Jaden Hardy, Bronny James, Kevon Looney e Jarred Vanderbilt somaram 112 minutos nos oito jogos do Lakers, menos de 6% do tempo do time em quadra, e ocupam 11,5% da folha salarial do elenco. Os quatro já ficaram 15 vezes fora por decisão de JJ Redick, e cada minuto de Hardy custou mais que um de Doncic.
Os quatro que quase não saem do banco
O Lakers começou a temporada com nove jogadores dividindo os minutos de verdade. Doncic, Reaves e Kessler passam de 30 por noite, e Grimes, Thybulle, Mamukelashvili, LaRavia, Ziaire Williams e Collin Sexton completam a rotação. Para os outros quatro com contrato padrão que já vestiram a camisa nesta temporada, sobrou pouco, e quase sempre no fim de jogo resolvido.
Nenhum deles está machucado. Nos boxscores da ESPN, as 15 ausências aparecem com a mesma anotação: decisão do técnico. É escolha de Redick, jogo a jogo.
Quanto custa cada minuto em quadra
Nós fizemos uma conta simples para medir o tamanho da distorção. O salário de cada um foi dividido pelos 82 jogos da temporada, multiplicado pelos oito já disputados e dividido pelos minutos que cada jogador passou em quadra. Não é o que o Lakers paga por minuto na vida real, porque contrato não se cobra assim, mas mostra quanto a franquia investe em quem quase não usa.
O resultado coloca Hardy no topo. Cada minuto dele saiu por cerca de US$ 30,8 mil, mais caro que um minuto de Doncic, que recebe mais de oito vezes o salário dele e passou 13 vezes mais tempo em quadra. Vanderbilt e Bronny também passam do armador esloveno. Looney é o único barato da lista, porque o contrato dele é o mínimo para veteranos.
Por que Vanderbilt passou na frente de Looney
Os dois trocaram de lugar no meio da primeira semana. Looney foi o pivô reserva nos quatro primeiros jogos, atrás de Kessler e ao lado de Mamukelashvili, e terminou essa fase com saldo de menos 29 em 30 minutos. Sem arremesso de fora e com pouca mobilidade para marcar longe da cesta, ele ficou exposto contra ataques rápidos como os do Jazz e do Blazers.
No clássico contra o Clippers, sem Doncic, Redick tirou Looney e colocou Vanderbilt. O Lakers venceu por 16, e nos 21 minutos de Vanderbilt em quadra o time fez 22 pontos a mais que o rival. Desde então, Vanderbilt entrou em todos os jogos e Looney não saiu mais do banco. Collin Sexton elogiou publicamente a forma como o companheiro se manteve pronto enquanto não jogava.
A relação entre técnico e jogador já teve atrito. Em abril, na temporada passada, os dois discutiram no banco durante uma derrota para o Thunder, e Redick chamou o episódio de “interação normal”. O que mudou agora foi a necessidade: com Ziaire Williams fora daquele jogo, faltava alguém para marcar alas e ganhar rebote. Vanderbilt faz as duas coisas, mesmo sem pontuar, e tem 1,5 ponto por jogo.
Hardy, Bronny e a vaga do terceiro armador
A situação dos dois armadores foi desenhada por Redick ainda na pré-temporada. Segundo o Heavy, o técnico explicou que, se Doncic ou Sexton não estiverem disponíveis, um entre Bronny, Hardy e Chris Mañon entra no lugar, porque o time precisa de mais alguém para conduzir a bola. Com os dois saudáveis, a vaga simplesmente não existe.
Foi o que se viu. Hardy ganhou 9 minutos no jogo contra o Clippers, o único sem Doncic, e já tinha passado Bronny na fila nos últimos jogos da pré-temporada. Nos outros jogos, os dois entram no último minuto ou nem entram. Hardy acertou 1 de 10 arremessos. Bronny tem 4 pontos na temporada.
O saldo negativo engana
Quem olhar só o saldo em quadra vai achar que os quatro afundam o time. Bronny tem menos 24, Hardy menos 21 e Looney menos 29. O número é real, mas conta pouco.
Quase todo esse saldo veio com o jogo decidido. Na estreia, contra o Warriors, o Lakers venceu por 22, e Bronny e Hardy saíram com menos 11 cada em 7 minutos. Contra o Raptors, no domingo, Bronny jogou 2 minutos e ficou com menos 11, e Hardy, 1 minuto e menos 9, em uma vitória por 6. São 22 dos 24 pontos negativos de Bronny em 9 minutos de duas noites. Em amostra de 11 minutos, um minuto ruim pesa como uma partida inteira.
O que se pode afirmar é mais simples. Nenhum dos quatro mostrou, nos poucos minutos que teve, motivo para Redick mudar a rotação que está ganhando. O Lakers está 6-2 e lidera o Pacífico com nove jogadores.
O que isso significa para o elenco
O problema dos quatro deixa de ser de quadra e passa a ser de vaga. O elenco do Lakers está completo, e a franquia ainda contratou o pivô Lawson Lovering em contrato de duas vias na semana passada, mais um corpo para o garrafão.
Os contratos dizem muito sobre o que pode acontecer. O de Looney termina em junho e, no mínimo para veteranos, é o mais fácil de cortar se o Lakers precisar da vaga. O de Vanderbilt, de US$ 12,4 milhões, e o de Hardy, de US$ 6 milhões, seguem até 2027-28 e somam valor suficiente para entrar em uma troca de jogador de rotação antes do prazo de fevereiro. Bronny tem o contrato mais barato e o caso mais particular: o valor dele para a franquia nunca foi medido só em minutos.
Por enquanto, Redick tem uma rotação que funciona e quatro jogadores que treinam para uma chance que pode não vir. A próxima lesão no elenco vai dizer qual deles estava pronto.