finaliza no alto do aro e protege o garrafão, para que o ataque não dependa só de arremesso de fora. Kessler é isso quando está em quadra, e a discussão nunca foi sobre a função.

O problema é que o custo da operação apareceu na conta seguinte. Sem escolha de draft para oferecer, o Lakers perdeu a disputa por Jonathan Kuminga, que assinou com o Timberwolves, e passou a offseason inteira sem preencher a vaga de ala-pivô. O que sobrou foi procurar veterano disponível no mercado, que é sempre a última prateleira. A ficha que resolveria essa vaga já estava em Utah.

A conta só fecha com jogos disputados

O elenco principal tem hoje quatro titulares fechados, com Reaves entre eles, e uma vaga de ala-pivô ainda aberta. Trocar Reaves resolveria a folha e abriria espaço para reforço, mas custaria o segundo maior criador do time no mesmo ano em que a comissão pede que o ataque fique mais fácil para Doncic.

Nada disso é decisão de agosto. É decisão de fevereiro, quando o time souber onde está na tabela. O que já está resolvido é o custo: quatro fichas de draft entregues, US$ 130 milhões assinados e um pivô que precisa terminar uma temporada inteira antes que a conta comece a fazer sentido.