Walker Kessler lançou a primeira bola do jogo dos Dodgers na noite de quinta-feira, no Lakers Night do Dodger Stadium, e acertou em cheio. O reforço mais caro da offseason apareceu em um evento que existe por causa da ligação entre os dois times, a mesma que agora corre risco com a troca de dono.
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O que aconteceu no gramado
O Lakers Night é uma noite temática que o time de beisebol dedica ao vizinho de cidade, e nesta edição a franquia mandou dois nomes ao gramado. Walker Kessler lançou a primeira bola e mandou um strike, o que em uma cerimônia dessas já conta como vitória. Cameron Carr, calouro que apareceu bem na Summer League, também teve a sua vez.
Parece cerimônia protocolar, e é. Só que ela acontece em um momento em que a relação entre as duas marcas deixou de ser detalhe de calendário e virou assunto de bastidor.
Por que essa noite diz mais do que parece
A aproximação entre Lakers e Dodgers foi construída por Mark Walter, dono das duas operações, e chegou a virar promessa de gestão: transformar o time de basquete em uma cópia do modelo que fez o time de beisebol ganhar duas World Series seguidas. Contratações foram feitas nesse desenho, a começar por Lon Rosen, que passou mais de dez anos como chefe de marketing dos Dodgers antes de assumir a presidência de negócios do Lakers.
Com a venda do controle para Josh Kushner e Bob Iger, ninguém sabe quanto dessa engrenagem sobrevive. Dan Woike, do The Athletic, apurou que não seria surpresa se parte das contratações do último ano fizesse o caminho de volta para o beisebol. Uma noite temática no Dodger Stadium, nesse contexto, é ao mesmo tempo tradição recente e retrato de uma parceria com prazo indefinido.
Vale lembrar quem mais estava ali. Cameron Carr é o nome novo que a torcida passou a acompanhar depois da Summer League, e mandar um calouro ao gramado junto do reforço mais caro é a forma mais barata que um time tem de apresentar o futuro sem prometer nada. O Lakers fez isso na mesma noite, diante de um estádio cheio, em uma cidade onde as duas torcidas se misturam.
Há também o calendário jogando a favor. Em setembro não existe jogo de basquete, o mercado parou e a diretoria está impedida de fazer contratação grande enquanto a venda não é aprovada. Sobra aparecer. Foi o que o time fez, e não é pouco para quem precisa manter a temporada viva na conversa até outubro.
O que Kessler representa no elenco
Ele é a cara da offseason. O Lakers pagou US$ 130 milhões em quatro anos e entregou quatro fichas de draft ao Utah Jazz para ter um pivô que finaliza perto do aro e protege o garrafão, exatamente o pedido que Luka Doncic fez à diretoria. É o tipo de aposta que define uma temporada inteira, e é por isso que cada aparição dele fora de quadra vira notícia.
A conta ainda não fechou. Kessler disputou cinco jogos na temporada passada antes de operar o ombro esquerdo, e a franquia precisa vê-lo inteiro por 82 jogos antes de saber o que comprou. O elenco atual depende dele no garrafão, sem alternativa de mesmo nível no banco.
Um detalhe ajuda a dimensionar a aposta. Sem escolha de primeira rodada para negociar nos próximos anos, o time abriu mão do seguro que costuma corrigir erro de elenco no meio do caminho. Se Kessler entregar o que prometeu, a conta some. Se não entregar, não há ficha guardada para consertar.
De cerimônia a training camp
Setembro é assim: o basquete some do calendário e sobra o que acontece em volta dele. Em cerca de um mês o training camp abre, e as perguntas que importam voltam de uma vez, a começar pela vaga de titular que segue aberta na ala.
Até lá, uma bola bem lançada no Dodger Stadium é o que o Lakers tem para mostrar. Vale pela imagem e não vale nada na tabela, o que é a definição exata de setembro para quem torce.