O Lakers passou da linha do imposto de luxo para montar o elenco de 2026-27, e mesmo assim quem pode decidir a temporada custa quase nada. Thybulle, Ziaire Williams e Jake LaRavia somam US$ 10,8 milhões, contra os US$ 200,9 milhões da folha inteira. Walker Kessler é a exceção cara, e Arthur Kaluma nem entra na conta.

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Resumo rápido
US$ 10,8 mi
O que Thybulle, Ziaire Williams e LaRavia custam somados nesta temporada.
2 roubos
A média de Thybulle por jogo em 2025-26, com apenas 16 minutos em quadra.
82 jogos
LaRavia foi o único dos quatro que não perdeu uma partida na temporada passada.
5 jogos
O que Kessler conseguiu jogar antes da cirurgia no ombro esquerdo.
50 partidas
O teto que o contrato de duas vias impõe a Kaluma pelo time principal.

Quanto custa cada um deles

Os 16 contratos padrão do Lakers somam US$ 201,3 milhões, e três quintos desse dinheiro estão em Luka Doncic, Austin Reaves e Kessler. A metade de baixo da lista é de preço de banco. Thybulle e Ziaire Williams recebem exatamente US$ 2.449.421, o mínimo de veterano desta temporada. LaRavia custa US$ 6 milhões. Kaluma tem contrato de duas vias e fica fora do cálculo do teto e do imposto.

Salários em 2026-27
Um caro e três de preço de banco
Walker Kessler
US$ 30,2 mi
Jake LaRavia
US$ 6,0 mi
Matisse Thybulle
US$ 2,4 mi
Ziaire Williams
US$ 2,4 mi
Arthur Kaluma
Duas vias
Barras em escala sobre o salário de Kessler. Contrato de duas vias não entra no teto nem no imposto. Valores do Basketball-Reference.

Nenhum dos quatro chegou com vaga garantida no quinteto. Todos chegaram com minuto disponível na frente, que é coisa diferente. O elenco atual ainda tem 16 contratos padrão para 15 vagas, e o corte de outubro vai sair de algum lugar.

Thybulle rouba duas bolas por jogo em 16 minutos

Thybulle jogou 30 partidas pelo Portland na temporada passada e ficou 16 minutos em quadra por noite. Nesse tempo curto tirou 2 bolas por jogo do adversário. Em ritmo de 36 minutos aquilo passa de quatro roubos, e é o número que explica por que a torcida do Lakers pedia o nome dele havia anos.

O que ele faz nunca foi a dúvida. A dúvida é estar em quadra. Foram 30 jogos em 2025-26 e 15 em 2024-25, e a carreira inteira tem esse desenho. Se ele se mantiver inteiro, o time ganha por US$ 2,4 milhões o melhor marcador de perímetro do grupo, e JJ Redick recupera a função que teve com Marcus Smart, agora em um jogador mais alto e mais novo.

E o arremesso deixou de ser problema: 39,8% nos três na temporada passada, o melhor índice entre os quatro que chegaram.

O que cada um fez na temporada passada
Médias de 2025-26, antes de vestirem a camisa do Lakers
Walker Kessler
Walker Kessler
Los Angeles Lakers
2025-26
Matisse Thybulle
Matisse Thybulle
Los Angeles Lakers
2025-26
Jake LaRavia
Jake LaRavia
Los Angeles Lakers
2025-26
Ziaire Williams
Ziaire Williams
Los Angeles Lakers
2025-26
Pontos por jogo
Kessler
14,4
Thybulle
5,8
LaRavia
8,2
Williams
10,2
Rebotes por jogo
Kessler
10,8
Thybulle
2,0
LaRavia
4,0
Williams
2,4
Roubos por jogo
Kessler
1,4
Thybulle
2,0
LaRavia
1,3
Williams
1,4
Tocos por jogo
Kessler
1,8
Thybulle
0,5
LaRavia
0,5
Williams
0,4
Kessler só teve cinco jogos antes da cirurgia no ombro, e mesmo assim pegou quase 11 rebotes por noite. Thybulle rouba duas bolas por jogo saindo do banco, em 16 minutos.Kessler jogou 2025-26 pelo Utah Jazz. Thybulle jogou 2025-26 pelo Portland Trail Blazers. Williams jogou 2025-26 pelo Brooklyn Nets.A barra compara os jogadores entre si, não com o resto da liga. Fonte: ESPN.

LaRavia não perdeu um jogo, e perdeu o arremesso

LaRavia é o inverso. Jogou as 82 partidas da temporada regular, o único dos quatro que não ficou de fora de nenhuma, e ainda assim terminou o ano com a torcida cansada dele. O motivo cabe em um número: acertou 32,1% dos três. Na temporada anterior, dividida entre Memphis e Sacramento, ele tinha acertado 42,3%.

Dez pontos percentuais é uma queda enorme para quem entra em quadra justamente para abrir a quadra e converter o que sobra. Ele faz 25 anos poucos dias depois da estreia, passou os três primeiros anos em times sem rumo e agora vai jogar ao lado de dois armadores que atraem marcação como poucos na liga. Se a mão voltar ao que era, o Lakers tem o reserva mais completo do grupo por US$ 6 milhões.

Kessler volta de cirurgia com o terceiro maior salário

Kessler é o único caro da lista, US$ 30,2 milhões nesta temporada, e chegou custando duas escolhas de primeira rodada sem proteção mais duas trocas de posição de draft. A imprensa americana tratou o preço como exagero, e não escondeu isso.

Os cinco jogos que ele conseguiu fazer em 2025-26, antes da cirurgia no ombro esquerdo, contam outra história: 14,4 pontos, 10,8 rebotes e 1,8 tocos em 30,8 minutos. Cinco jogos não provam nada sozinhos, e não vamos vender amostra pequena como certeza. Mas é a continuação do que ele já vinha fazendo no Jazz, que é fechar o garrafão sozinho.

Tony Jones, que cobriu o Jazz por temporadas seguidas e hoje trabalha na imprensa da Filadélfia, disse acreditar em Kessler como defensor no nível de Rudy Gobert.

“O que é basicamente uma defesa entre as dez melhores da liga em um homem só.”

Tony Jones, repórter que cobriu o Utah Jazz, sobre Walker Kessler

Tem ainda um detalhe que não aparece na súmula. Kessler corre bem para um pivô de 2,18 m, sai na frente na transição e pede a bola cedo, o que vira cesta fácil em um time que quer acelerar. E o contrato, que hoje parece alto, tende a virar salário de meio de tabela entre os pivôs titulares conforme o teto sobe.

Ziaire Williams se colocou na briga pelo quinteto

Williams foi o único dos quatro a dizer em voz alta que se vê titular. Falou ao Sports Illustrated no início de setembro, depois de Jonathan Kuminga fechar com o Minnesota, e não desconversou nem devolveu resposta pronta.

Pelo Brooklyn ele fez 10,2 pontos em 22,9 minutos, com 34,3% nos três, e começou 13 dos 56 jogos que disputou. O que o credencia é o tamanho: 2,06 m de altura e envergadura de ala, exatamente o corpo que falta ao Lakers nessa posição. O que pesa contra é o peso, literalmente. A liga ainda o lista com 84 quilos, e ala que vai marcar ala-pivô no Oeste precisa aguentar contato embaixo da cesta.

No ataque ele é melhor recebendo e arremessando do que criando, e vai jogar ao lado de dois jogadores que vivem de atrair dois marcadores e achar o companheiro sozinho no canto. É o cenário mais confortável da carreira dele.

Kaluma tem 50 jogos para convencer

O quinto é o único sem vaga entre os 15. Kaluma assinou contrato de duas vias depois de fazer 34 pontos contra o Mavericks na Summer League, com seis bolas de três. O regulamento dá a ele no máximo 50 partidas pelo time principal e nenhuma nos playoffs.

Alex Caruso saiu exatamente desse tipo de contrato no Lakers e virou titular de time campeão. O conselho que ele costuma dar a quem está nessa situação é simples: em vez de tentar ser o cestinha da G League, treinar a tarefa que o time principal realmente vai pedir. No caso de Kaluma, isso significa acertar o arremesso de canto e atacar quem sai para marcá-lo.

O Lakers tem pouca coisa na posição de ala-pivô e uma vaga a menos do que precisa. Se Kaluma resolver esse problema a preço de duas vias, a franquia converte o contrato antes de a temporada acabar.

O elenco já tem a resposta dentro de casa

Na segunda-feira o assunto era buscar um ala do outro time de Los Angeles. Pode acontecer, e faria sentido. Mas a conta que o Lakers vai ter que fechar em outubro não depende de quem ainda não chegou: depende de Thybulle ficar inteiro, de LaRavia reencontrar a mira, de Kessler voltar do ombro e de Ziaire Williams ganhar corpo. São quatro perguntas baratas em um elenco que já passou do imposto de luxo. É o tipo de aposta que sai de graça quando dá certo, e que ninguém cobra quando não dá.