Ziaire Williams contou qual função o Lakers combinou com ele para 2026-27, e ela não tem nada a ver com pontuar. JJ Redick e Rob Pelinka pediram que ele fosse o principal defensor de perímetro do time, o buraco que sobrou no quinteto montado em torno de Luka Doncic.
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O que o Lakers combinou com ele antes de assinar
A conversa aconteceu ainda na agência livre, com JJ Redick e Rob Pelinka, e o pedido foi específico. Williams contou o teor dela a Benjamin Royer, do Southern California News Group.
“Antes de tudo, ser o principal defensor, o cara que pega o homem da bola desde o começo da jogada. Óbvio que o Luka e o AR vão ser os principais com a bola na mão. Então é jogar em volta deles, saber arremessar, cortar, fazer jogada na transição, esse tipo de coisa. Eles acharam que eu encaixava bem aqui, e o sentimento foi mútuo.”
Ziaire Williams, ala do Lakers, ao Southern California News Group
O que chama atenção não é o pedido em si, é a ordem em que ele veio. Um jogador de 24 anos que vinha da melhor temporada ofensiva da carreira ouviu primeiro sobre defesa, e só depois sobre arremesso e corte. A conversa descreve a vaga, não o jogador.
Por que essa função sobrou justamente para ele
O Lakers começa a temporada com Doncic e Austin Reaves no perímetro, e essa dupla cria uma conta que alguém precisa pagar todo jogo. Nenhum dos dois vai pegar o melhor perimetral do adversário. Quentin Grimes é o único titular contratado exatamente para isso, e um marcador só não cobre 82 jogos.
É aí que Williams entra, com 2,06 m e mobilidade para trocar marcação em mais de uma posição. John Schuhmann, da NBA.com, escreveu que a envergadura e a mobilidade de que o time precisa para defender bem vêm justamente de jogadores como ele e Matisse Thybulle, com a ressalva de que os dois oferecem pouco no ataque e podem ver minutos limitados nos playoffs.
O que ele consegue entregar do outro lado
A ressalva de Schuhmann tem número. Na temporada passada, pelo Nets, Williams fez 10,2 pontos, 2,4 rebotes e 1,1 assistência em 56 jogos, com 13 deles como titular, e acertou 34,3% dos arremessos de três. Foi a melhor mira de longe da carreira dele, e ainda assim está abaixo da média da liga.
Esse é o ponto que decide quantos minutos ele joga. Um ala que marca bem e não é ameaça de três encolhe o espaço que Doncic usa para atacar o aro, que é o mecanismo central do ataque do time. Se os 34,3% virarem 37%, ele resolve dois problemas de uma vez. Se caírem, vira decisão difícil para Redick em jogo apertado.
A defesa do Lakers ainda está por montar
O contexto explica por que a conversa começou por aí. Na temporada passada o Lakers atacou em décimo lugar da liga e defendeu em vigésimo, sofrendo 115,5 pontos por 100 posses. Foi a segunda pior defesa do time em nove anos, segundo os números da NBA.com, e nada disso foi resolvido com uma contratação só.
Some-se a isso o tamanho da reforma. A franquia mantém apenas 42% dos minutos que jogou na temporada passada, a menor taxa entre os 30 times, porque saíram LeBron James, Rui Hachimura, Marcus Smart, Deandre Ayton, Jaxson Hayes e Luke Kennard. A ala esvaziou de uma vez, e ninguém chegou depois que Jonathan Kuminga fechou com o Timberwolves. Williams é um dos poucos nomes disponíveis para uma função que o time precisa preencher todo jogo, não só nos playoffs. E o Oeste que ele vai enfrentar tem Spurs e Thunder no topo, os dois melhores saldos da conferência.
O prazo dele é curto e ele sabe disso
Williams assinou por uma temporada, em julho. Contrato de uma temporada cobra resposta rápida, porque o que ele mostrar em outubro decide se ele continua no time depois de junho. O elenco principal ainda precisa cortar alguém para ficar dentro das 15 vagas permitidas, e os relatórios de quem cobre o time apontam Jarred Vanderbilt, Dalton Knecht e Jaden Hardy como as saídas prováveis, não ele.
O primeiro teste real chega no training camp, no fim de setembro. Até lá, o que existe é uma função combinada em conversa e uma temporada de 34,3% de três para melhorar.