Robert Horry disse que Walker Kessler decide mais a temporada do Lakers do que Luka Doncic e Austin Reaves. O argumento é a proteção do aro, que o time não tem desde Anthony Davis. Em agosto nós publicamos a leitura oposta, a de que o contrato dele prende a franquia.

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Resumo rápido
2º da NBA
Posição de Kessler em tocos por jogo em 2024-25, atrás só de Wembanyama
2,3 a 2,4
Tocos por jogo em cada uma das três primeiras temporadas dele, todas pelo Jazz
1,0 e 0,8
O que Ayton e Hayes deram de toco no Lakers na temporada passada
5 jogos
Tudo o que ele jogou em 2025-26 antes da cirurgia no ombro esquerdo

O que Horry disse no rádio

A fala saiu no programa Mason & Ireland, da ESPN de Los Angeles. Horry ganhou três títulos pelo Lakers e sete no total, e passou a offseason inteira sendo perguntado sobre o time montado em volta de Doncic. Quando chegou no pivô, ele mudou o tom.

“Quando você vê o que o Walker Kessler traz para o jogo, ele é muito habilidoso, e a gente não tem um pivô que dê toco daquele jeito e ainda saia para o arremesso de três desde o AD. Vai ser interessante ver o que ele consegue fazer, porque ele é a chave. Não é o Luka, não é o AR. É ele.”

Robert Horry, tricampeão pelo Lakers, no programa Mason & Ireland

Horry comenta basquete todo dia e não é obrigado a acertar prognóstico. O que interessa é que a tese dele se confere na tabela.

Kessler foi o segundo maior tocador da NBA

Em 2024-25, a última temporada que ele jogou inteira, Kessler deu 2,4 tocos por jogo em 58 partidas. Só Victor Wembanyama ficou na frente, com 3,8. Nenhum outro pivô da liga passou de 2,0.

Tocos por jogo na NBA em 2024-25
Wembanyama
3,8
Kessler
2,4
Myles Turner
2,0
Brook Lopez
1,9
Evan Mobley
1,6
Temporada regular de 2024-25, jogadores com pelo menos 45 jogos.

E não foi um ano solto. Ele deu 2,3, 2,4 e 2,4 tocos por jogo nas três primeiras temporadas da carreira, todas pelo Jazz. Nenhum jogador tinha começado assim desde Tim Duncan, entre 1997 e 2000.

O buraco que o Lakers foi tapar

A parte da fala que mais dói é a comparação com Anthony Davis, e ela é justa. Desde que Davis saiu na troca por Doncic, o garrafão do Lakers ficou dividido entre Deandre Ayton e Jaxson Hayes, e os dois somados não chegam ao que um pivô de elite entrega sozinho.

Pivô Temporada Jogos Tocos Rebotes
Walker Kessler 2024-25, Jazz 58 2,4 12,2
Anthony Davis 2023-24, Lakers 76 2,3 12,6
Deandre Ayton 2025-26, Lakers 72 1,0 8,0
Jaxson Hayes 2025-26, Lakers 66 0,8 4,1

É por isso que a troca custou o que custou. O Lakers entregou duas escolhas de primeira rodada sem proteção e dois swaps para tirar Kessler do Jazz, e depois assinou com ele por quatro anos. Quem paga esse preço não está comprando pontos, está comprando o que acontece quando o adversário ataca a cesta.

A ressalva que o próprio Horry fez

Horry não vendeu certeza. Ele mesmo lembrou que Kessler jogou cinco partidas em 2025-26 antes de a cirurgia no ombro esquerdo encerrar a temporada dele, e que voltar de uma parada dessas não é automático. Um pivô que vive de subir para bloquear precisa do ombro em ordem.

Os números daqueles cinco jogos são bons demais para servir de prova: 14,4 pontos, 10,8 rebotes e 70,3% de aproveitamento de quadra. Em cinco jogos qualquer coisa cabe. O que sustenta a tese são as três temporadas anteriores, e essas ele jogou inteiras.

Por que isso mexe com o ataque de Doncic

O outro lado da fala de Horry é o ataque, e ali a conta é mais simples. Doncic vive de atrair dois marcadores e achar quem corta para a cesta. Kessler é exatamente esse jogador: pega o bloqueio, mergulha no garrafão e finaliza em cima do aro sem precisar que a jogada seja armada para ele.

E tem a parte que Horry citou de passagem, o arremesso de fora. Kessler tentou pouca bola de três na carreira, mas o suficiente para o marcador dele não poder ficar plantado embaixo da cesta. Em um plantel atual que perdeu LeBron James e não repôs criação, cada metro que se abre no garrafão vale mais do que valia no ano passado.

A tese de Horry é forte porque não depende de Kessler virar outro jogador. Depende de ele ser o que já era, com o ombro em ordem, ao lado do melhor passador da liga. Se isso acontecer, a discussão sobre o preço da troca se encerra sozinha em novembro.