Zach Lowe afirmou que o Lakers pagou demais por Walker Kessler e ficou sem saída para corrigir o elenco: o time não tem escolha de primeira rodada para negociar nos próximos sete anos, e a peça grande que sobra é Austin Reaves. Em julho já perguntávamos se era o pior contrato da offseason.
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O que Lowe disse, e por que a conta dele fecha
A avaliação partiu de Zach Lowe, um dos jornalistas mais respeitados na cobertura de elenco e teto salarial da NBA. Ele não questionou o encaixe de Kessler ao lado de Luka Doncic, que é o motivo pelo qual a diretoria foi atrás de um pivô que finaliza perto do aro. Questionou o preço.
“Não há dúvida nenhuma de que eles pagaram demais por ele. Agora precisam descobrir se este é o time, ou se existe uma saída trocando Austin Reaves lá na frente.”
Zach Lowe, jornalista de NBA, em seu podcast
O argumento tem duas pernas. A primeira é o histórico recente: Kessler jogou cinco partidas em 2025-26 antes de operar o ombro esquerdo, e nunca disputou um jogo de playoffs com peso real na carreira. A segunda é o que o time gastou para trazê-lo.
Vale explicar o formato da negociação, porque ele explica o preço. Kessler não foi contratado como agente livre. O Lakers não tinha espaço na folha para assinar um contrato desse tamanho, então o Utah Jazz renovou o jogador e o enviou em seguida numa troca, modelo em que o time que recebe precisa compensar o outro com fichas de draft. É por isso que a negociação custou dinheiro e escolhas ao mesmo tempo, e não apenas dinheiro.
O que saiu do cofre do Lakers na negociação
| Ano | O que Utah recebeu | Proteção |
|---|---|---|
| 2028 | Direito de trocar a escolha de primeira rodada | Swap |
| 2030 | Direito de trocar a escolha de primeira rodada | Swap |
| 2031 | Escolha de primeira rodada, sem nenhuma proteção | Nenhuma |
| 2033 | Escolha de primeira rodada, sem nenhuma proteção | Nenhuma |
Escolha sem proteção é a ficha mais cara que existe numa mesa de negociação, porque ela vale exatamente o que o time valer naquele ano. Se o elenco em volta de Doncic envelhecer mal até 2031, é o Jazz quem pega a escolha alta. O Lakers abriu mão desse seguro duas vezes na mesma conversa.
Os US$ 480 milhões que não cabem em três nomes
Contratos vigentes, em milhões de dólares
| Posição | Jogador | Anos | Valor total |
|---|---|---|---|
| Ala-armador | Austin Reaves | 4 | 185 |
| Armador | Luka Doncic | – | 165 |
| Pivô | Walker Kessler | 4 | 130 |
Com esse comprometimento e sem escolha de draft para oferecer, o Lakers perde as duas moedas que costumam resolver problema de elenco no meio da temporada. O que resta é trocar jogador por jogador, e num elenco de doze nomes com quatro titulares definidos, o único que outro time aceitaria receber de volta é Reaves.
O que Kessler entrega quando está inteiro
A defesa do outro lado também tem número. Nos cinco jogos de 2025-26, antes da lesão, Kessler teve média de 14,4 pontos, 10,8 rebotes, 3 assistências, 1,8 toco e 1,4 roubo, os melhores registros da carreira. Na temporada anterior, com o calendário quase inteiro disputado, foram 11,1 pontos, 12,2 rebotes e 2,4 tocos, além da liderança da liga em rebotes ofensivos.
É esse jogador que Doncic pediu à diretoria. O pedido dele foi específico: um pivô que finaliza no alto do aro e protege o garrafão, para que o ataque não dependa só de arremesso de fora. Kessler é isso quando está em quadra, e a discussão nunca foi sobre a função.
O problema é que o custo da operação apareceu na conta seguinte. Sem escolha de draft para oferecer, o Lakers perdeu a disputa por Jonathan Kuminga, que assinou com o Timberwolves, e passou a offseason inteira sem preencher a vaga de ala-pivô. O que sobrou foi procurar veterano disponível no mercado, que é sempre a última prateleira. A ficha que resolveria essa vaga já estava em Utah.
A conta só fecha com jogos disputados
O elenco principal tem hoje quatro titulares fechados, com Reaves entre eles, e uma vaga de ala-pivô ainda aberta. Trocar Reaves resolveria a folha e abriria espaço para reforço, mas custaria o segundo maior criador do time no mesmo ano em que a comissão pede que o ataque fique mais fácil para Doncic.
Nada disso é decisão de agosto. É decisão de fevereiro, quando o time souber onde está na tabela. O que já está resolvido é o custo: quatro fichas de draft entregues, US$ 130 milhões assinados e um pivô que precisa terminar uma temporada inteira antes que a conta comece a fazer sentido.