O Lakers entregou duas escolhas de primeira rodada sem protecao por Walker Kessler, que jogou so cinco partidas na ultima temporada. O pivô operou o ombro esquerdo em novembro e volta agora, com contrato de quatro anos e 130 milhões de dólares, para ser o titular de um time que não tem plano B no garrafão.
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O que o Lakers pagou
A troca foi fechada em 9 de julho. Para o Utah foram duas escolhas de primeira rodada sem nenhuma proteção, as de 2031 e 2033, mais o direito de trocar posição de escolha em 2028 e 2030. Escolha sem proteção é a modalidade mais cara que existe: vale o que valer, inclusive se o Lakers for um time ruim naquele ano e a escolha cair entre as cinco primeiras.
Depois veio o contrato, de quatro anos e 130 milhões de dólares. Somando as duas coisas, é o tipo de investimento que só se faz quando o time decidiu que resolveu a posição por uma década. E é por isso que o ombro dele importa tanto.
O jogador que ele era antes de parar
Kessler tem 2,16 metros e faz uma coisa muito bem: protege o aro e converte o que pega perto dele. Em quatro temporadas pelo Utah, foram 2,4 tocos por jogo e 68,1% de aproveitamento de quadra, número que quase ninguém sustenta porque quase ninguém arremessa só de onde ele arremessa.
A leitura da tabela é direta. A cada ano ele fez mais com mais minutos, e as cinco partidas de 2025-26 foram as melhores da carreira: 14,4 pontos, 10,8 rebotes e 70,3% de quadra, além de seis acertos em oito tentativas de três, algo que ele nunca tinha feito. Foi exatamente aí que o ombro cedeu.
E não é bom só para o padrão de um titular: é bom para o padrão da liga inteira. Em 2024-25, a última temporada completa que ele jogou, Kessler terminou em segundo lugar entre todos os jogadores da NBA em tocos por jogo. À frente dele, só Victor Wembanyama, com 3,8. Atrás, gente como Myles Turner, que já liderou a estatística duas vezes na última década e fechou aquele ano com 2,0. Não é um protetor de aro competente: é um dos dois melhores que existem hoje na função.
Os rebotes por temporada, e o salto que ficou pela metade
O salto de 2024-25 foi real: 12,2 rebotes por jogo em 58 partidas, com 30 minutos por noite. É o número de um titular de verdade. O que veio depois tem cara de continuação, mas cinco jogos não provam nada, em nenhuma direção.
O que a lesão significa de fato
Foi um rompimento no lábio do ombro esquerdo, operado no início de novembro, com a temporada encerrada ali. É uma cirurgia com recuperação longa e previsível, e a rigor ele teve quase um ano inteiro para voltar. O calendário está a favor.
O que preocupa não é o prazo, é o tipo de jogador. Kessler vive de disputa física embaixo da cesta, rebote de ataque e bloqueio com o braço estendido. Nenhuma dessas ações é gentil com um ombro operado, e a confiança para repetir o movimento sem pensar costuma demorar mais que a alta médica.
Por que não existe rede de segurança
Se ele não voltar inteiro, o plantel do Lakers não tem substituto do mesmo tipo. Kevon Looney chega para dar minutos honestos e rebote, não para proteger o aro como titular. Sandro Mamukelashvili joga de pivô em emergência, mas é outro jogador, mais de perímetro. A franquia tentou o ano inteiro achar mais um homem de garrafão e não achou.
Por isso o Media Day de 28 de setembro e a abertura do camp no dia seguinte viraram data marcada. Não é para saber se Kessler está liberado, porque isso já se sabe. É para ver como ele disputa a primeira bola dividida, e se o braço sobe sem hesitação. Duas escolhas sem proteção e 130 milhões de dólares dependem dessa resposta, e ela não aparece em exame nenhum.