Norman Powell chamou o Lakers de time mais superestimado da NBA. O recorte que rodou o mundo cortou o motivo que ele mesmo deu na frase seguinte. Era brincadeira com asa de frango apimentada, e responder foi o jeito de escapar da pimenta. É a segunda alfinetada na semana, depois da ironia de um dirigente sobre a defesa.
Siga o Lakers Brasil no Instagram
O que o recorte mostrou
No sábado o corte viralizou em uma conta de basquete no X, com quinze palavras de legenda. Pergunta e resposta, nada mais:
N3on: “Who is the most overrated team in the NBA?”
Norman Powell: “The Lakers” pic.twitter.com/MnFdaLd0oS
— Legion Hoops (@LegionHoops) September 12, 2026
Daí para frente foi o que se espera. O Yahoo escreveu que Powell “detonou” o Lakers. O Sports Illustrated chamou de “alfinetada direta” no time de Luka Doncic. A Bleacher Report descreveu o episódio como uma conversa casual de transmissão ao vivo, sem mencionar em momento nenhum o que estava em cima da mesa.
O que o recorte cortou
O vídeo original tem quase duas horas e não é entrevista. É um mukbang no canal do streamer N3on, gravado em uma casa de asa de frango, com um jogo de perguntas no meio: ou o convidado responde, ou come uma asa apimentada. Powell escolheu responder, e disse por quê na mesma frase.
“Vou dizer, só pra eu não ter que comer a asa, mano: vou dizer o Lakers, mano. Pronto.”
Norman Powell, ao streamer N3on, em 12 de setembro
O trecho que virou manchete começa depois da vírgula. A primeira metade da frase, que é onde mora o contexto, ficou fora do corte. O vídeo completo está aqui:
Powell não deu um argumento de basquete sequer
Isso é o que separa esta fala das outras. Um dirigente anônimo pelo menos apontou a defesa. A ESPN, ao eleger o Lakers o time mais decepcionante da temporada que vem, listou motivos. Powell não falou de marcação, de garrafão, de banco, de calendário. Escolheu o nome mais pesado disponível, que era também o que daria manchete, e seguiu comendo.
Powell também não é um desconhecido falando do lado de fora. Foi campeão pelo Raptors em 2019 e passou quatro temporadas no Clippers, entre 2021 e 2025, dividindo a Crypto Arena com o Lakers e enfrentando o time quatro vezes por temporada. Em 2025-26 jogou pelo Heat, fez 21,7 pontos por jogo em 58 partidas e foi ao primeiro Jogo das Estrelas da carreira. Assinou com o Bulls por duas temporadas e US$ 45 milhões. É gente com quilometragem e com repertório para sustentar uma crítica, e foi exatamente esse repertório que ele não usou.
Vale dizer que ele não fugiu do que veio depois. Perguntado se não temia a reação, respondeu que toma pancada pelas próprias frases o tempo todo e que não tem medo nenhum. É coerente. Só não transforma uma resposta dada para escapar de pimenta em análise.
E se a frase fosse levada a sério
Superestimado é um apelido que exige um degrau entre o que se espera e o que se entrega. O Lakers vem de duas temporadas seguidas de 50 vitórias. Na última, Luka Doncic fez 33,5 pontos, 8,3 assistências e 7,7 rebotes por jogo, e Austin Reaves somou 23,3 pontos com 5,5 assistências. O time terminou de pé e foi parado por lesão, não por fracasso.
O que dá para discutir de verdade é o que vem agora, com LeBron James em outro time e um elenco remontado de cima a baixo. Aí a dúvida é legítima e nós mesmos já publicamos as contas dos dois lados, inclusive quando Charles Barkley discordou de quem enterrou o time. Mas essa discussão não cabe em uma palavra dita de boca cheia.
O padrão que se repete todo setembro
Em uma semana o Lakers virou piada de dirigente anônimo, capa de enquete de time decepcionante e agora resposta de brincadeira em live de streamer. Nenhuma das três foi dita em quadra, e nenhuma vale um ponto na tabela.
A parte interessante é que o time ganha alguma coisa com isso. Elenco novo precisa de um inimigo comum, e setembro está entregando um por dia, de graça. A conta começa a valer em outubro, e aí ninguém vai perguntar quem tinha uma asa de frango na frente.