O Lakers perdeu LeBron James e com ele saiu bola para o resto do elenco usar, mas a fila para pegar essa bola aumentou em vez de diminuir. Somados, Luka Doncic e Austin Reaves usaram 52,3 posses por jogo na temporada passada. E chegaram mais dois que gostam de arremessar.

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Resumo rápido
52,3
As posses por jogo que Doncic e Reaves usaram somados em 2025-26.
15 para 21
A subida de Reaves em três temporadas, de coadjuvante a segundo dono da bola.
20,6
O que LeBron usava por jogo e deixou vago ao sair da franquia.
27,8
O que Collin Sexton e Quentin Grimes usavam nos times de onde vieram.
Cem
As posses que um time da NBA costuma ter no total, em um jogo inteiro.

A conta de quem fica com a bola

Posse usada é a maneira mais simples de medir quem fica com a bola. Somamos os arremessos de quadra, 44% dos lances livres e as perdas de bola de cada jogador, e o resultado diz quantas vezes por noite a jogada morreu no pé dele, para o bem ou para o mal. É uma conta que fizemos aqui, jogador por jogador, com os totais da temporada passada.

Doncic terminou 2025-26 em 31,2 posses por jogo. Reaves, em 21,1. Os dois juntos dão 52,3, e um time da NBA costuma fechar a partida com algo perto de cem posses no total. Ou seja, dois jogadores já resolviam metade dos ataques do Lakers, com LeBron James ainda em quadra.

Posses usadas por jogo
Quem ficava com a bola em 2025-26
Luka Doncic fica
31,2
Austin Reaves fica
21,1
LeBron James saiu
20,6
Collin Sexton chegou
14,6
Quentin Grimes chegou
13,2
Marcus Smart saiu
10,1
Posse usada é a conta que fizemos com os totais da temporada: arremessos de quadra mais 44% dos lances livres mais perdas de bola, dividido pelos jogos. Sexton e Grimes aparecem com o que faziam nos times anteriores. Barras em escala sobre Doncic. Fonte: ESPN.

Agora LeBron saiu, e com ele saíram 20,6 posses por jogo. Marcus Smart, que também deixou o elenco do Lakers, levou outras 10,1. Trinta posses voltaram para a mesa. O problema não é essa conta, é a outra.

Chegaram dois que também querem arremessar

Collin Sexton usava 14,6 posses por jogo dividido entre Charlotte e Chicago. Quentin Grimes usava 13,2 na Filadélfia. Juntos, 27,8. Quase tudo o que LeBron e Smart levaram embora já tem candidato de hábito para ocupar.

Nenhum dos dois chegou para ficar parado no canto esperando o passe. Sexton é armador de ataque que sai driblando e procura o próprio arremesso. Grimes fechou a temporada passada com 13,4 pontos por jogo depois de ganhar espaço nos Sixers. Tem um detalhe a favor deles: Sexton acertou 40,1% dos três na temporada passada, o melhor índice dos quatro, e consegue render sem a bola na mão. Mas os dois vêm de times ruins, onde havia bola sobrando, e vão encontrar um vestiário onde ela é disputada.

Quem chega querendo a bola
Médias de 2025-26, a última antes da saída de LeBron
Luka Doncic
Luka Doncic
Los Angeles Lakers
2025-26
Austin Reaves
Austin Reaves
Los Angeles Lakers
2025-26
Collin Sexton
Collin Sexton
Los Angeles Lakers
2025-26
Quentin Grimes
Quentin Grimes
Los Angeles Lakers
2025-26
Pontos por jogo
Doncic
33,5
Reaves
23,3
Sexton
15,4
Grimes
13,4
Assistências por jogo
Doncic
8,3
Reaves
5,5
Sexton
3,3
Grimes
3,3
Minutos por jogo
Doncic
35,8
Reaves
34,5
Sexton
23,7
Grimes
29,4
Aproveitamento de três
Doncic
36,6%
Reaves
36,0%
Sexton
40,1%
Grimes
33,4%
Sexton e Grimes vinham de times onde a bola sobrava. O aproveitamento de três diz quem consegue render sem ela na mão.Sexton jogou 2025-26 por Charlotte Hornets e Chicago Bulls. Grimes jogou 2025-26 pelo Philadelphia 76ers.A barra compara os jogadores entre si, não com o resto da liga. Fonte: ESPN.

Vale lembrar de onde eles vieram. O Charlotte e o Chicago não disputaram nada na temporada passada, e nos Sixers o Grimes só ganhou volume quando os titulares se machucaram. Volume em time que perde não é a mesma coisa que volume em time que joga por vaga de playoff, e os dois vão descobrir isso em outubro.

Reaves subiu três anos seguidos, e não parou

A curva do Reaves é a parte mais importante desta conta. Em 2023-24 ele usava 15 posses por jogo, o número de um terceiro homem. No ano seguinte foi a 18,8. Na temporada passada, 21,1. São seis posses a mais por noite em três anos, e nenhuma delas voltou.

Ele também não chegou ao teto. Reaves fez 23,3 pontos por jogo em 2025-26 e virou o segundo maior salário do time. Jogador que acabou de assinar contrato grande não costuma aceitar jogar menos com a bola, e o Lakers não o pagou para isso.

Do outro lado, Doncic voltou ao patamar que tinha no Texas. No ano da troca, dividido entre os dois times, ele caiu para 27,6 posses por jogo, o menor número desde que virou titular. Na temporada passada subiu para 31,2, praticamente o mesmo 31,5 de 2023-24, quando levou o Dallas à decisão. Ele não veio para jogar menos.

Por que isso pode funcionar mesmo assim

Tem um detalhe que desfaz metade do alarme: Doncic jogou 64 partidas na temporada passada e Reaves, 51. Os dois raramente estiveram inteiros ao mesmo tempo. Boa parte dos números altos de Reaves saiu justamente das noites em que Doncic não jogou, e vice-versa.

JJ Redick já resolveu esse tipo de conta antes, alternando os dois nos comandos de cada período para que sempre houvesse um criador em quadra. Com Sexton e Grimes no banco, a rotação ganha mais uma dupla capaz de sair jogando quando os titulares descansam. Bola dividida em turnos não é bola disputada.

O ataque também tem mais para onde correr. Walker Kessler pede a bola cedo na corrida e finaliza perto da cesta, o que gasta posse sem precisar de arremesso criado. Jake LaRavia e Matisse Thybulle vivem do arremesso de canto, que nasce do drible de outro. Esses três consomem pouco e devolvem muito.

E tem a fila de trás. Jaden Hardy, Dalton Knecht e Bronny James também precisam de bola para mostrar serviço, e nenhum dos três vai ter. Em uma temporada em que o time já opera com 16 contratos para 15 vagas, sobra jogador querendo minuto e falta jogo para todo mundo.

A conta só fecha se alguém aceitar jogar menos

Times de dois criadores funcionam quando um dos dois abre mão em silêncio, e quebram quando nenhum abre. O Lakers passa a temporada inteira com essa pergunta em aberto, e ela não se responde em coletiva de pré-temporada. Responde-se no quarto período de dezembro, quando o jogo aperta e alguém tem que ficar sem a bola.