O Lakers volta ao trabalho em 28 de setembro, no Media Day, e abre o training camp no dia seguinte, com cinco perguntas grandes em aberto. Nenhuma delas se resolve em entrevista: todas dependem de quadra, e o time tem duas semanas até o primeiro jogo de pré-temporada, em 5 de outubro.
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Quem fecha o quinteto titular
Quatro nomes estão no quinteto sem discussão: Doncic, Reaves, Quentin Grimes e Kessler. A vaga aberta é a de ala-pivô, e ela segue aberta desde que a negociação por Jonathan Kuminga morreu. Tem candidato demais e vaga de menos dentro do elenco do Lakers.
Sandro Mamukelashvili dá tamanho e arremesso de fora, mas não marca ala. Jarred Vanderbilt defende quase todas as posições e não arremessa. Matisse Thybulle é o melhor marcador de perímetro do grupo e não é arremessador de volume. Jake LaRavia abre a quadra quando a mão está calibrada. Ziaire Williams, que joga na ala, foi o único a dizer em voz alta que se vê titular. Cada um resolve uma coisa e cria outro problema, e é por isso que a disputa vai até outubro.
Quem sai dos 16 para 15
O time tem 16 contratos padrão e a liga permite 15. A conta não é opcional e não tem saída elegante: alguém é cortado, trocado ou convencido a aceitar uma saída. Quem está na linha de corte é justamente quem não ganhar minuto no camp.
O detalhe que complica é financeiro. O Lakers já passou da linha do imposto de luxo, e como pagante repetidor cada dólar sai triplicado. Cortar custa dinheiro, porque o salário continua pesando. Trocar exige achar quem queira. É o tipo de decisão que a comissão adia até o último dia possível, e o último dia possível chega em outubro.
O ombro do Kessler aguenta uma temporada inteira
Kessler jogou cinco partidas na temporada passada antes da cirurgia no ombro esquerdo. Cinco. O Lakers pagou duas escolhas de primeira rodada sem proteção por ele e vai começar a temporada com o garrafão inteiro dependendo de um jogador que não completou um mês de trabalho no ano anterior.
O camp não responde isso, porque ninguém se machuca em treino de setembro. O que ele mostra é outra coisa: quantos minutos seguidos o Kessler aguenta, se ele sobe para o rebote sem poupar o braço e se a comissão já trata Kevon Looney como reserva imediato ou como emergência.
Quanta bola sobra depois de Doncic e Reaves
Collin Sexton e Quentin Grimes chegaram de times onde tinham a bola na mão. Vão encontrar dois donos já estabelecidos e uma hierarquia que ninguém precisa anunciar para existir.
O camp é onde isso se acerta sem barulho. JJ Redick vai testar formações com Sexton comandando o segundo time, vai ver se Grimes joga melhor como segundo ou terceiro homem e vai descobrir se algum dos dois fica incomodado com a função. Jogador descontente em outubro vira problema de imprensa em janeiro.
A defesa sai do último terço da liga
O Lakers terminou a temporada passada em 19º entre 30 times na defesa, e isso com LeBron James ainda em quadra. A franquia respondeu contratando Thybulle, Ziaire Williams e Kessler, os três com fama de defender. Só que defesa não é soma de indivíduos, é combinação ensaiada.
Um dirigente da NBA, ouvido em anonimato por Keith Smith, do Spotrac, riu quando perguntaram sobre esse elenco e disse que Redick mereceria o prêmio de Treinador do Ano se colocasse o grupo entre as vinte melhores defesas. O camp é onde a piada começa a ser respondida, ou confirmada.
Tem um detalhe de calendário a favor do time. Os cinco jogos de pré-temporada acontecem entre 5 e 16 de outubro, com uma parada de três dias no meio, e a estreia oficial só vem em 21 de outubro, contra o Warriors. São dezesseis dias entre o primeiro teste de verdade e o jogo que vale, tempo suficiente para corrigir o que o camp mostrar de errado.
O que o camp não vai resolver
Duas coisas ficam de fora, e é bom separar. A primeira é disponibilidade: Doncic jogou 64 partidas na temporada passada e Reaves, 51, e nenhum treino de setembro garante que isso melhore. A segunda é o mercado, que continua aberto e pode trazer um ala até a virada do ano, mudando metade das contas acima.
Setembro dá a fotografia inicial, e ela serve para saber de quais problemas o time ainda vai falar em dezembro e quais morreram na primeira semana de treino. Nenhum título se ganha em training camp, mas já se perdeu temporada ali, quando um time chega em outubro sem saber quem joga, quem sai do banco e quem sobra.