Walker Kessler e Collin Sexton voltaram a jogar juntos antes mesmo da pré-temporada. Os dois reforços do Lakers apareceram em rachas abertos do Big A Classic, em Atlanta, no início de agosto de 2026. Para Kessler, que operou o ombro esquerdo na temporada passada, é o sinal mais concreto de recuperação até aqui.

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Resumo rápido
  • Kessler e Sexton jogaram rachas do Big A Classic, em Atlanta, no dia 2 de agosto.
  • Kessler chegou por sign-and-trade: quatro anos e US$ 130 milhões, com opção de jogador.
  • O Lakers enviou ao Jazz primeiras rodadas sem proteção de 2031 e 2033.
  • Sexton assinou por dois anos e US$ 19 milhões, também com opção de jogador.
  • A estreia do Lakers é em 5 de outubro, contra o Sacramento.

Racha de bairro, contrato de US$ 130 milhões

O vídeo circulou no dia 2 de agosto, publicado pelo perfil Swish Cultures. Nele, Sexton conduz, chama o bloqueio e serve Kessler no rolamento. Duas, três vezes seguidas. Nada de novo para quem acompanhou os dois no Jazz, exceto por um detalhe: agora é o Lakers que paga a conta.

O Big A Classic é um circuito de rachas abertos em Atlanta, cidade natal de Kessler. Sexton cresceu em Marietta, a meia hora dali. Os dois não precisaram de convite formal nem de instalação da franquia para aparecer. Apareceram porque estavam em casa e porque agosto é o mês em que jogador de NBA decide, na surdina, o tipo de temporada que vai ter.

A dupla que o Jazz montou e o Lakers herdou

Sexton e Kessler dividiram vestiário em Utah por três temporadas. Ao Sports Illustrated, o armador tratou a reaproximação como continuidade, não como recomeço.

“Eu e o Walker construímos uma relação muito boa nos últimos quatro ou cinco anos. Ontem mesmo, no 3 contra 3, a gente ainda estava conectado. É legal”, disse Sexton.

A leitura interessa ao Lakers por um motivo bem prático. Kessler não é pivô de arremesso. Ele vive de rolamento, de rebote ofensivo e de finalização acima do aro, o que exige um armador capaz de enxergar a janela antes dela abrir. Em 2024-25, o pivô liderou a NBA em rebotes ofensivos, com 4,6 por jogo, e fechou o ano com 11,1 pontos, 12,2 rebotes e 2,4 tocos de média.

Sobre o companheiro, Sexton foi direto: “A mentalidade dele. Ele chega e dá tudo o que tem, todas as noites. É uma dessas pessoas muito competitivas.”

O ombro esquerdo é a variável

A temporada 2025-26 de Kessler durou cinco jogos. Ele começou forte, com 14,4 pontos e 10,8 rebotes de média, e parou por causa de uma lesão no labrum do ombro esquerdo, que exigiu cirurgia e o tirou do resto do calendário. Foi esse o histórico que o Jazz tinha em mãos quando ofereceu uma extensão de cerca de US$ 140 milhões por cinco anos, recusada pelo jogador.

O Lakers pagou mesmo assim: quatro anos e US$ 130 milhões, com opção de jogador na última temporada e trade kicker integral. Segundo a ESPN, o pacote enviado a Utah inclui primeiras rodadas sem proteção em 2031 e 2033, além de trocas de posição de escolha em 2028 e 2030. É preço de aposta, não de certeza. Ver o pivô disputando bola em racha aberto vale menos que um exame de imagem, mas vale alguma coisa.

O pivô que Doncic pediu

A operação não nasceu em julho. Quando assinou a extensão de três anos e US$ 165 milhões, Luka Doncic ouviu da diretoria a promessa de um pivô de elite no verão seguinte. Kessler era o nome desde sempre, e a franquia tentou chegar nele por mais de um ciclo. Na primeira entrevista coletiva com o uniforme novo, o pivô descreveu a parceria em termos pouco românticos.

“O passe dele é muito bom. Ele tem uma presença enorme em quadra. Isso facilita a vida dos outros quatro caras que estão ali. E o que eu posso fazer por ele é jogar defesa, colocar bloqueios bons, dar algumas assistências”, afirmou Kessler.

JJ Redick quer mais que isso. O técnico pediu que Kessler siga desenvolvendo o arremesso de três, ensaiado em doses pequenas antes da lesão. Se der certo, o Lakers ganha espaçamento sem abrir mão de proteção de aro. Se não der, ainda sobra o melhor finalizador de rolamento que a franquia tem há bastante tempo.

O primeiro elenco sem LeBron desde 2018

O contexto muda tudo. LeBron James assinou com o 76ers por dois anos e US$ 8 milhões e encerrou oito temporadas em Los Angeles. O time que se apresenta em outubro é o primeiro em quase uma década montado sem a gravidade dele no centro. Além de Kessler e Sexton, chegaram Quentin Grimes, por quatro anos e US$ 60 milhões, e Sandro Mamukelashvili, por quatro anos e US$ 52 milhões.

Sexton assinou por dois anos e US$ 19 milhões, com opção de jogador, depois de uma temporada de 15,4 pontos por jogo em 68 partidas. É contrato de rotação, não de estrela, e faz sentido justamente pelo que apareceu no vídeo de Atlanta: ele já sabe onde o pivô vai estar.

O que cabe ler em um racha de agosto

Racha de agosto não decide nada. Não tem defesa de verdade, não tem esquema, não tem placar que importe. O que ele mostra é quem está em quadra e em que condição. Neste caso, mostrou um pivô de 2,18 m se movendo sem proteger o ombro e um armador que ainda enxerga o corte antes dele acontecer. Em 5 de outubro, no Golden 1 Center, isso vai custar bem mais caro. Por enquanto, é a primeira prova de vida da nova era do Lakers, filmada de celular, numa quadra pública de Atlanta.