Um dirigente da NBA disse a Keith Smith, do Spotrac, que o Lakers vai defender mal e pontuar muito, e que JJ Redick merece ser Treinador do Ano se colocar este grupo entre as vinte melhores defesas da liga. O time ja fechou a temporada passada em 19º nesse quesito, e a nova função defensiva já foi passada aos reforços.

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Resumo rápido
19º lugar
Onde o Lakers terminou em eficiência defensiva na temporada passada.
116,4
Pontos sofridos a cada 100 posses. O 20º colocado ficou em 116,5.
114,3
A defesa do time depois do Jogo das Estrelas, já em faixa de top-10.
8,7
A distância que separa o Lakers do Thunder, a melhor defesa da NBA.

A frase que correu os bastidores da NBA

Keith Smith, do Spotrac, ouve dirigentes em anonimato no fim de cada offseason e publica o que eles pensam de cada elenco. Sobre o Lakers de 2026-27, um deles respondeu com uma risada no meio da frase. O ataque ele nem discutiu. A defesa virou piada pronta.

“Ataque, bom, tem de sobra. Na defesa… bem, eles vão pontuar muito! Se o JJ conseguir pôr esse grupo entre as vinte melhores defesas, pode dar o Treinador do Ano para ele.”

Dirigente da NBA, em anonimato, ao repórter Keith Smith, do Spotrac

O reparo vale menos pelo deboche e mais pela barra escolhida. Top-20 em uma liga de 30 times não é elogio disfarçado nem meta de campeão. É quase exatamente onde este time já estava.

A barra escolhida já estava praticamente alcançada

Na temporada passada o Lakers sofreu 116,4 pontos a cada 100 posses e terminou em 19º. O 20º colocado, o Mavericks, ficou em 116,5. Quer dizer que o time já cumpria o critério da piada, por um décimo de ponto. Pedir top-20 a um elenco que acabou de receber um protetor de aro e dois marcadores de perímetro não é desafio, é a descrição do ponto de partida.

A comparação com o resto da liga é que abre o buraco de verdade. Veja onde cada faixa caiu, lembrando que aqui quanto menor, melhor:

Eficiência defensiva em 2025-26 · quanto menor, melhor
Thunder (1º) 107,7
Pistons (2º) 109,7
Lakers depois do Jogo das Estrelas 114,3
Lakers na temporada inteira (19º) 116,4
Pelicans (30º) 118,9

São 8,7 pontos a cada 100 posses entre o Lakers e o Thunder. Em um jogo de 100 posses, isso equivale a dar quase uma bola de três de presente por quarto. Nenhuma contratação de offseason apaga sozinha uma diferença desse tamanho.

Os nomes que Pelinka trouxe para responder

O elenco atual mudou de cara justamente no lado em que o dirigente cutucou. Foram três chegadas com função defensiva declarada e uma quarta peça que o time já tinha e nunca usou direito.

Nome Posição O que resolve
Walker Kessler Pivô Proteção de aro, o buraco mais antigo da era Doncic
Quentin Grimes Ala-armador Pressão na bola contra armador rápido
Matisse Thybulle Ala Marcação de especialista, para trocar tudo no perímetro
Ziaire Williams Ala Tamanho na ala, função que Redick já explicou a ele

Kessler é quem carrega o peso. O Lakers entregou duas escolhas de primeira rodada sem proteção e mais duas trocas de posição no draft para buscá-lo, e depois assinou com ele por quatro anos e US$ 130 milhões. O detalhe incômodo: ele jogou cinco partidas na temporada passada antes de operar o ombro, com 1,8 toco por jogo naquela amostra minúscula. É aposta alta com prova curta.

O que joga a favor de Redick nessa discussão

Tem um pedaço de calendário que o dirigente ignorou. Depois do Jogo das Estrelas, com a rotação enfim fechada, o Lakers passou a sofrer 114,3 pontos a cada 100 posses e entrou na faixa dos dez melhores da liga naquele recorte. Não foi acaso de três jogos: foi a arrancada de 16 vitórias em 18 partidas que só parou quando as lesões chegaram.

Ou seja, Redick já fez este time defender. Com outro elenco, e com Luka Doncic em outra forma física, mas fez. A piada do dirigente mede o elenco no papel e desconta o treinador, que é justamente a parte que a temporada passada mandou não descontar.

Onde a conta ainda pode dar errado

A ESPN colocou o Lakers em primeiro lugar na enquete de time mais decepcionante de 2026-27, e a defesa aparece na justificativa de quase todo voto. O raciocínio é simples: Doncic e Austin Reaves vão dividir muitos minutos em quadra, e nenhum dos dois marca em nível de elite. Quem ataca o Lakers vai procurar os dois na troca, sempre, e não existe esquema que esconda dois jogadores ao mesmo tempo.

Há ainda a variável mais banal e mais decisiva: presença. Jovan Buha, que cobre o time de perto, escreveu que a meta de 50 vitórias e mando de quadra nos playoffs depende de Doncic, Reaves e Kessler passarem de 65 jogos cada um. Kessler vem de cinco partidas na temporada. Se o pivô não estiver em quadra, o top-20 vira mesmo aquilo que o dirigente insinuou.

A piada tem graça porque a barra é baixa. O problema é que, se o Lakers cumprir só a barra, o inverno de 2027 vai ser exatamente o que a ESPN previu. Redick não precisa do Treinador do Ano. Precisa que aquele 19º lugar vire um número que ninguém esperava ver por aqui.